Início / Resenhas / Literatura Nacional / Resenha | Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós

Resenha | Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós

Vermelho-amargo-167x300 Resenha | Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de QueirósVermelho amargo revela uma face diferente do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, e o insere definitivamente na literatura brasileira, para além de classificações. Um narrador em primeira pessoa revisita a dolorosa infância, marcada pela ausência da mãe substituída por uma madrasta indiferente. Vemos os irmãos, filhos de um pai que não larga o álcool e de uma madrasta que serve em todas as refeições fatias cada vez mais finas de tomate, desenvolverem diversas anomalias para tentar suprir a ausência de afeto e a saudade da mãe: um come vidro, a outra não larga as agulhas e o ponto cruz. Numa espécie de contagem regressiva, o narrador observa seus irmãos mais velhos irem embora de casa. A prosa memorialística vale a pena, no entanto: afinal, “esquecer é desexistir, é não ter havido”.

Neste depoimento de inspiração autobiográfica, a prosa poética de Bartolomeu é dolorosamente bela. Como ele mesmo coloca na epígrafe, foi preciso deitar o vermelho sobre papel branco para bem aliviar o seu amargor. Uma obra delicada como arame farpado, nas palavras do diretor teatral Gabriel Villela, que assina o texto de quarta capa.

RESENHA

Vermelho amargo foi o último livro de Bartolomeu Campos de Queirós publicado em vida, e se compõe, juntamente com outros cinco livros, como que uma obra de cunho autobiográfico. E enxergar esta obra por esta vertente a torna ainda mais amarga, como o próprio nome sugere.

Numa contagem regressiva dos personagens de uma família, começando pela dolorosa e palpável saudade da mãe falecida, o autor vai narrando numa singular prosa poética fatos tão quotidianos quanto marcantes da vida do protagonista, um garoto sem nome. Usando de palavras que se complementam e dão o ar de simplicidade à vida, tais como tomate, comida, amor, dor, irmãos, madrasta, mãe, saudade e vermelho, o autor oferece ao leitor uma obra que remete à vida de nossos antepassados: casa com quintal, água e mato. Vizinhança com manias e conversas sobre o muro. Almoço regrado para que não falte a cada um o seu naco. O filho que vai embora para a cidade grande.

Vermelho amargo é, sem dúvida, uma obra experiencial, que remete o leitor à sua própria história de vida e as perdas que a compõem. Como lidar com estas saídas não comunicadas nem mesmo autorizadas de nossas vidas?

Muitas perguntas surgem e nem sempre as respostas estão ali, ou ainda que estejam não quer dizer que sanam as equações. Vermelho amargo é livro para se vivenciar. Ler e, a cada página, olhar para o horizonte buscando nas suas próprias memórias os infortúnios que nos fazem, amargos como são, mas que sem eles não seríamos metade do que somos.

A edição da Global Editora casa-se perfeitamente com o conteúdo das páginas. Capa dura, que empresta à obra a elegância que merece, mas ao mesmo tempo acabamento simples e intimista, que remete à simplicidade da vida que é retratada ali. Desde a capa, até a apresentação do autor no final da obra, tudo foi feito com tremendo cuidado. Vale a pena ler, acompanhado de uma xícara de café, de preferência sentado na varanda de casa num entardecer silencioso, exceto pelos sons da natureza, simples e soberana.

Ficha técnica

Título Vermelho Amargo
Autor Bartolomeu Campos de Queirós
Editora Global
Páginas 75
Ano 2011
Gênero Drama, Autobiografia

Vermelho Amargo

Capa & Diagramação
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Muitas perguntas surgem e nem sempre as respostas estão ali, ou ainda que estejam não quer dizer que sanam as equações. Vermelho amargo é livro para se vivenciar. Ler e, a cada página, olhar para o horizonte buscando nas suas próprias memórias os infortúnios que nos fazem, amargos como são, mas que sem eles não seríamos metade do que somos.

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

Veja Também

Resenha | No reino das girafas, de Jacqueline Farid

Uma mulher enfrenta o desejo da separação do companheiro e as dúvidas desencadeadas pelo desejo, …

Iº CIRCUITO YOUTUBERS: AUTORES POÇOS-CALDENSES

Poços de Caldas é conhecida por ser a cidade que mais lê no Estado de …

Resenha | A Volta do Pequeno Príncipe, de Luciula Soares

A autora, carioca, escreveu o livro aos vinte e tantos anos, por saudade do Pequeno Príncipe. …

Deixe uma resposta

Loading Disqus Comments ...
Loading Facebook Comments ...
Pular para a barra de ferramentas