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Resenha | Tropas Estelares, de Robert A. Heinlein

Tropas-Estelares-Rober-Heinlein-196x300 Resenha | Tropas Estelares, de Robert A. HeinleinAlistar-se no Exército foi a primeira – e talvez a última – escolha livre que Juan Rico pôde tomar ao sair da adolescência. Apesar do árduo e rigoroso treinamento pelo qual é obrigado a passar, o perseverante recruta está determinado a tornar-se um capitão de tropas. No acampamento militar, ele aprenderá a ser um soldado. Mas apenas ao final de seu treinamento, quando, enfim, a guerra chegar (e ela sempre chega), Rico saberá por que se tornou um. Vencedor do prêmio Hugo e um dos maiores clássicos da ficção científica mundial, Tropas estelares traz um enredo repleto de ação, tecnologia, superação de desafios, guerras espaciais e complexas relações políticas e humanas. A obra foi adaptada para o cinema pelo diretor Paul Verhoeven.

Resenha

Vocês já assistiram o filme Tropas estelares? Eu já assisti e gostei bastante dele, mas se você for ler o clássico livro do autor Robert Heinlein achando que vai encontrar o que viu no cinema, esqueça! A história do livro nada tem a ver com a do filme, ou pelo menos quase nada, a gente ainda consegue fazer algumas relações, mas bem poucas. Não é uma ficção científica de aventura ou suspense, como nós normalmente vemos, o premiado livro nos trás uma Scifi com pouca cara de Scifi, o foco principal do livro são as discussões ideológicas que o autor levanta durante toda a discrição da rotina do personagem Juan Rico.

O livro Tropas estelares mostra a trajetória militar de Juan Rico desde o alistamento, mostrando as agruras do seu treinamento, e a sua ascensão até quando ele finalmente chega a participar de batalhas.

Somos os caras que vão a um lugar específicos, na hora H, ocupamos um terreno determinado, ficamos nele, arrancamos o inimigo de seus buracos e fazemos com que ele, ali e na hora, se renda ou morra. Somos a maldita infantaria, os pracinhas, os “pé de poeira”, o soldado a pé que vai até onde o inimigo está e o enfrenta em pessoa. Temos feito isso, com mudanças nas armas, mas poucas no ofício, pelo menos desde cinco mil anos atrás, quando os marchadores de Sargão, o Grande, forçaram os sumérios a pedir água.

O ponto forte do livro também é, na minha opinião, o seu ponto fraco. O autor trás uma discussão ideológica muito interessante, principalmente para a época em que foi lançado, mas o problema é esse, ele se preocupou tanto com isso, que só tem isso. No mais é uma rotina sem fim, mostrando os regulamentos e a estrutura do exército terrestre que luta contra os insetos alienígenas, alienígenas esses que só dão o ar da graça praticamente no fim do livro. É muito mais um estudo político sobre guerra e ideologia sociopolítica, do que uma história de ficção científica propriamente dita. Com esse discurso que beira o panfletário, há quem o possa classificar como fascista, o que é uma leitura possível, mas não chego a tanto. Mas no momento atual em que vivemos aqui no Brasil, entendo que suas ideias poderiam ser um problema (ou não, depende de sua ideologia).

(…)O Homem não tem instinto moral. Ele não nasce com um senso de moral. Você não nasceu com um, nem eu nasci… e um cachorrinho não tem nenhum. Nós adquirimos um senso moral, quando o fazemos, por meio de treinamento, experiência e trabalho duro da mente. Aqueles infelizes criminosos juvenis nasceram sem nenhum senso moral, da mesma forma que eu e você, e não tiveram nenhuma chance de adquirir um; suas experiências não permitiram.(…) A experiência havia lhes ensinado que aquilo que estavam fazendo era o modo de sobreviver. O cachrrinho nunca apanhou; sendo assim, o que ele fazia com prazer e sucesso devia ser “moral”.

Com relação ao projeto gráfico, temos um belíssimo trabalho em uma capa minimalista que lembra a guerra contra os insetos. No miolo encontramos um bom trabalho de diagramação e revisão sem erros aparentes. Ah, e a Editora Aleph ainda finaliza a obra publicando a entrevista feita com Ugo Bellagamba e Éric Picholle, dois biógrafos do autor Robert A. Heinlein, em que podemos conhecer um pouco mais da importância do autor para o gênero.

No mais, é um livro obrigatório para quem quer conhecer a história da ficção científica e ideias polêmicas expostas de forma brilhante, mas não para quem deseja envolver-se com personagens consistentes, tramas bem construídas e boas cenas de combate interestelar. É uma leitura para os fãs de conteúdo militar, pois é uma boa história sobre o cotidiano de uma guerra, não importa em que época se passe.

Tropas Estelares

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Bom!

É um livro obrigatório para quem quer conhecer a história da ficção científica e ideias polêmicas expostas de forma brilhante, mas não para quem deseja envolver-se com personagens consistentes, tramas bem construídas e boas cenas de combate interestelar. É uma leitura para os fãs de conteúdo militar, pois é uma boa história sobre o cotidiano de uma guerra, não importa em que época se passe.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de TV. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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2 comentários

  1. Não é o tipo de livro que eu curto. Então, é melhor nem ler, porque provavelmente não vou gostar. Também não conheço o filme. Acredito que, quem gosta do gênero, vai gostar do livro.

    Um abraço!

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