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Resenha | A Sociedade Santa Zita, de Ruth Rendell

A-Sociedade-Santa-Zita-Blog-EscrevArte-204x300 Resenha | A Sociedade Santa Zita, de Ruth RendellTítulo: A Sociedade Santa Zita

Autora: Ruth Rendell

Editora: Bertrand Brasil

Páginas: 280

Gênero: Drama, Quotidiano, Romance, Suspense

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Mortes acidentais e loucura patológica sobem e descem as escadas de Hexam Place.
Vistas de fora, as vidas dos moradores e empregados domésticos de Hexam Place parecem plácidas e ordeiras. Mas debaixo dessa camada superficial de tranquilidade, as relações de trabalho estão prestes a entrar em combustão.
Henry, o belo criado de lorde Studley, está dormindo tanto com a mulher quanto com a filha universitária do patrão. Em troca de gorjetas, Montserrat, a preguiçosa au pair da família Still, ajuda a dona da casa a manter em segredo um caso com um ator de televisão. June, a esnobe empregada doméstica de uma princesa de origem duvidosa, tenta convencer outros trabalhadores domésticos a participarem de uma “sociedade” para tratar de reclamações sobre seus empregadores.
Enquanto isso, Dex, o perturbado jardineiro, que presta serviços a várias famílias da rua, acredita que uma voz em seu telefone celular está lhe dando instruções divinas, comandos que podem colocar em perigo as vidas de todos em Hexam Place.

RESENHA

Ruth Barbara Rendell, CBE, foi uma escritora inglesa de obras de mistério e psicologia criminal e é conhecida por muitos como a rainha do crime. Fascinada por Londres, escreveu muitos romances em que a capital é a personagem central: PortoBello e Orquídeas de Tigerlily, entre outros. Sua obra “A Sociedade Santa Zita” é uma adição impressionante para este subgênero.

A sociedade denominada no romance como “Santa Zita”, é uma estória ambientada no edifício Hexam Place – Londres e desenvolve as relações entre um grupo de empregados domésticos que se reúne regularmente para discutir as relações entre patrões e empregados e questões nem tão relevantes como por exemplo: como punir os donos de cães que deixam resíduos de seus animais em sacos de plástico na rua ao invés de descarta-lo corretamente.

Rendell é brilhante ao mostrar como proximidade e distância podem coexistir; como a vida das pessoas pode se cruzar em um sentido prático, sem nunca realmente se tocar de qualquer maneira significativa.

Em sua Londres ficcional, ela explora tanto a segurança quanto os perigos inerentes ao viver lado a lado com as pessoas das quais se sabe apenas superficialmente, pessoas que escondem tudo o que desejam e até o medo um do outro, a fim de parecer socialmente aceitável.

No início de “A Sociedade Santa Zita”, o leitor é apresentado a um grupo fascinante e potencialmente explosivo de trabalhadores domésticos que são tão simples como únicos e é esta combinação do comum e o estranho que nos chama a atenção e que faz a estória tão plausível.

Alguns personagens me chamaram a atenção: o jardineiro e faz-tudo Dex, que acredita que sua operadora de telefonia móvel é uma divindade e que, por vezes, envia-lhe mensagens pessoais especiais; a babá Rabia cuja obsessão com o bebê sob seus cuidados não deixa espaço para a possibilidade de um novo relacionamento romântico;

e June, que desperdiçou a maior parte de sua vida com o companheiro e é empregada de uma mulher ingrata que finge ser uma princesa e acorda-a no meio da noite para lembrá-la das necessidades de seu cão de estimação.

Ah! Não posso esquecer de Henry que é motorista de um político e está tendo um caso com sua filha (com a esposa também!).

Os empregadores do pessoal doméstico, os senhores e senhoras desta rua privilegiada de Londres, com seus cafés da manhã na cama, casas de campo ou montanha são retratados como mimados, egoístas e implacáveis.

Isso não quer dizer que Rendell está tentando criar uma guerra de classes. Seus personagens são igualmente falhos, mas sua simpatia pela condição humana se mostra em cada linha deste romance. É fácil perceber a luta para se comportar bem em todas as situações e a importância de manter essa situação apesar da dor diária, da frustração e da humilhação que a maioria deles sofrem.

A tensão dramática é a construção desde o início e vem satisfatoriamente à cabeça quando o amante de uma das mulheres é capturado quase no ato por seu marido e empurrado para escadas abaixo… De repente, há um corpo para se eliminar ou entregar para a polícia e todo o egoísmo e pragmatismo dos personagens tem um ponto focal emocionante (o vai e vem com o corpo no porta malas do carro ou no enterra-desenterra chega a ser hilário, mas excepcionalmente bem conduzido pela autora).

Muitos escrevem com sucesso sobre eventos em espiral fora de controle, mas Rendell é perfeita nessas situações e nos dá alternativas as vezes apenas imaginadas para resolver cada uma delas! Ao final, o que fica são mesmo os padrões que as pessoas colocam em suas vidas para resolver essas situações.

A Sociedade Santa Rita” é um excelente livro, onde os personagens são envolventes e com múltiplas linhas de ação. É uma estória fascinante!

A edição é perfeita e caprichada, com folhas amarelas e 279 páginas de muita estória e fantasias. Parabéns à Editora Bertrand Brasil!

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