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Resenha | Tremeu a Europa e o Brasil também, de José Alberto Vivas Veloso

tremeuaeuropa-200x300 Resenha | Tremeu a Europa e o Brasil também, de José Alberto Vivas VelosoO chão parece desmanchar e ao redor tudo balança, objetos caem e o som vindo das profundezas aterroriza. Cresce a sensação de impotência diante de algo maior. De surpresa chegou, e rapidamente se foi. Marcas ficaram, algumas atravessaram séculos, parecem indeléveis. Surgem histórias.

Contaremos muitas, a começar pelo tríplice desastre sofrido por Lisboa em 1755. Mas há casos brasileiros que vão surpreender. Afinal, estamos falando de terremotos, tremores de terra, sismos e abalos de terra, sinônimos de um fenômeno natural impossível de domar.

Resenha

Tremeu a Europa e o Brasil também aborda o fatídico dia 1 de novembro de 1755, dia em que ocorreu o terrível “Terremoto de Lisboa”, que além de destruir a cidade de Lisboa, assolou o velho continente com um maremoto que continuou sua marcha rumo ao Atlântico Sul chegando ao litoral do nordeste brasileiro. Como o próprio autor nos diz: “Isso é relevante e inédito, pois não se tinha conhecimento de um teletsunami que houvesse ocasionado problemas no Brasil. Portanto, deve-se acrescentar em nossa História que, além da elevação de impostos, da entrega de mais ouro e diamantes para custear a reconstrução de Lisboa, o Brasil foi afetado fisicamente pelo terremoto de 1755”.

(…)o terremoto lançou por terra a décima parte das casas de Lisboa, deixando inabitáveis mais de duas partes das que ficaram em pé, ficando habitáveis somente ainda menos de uma terça parte das casas.

Além do fatídico terremoto, o geólogo brasileiro Alberto Veloso nos apresenta diversos outros acontecimentos sismológicos, indo desde aquela época até os dias atuais, sobretudo em terras brasileiras. Entre eles, os acontecidos no Amazonas, no Mato Grosso, em São Paulo e no Rio Grande do Norte.

É um livro-documentário muito interessante, sobretudo por trazer à tona fatos importantes e pouco conhecidos do público brasileiro. A mim a leitura foi ainda mais interessante por me levar a lugares tão próximos de mim, já que moro em Pernambuco, um dos estados atingidos pelo maremoto de 1755, e também por ser nascido no Rio Grande do Norte, estado citado em rico capítulo sobre a série de terremotos acontecidos nos anos 80 na cidade de João Câmara.

Essa noite não dormimos direito. Foi um pipoco atrás do outro. Parece que esses pipocos não vão acabar nunca.

E no Brasil tem mesmo terremotos? Hoje a gente vez por outra ouve falar de algum acontecendo pelo mundo afora, mas quase não se ouve sobre eles por aqui. Neste livro você conhecerá alguns que se tem registro aqui no Brasil, e que provavelmente você talvez nunca tenha ouvido falar.

Algumas curiosidades presentes no livro:

  • A cidade de Lisboa não foi destruída “apenas” pelo gigantesco terremoto, na verdade ela sofreu um tríplice desastre, foi atingida ao mesmo tempo pelo abalo sísmico, pelos incêndios consequentes da destruição e também por um impiedoso maremoto decorrente do abalo;
  • A Gaiola Pombalina, a famosa rede estrutural criada após o terremoto de Lisboa, e que serve para absorver forças sísmicas sem cair, ainda pode ser encontrada hoje em casas de São Luís do Maranhão, construídas naquela época;
  • O Tsunami gerado pelo terremoto de 1755 atingiu as praias de Tamandaré e Itamaracá, em Pernambuco, matando pelo menos um casal, mas não existe registro dele ter chegado na cidade de Recife, o que é bem estranho;
  • O Imperador Dom Pedro II teria sido o primeiro brasileiro a ter um trabalho impresso na famosa e prestigiosa revista científica “Nature”, e foi justamente um artigo sobre um terremoto sentido por ele em 1886.

A carta de um oficial português que estava no Brasil no dia do tsunami revela que Tamandaré, a 130 km ao sul de Recife, foi uma das áreas mais atingidas.

Com relação ao projeto gráfico, assim como os outros conhecidos da Chiado, temos uma diagramação simples e bem feita. Sendo que nesta obra temos um diferencial, ela é rica em fotos de pessoas, cenários e documentos. O que nos trás aquela sensação de veracidade de um documento histórico. Assim como a diagramação, a capa também é simples, mas bem informativa, nela temos um mapa-múndi destacando o Brasil e Portugal, e entre esses países vemos linhas simbolizando ondas sísmicas.

Este é um livro que indico fortemente para aqueles que gostam de história, principalmente para quem gosta daquelas histórias que nos trazem fatos que os anos esconderam. E também para os que sentem um certo fascínio pelos assuntos sísmicos.

***

Ficha Técnica

Título Tremeu a Europa e o Brasil também
Autor  José Alberto Vivas Veloso
Editora Chiado
Páginas 414
Gênero Ensaio, Documentário
Capa e Projeto Gráfico Haroldo Brito

Tremeu a Europa e o Brasil também

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito bom!

Este é um livro que indico fortemente para aqueles que gostam de história, principalmente para quem gosta daquelas histórias que nos trazem fatos que os anos esconderam. E também para os que sentem um certo fascínio pelos assuntos sísmicos.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de TV. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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3 comentários

  1. A pesar de não fazer meu estilo de leitura, gostei da resenha e parace me sê-lo um bom livro. Parabéns pela resenha também.

  2. O livro deve ser interessante. Se os reflexos aconteceram por aqui, imagino se não existe algum livro “Tremeu a Europa e o Marrocos (ou a África) também”. Parabéns pela resenha!

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