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Resenha | Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços, de J. C. de Toledo Húngaro

Sobre-caçadores-vigaristas-e-banqueiros-suíços-EscrevArte-200x300 Resenha | Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços, de J. C. de Toledo HúngaroTítulo: Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços

Autor: J. C. de Toledo Húngaro

Editora: Kwabb-Fortec

Páginas: 413

Gênero: Romance

Fonte: Cortesia de divulgação

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Sinopse: Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços, o escritor conta tudo àquilo que escutou, ou até que testemunhou entre rodadas de negociações multinacionais, a defesa de clientes contra organizações golpistas transnacionais e as mazelas do chamado Mercado Financeiro Internacional, com uma precisão ímpar, com a prosa inigualável dos grandes ficcionistas do mundo. E conta, ainda mais, como o intrépido Fernando Aranjuarez, um bucaneiro do século XXI, agora mais velho, mais cínico, mais descrente, mais machista e ainda mais irresistível, transita nas águas internacionais, como se apaixona e como honra a amizades e, sobretudo, como busca, defende e esconde suas maiores fortunas. A misteriosa Corporação de Consultores Financeiros Internacionais Interinvest, ocupa escritórios repletos de obras de arte de valor inestimável, em plena Saint James Street, na melhor fatia de Londres. É desde aí que Frederick Von Krauz, senhor de recursos imensuráveis, recebe apenas alguns eleitos, da massa de centenas de investidores espalhados pelo mundo, para conceder a graça de aceitar os seus milhões para suas operações financeiras secretas e pouco ortodoxas, respaldadas por exclusivos bancos suíços e centenária seguradora de Hong Kong. Mas quando um cínico e calejado consultor internacional, ateu de deuses e de homens, é contratado por uma espécie de Shogum rural moderno, para resgatar seu primogênito, vítima do traumatismo pós-golpe, aplicado por quadrilheiros transnacionais, os castelos de cartas marcadas começam a ruir.

RESENHA

João Celso nos apresenta uma obra que se divide em seis livros (ao invés de ser fragmentada somente em capítulos, o autor optou por dividir a história desta maneira, que eu particularmente gostei e achei inovadora). A forma como foi feita a narrativa também me agradou, pois ela se alterna entre os personagens conforme a passagem do tempo e desdobramento dos fatos, o que permite que o leitor tenha a oportunidade de observar a mesma situação sobre diferentes pontos de vista.

No primeiro livro a história começa com a cena da visita de um casal milionário à casa de outro suposto casal milionário e posteriormente é desenvolvida (neste no decorrer dos demais capítulos e no segundo e terceiro livros) em torno do passado do personagem principal Hermann Schiller e sua saga que passa pelo momento citado da cena da visita que finalmente faz um maior sentido. No quarto e quinto livro ocorre uma reviravolta na trama e já no sexto e último livro ela passa a ser narrada por outro personagem principal o Raul de Aranjuez que traz um novo foco à mesma.

Hermann Schiller é transferido do banco que trabalhava em Berlim ao Banco Privado Wrills em Geneve, deixando para trás a antiga vida, sua mulher e filhos, em busca de uma vida melhor na cidade. Lá ele conhece Otto Kranz o Officer de procedimentos do banco, que fica encarregado de treinar o novato para assumir seu lugar, já que o mesmo se aposentará em breve. Durante esse processo de treinamento ambos ficam amigos e Otto transmite tudo o que sabe ao jovem alemão e o apresenta a várias pessoas importantes como Antoine de Vallerien. Nesse meio tempo Schiller se divorcia e casa-se novamente, com a bela ex-garota de programa que conhece em uma de suas viagens a negócio, Manuela Santhiago.

No auge do sucesso profissional e pessoal, Hermann é indiciado injustamente por associação ao crime de atividades ilegais como o de lavagem de capitais oriundos de tráfico de drogas, sequestros e demais crimes envolvendo milícias paramilitares e políticos dos países Venezuela e Colômbia, onde o mesmo tinha clientes envolvidos no esquema. Ele é confinado à Prisão de Champ- Dollon e passa um pouco mais do que quatro anos lá. Quando é libertado expõe ao grupo Otto e filho, Antonie e Manuela, um plano de vingança contra seus inimigos que logo é apoiado, colocado em prática e se é obtido o sucesso esperado.

“[…] reúna todos em Berlim, porque tenho um plano de vingança e um projeto de vida para todos nós.”

A partir dai a história é narrada por Raul de Aranjuez que é normalmente contratado para ajudar otários (adorei a expressão) que sofreram algum tipo de golpe financeiro. Em uma dessas situações de trabalho, os caminhos de Raul e do grupo de Hermann se cruzam. O plano de Hermann e o objetivo de Aranjuez são os pontos altos em que se fica ávido por saber o que vai acontecer.

“Não tenho a menor intenção de aceitar mais clientes para esta representação contra as “organizações” do seu grupo de “trabalho”, mas comprometi todo meu empenho na recuperação das importâncias assumidas pelos clientes já contratados.”.

Antes de fazer a leitura, quando vi a capa e li a contra capa, tive uma ideia completamente diferente da que na realidade foi apresentada. Pensei que seria um livro um pouco chato, extremamente formal, narrando fatos reais sobre a economia e todo escândalo e corrupção envolvidos nesse mercado financeiro. O que não aconteceu. Como João Celso mesmo faz a introdução dizendo: “Esta é uma obra de ficção, baseada em crime financeiro real, ocorrido na década de 1990 […] Vários importantes empresários do Brasil e alhures foram suas vítimas. […] Todos os nomes, instituições e situações atribuídas aos personagens são fictícios. As características e os nomes dos golpes descritos são reais.”. O autor me surpreendeu. Gostei bastante da trama apresentada, me prendeu.

Os pontos que considero que foram negativos são as informações muitas vezes redundantes e alguns capítulos muito longos que tornam o livro um pouco maçante. A capa e o título remetem ao cenário do enredo o que é bacana. Acabei encontrando erros de edição que no final não fizeram diferença em relação a alteração de sentido do texto.

Parabenizo editora e autor pelo resultado final da obra. Recomendo a leitura do livro e convido você que está lendo minha resenha, do ramo da administração, economia ou não, a embarcar nessa história, pois gostando ou não dessa área abordada, Sobre Caçadores, Vigaristas e Banqueiros Suíços é uma obra que merece ser lida por todos.

 

Sobre vigaristas, cambistas e banqueiros suíços

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Sobre Nathalia Freitas

“Por que eu leio? Porque ler me torna alguém melhor. Me faz conhecer alguém que não conheço que são outros eus. Eu leio para encontrar comigo mesmo. Um eu melhor, mais sábio, mais inteligente, com mais senso de humor e por que não, com mais charme. (…)” (Nick Farewell)

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