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Resenha | Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul de Laura Elizia Haubert

sempre-228x300 Resenha | Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul de Laura Elizia Haubert

“Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul” conta a história da perturbada relação entre três mulheres, mãe, filha e irmã. Há muitos anos, Olivia abandonou as duas filhas com sua mãe, e desapareceu. As meninas crescem marcadas por esta lembrança, ao mesmo tempo que lutam para compreender o gesto. Quando adultas reencontram a mãe idosa e doente, que tenta recuperar a relação perdida, porém, nem todas as filhas conseguem a perdoar por seu erro, embora pareçam fadadas a repeti-lo. No decorrer das cartas, notas e bilhetes trocados a vida de cada uma delas ganha contornos próprios, ao mesmo tempo que se mistura com às demais em uma trama, capaz de mostrar o que há de mais humano na vida: mudanças, dor e amor.

RESENHA

Há alguns anos mãe e filha não se veem, não se falam e Olivia parece não ter muito tempo de vida, talvez por isso decide enviar uma carta longa e saudosa para sua filha, Letícia.

A não ser pela falta que a filha lhe faz nesse momento tão crítico, não há muito a ser falado, elas perderam o contato, e tudo o que Olivia quer saber é como anda a vida de Letícia, e talvez, apenas talvez, descobrir como anda Clara, irmã de Letícia.

Antes mesmo da resposta, Olivia escreve a segunda carta, e nela descreve como são seus dias, a rotina entre remédios, quimioterapia, cafés e bolachas e em alguns momentos pequenas lembranças de um tempo que não existe mais.

Quando Letícia consegue responder à mãe, tem algo de frio e prático numa carta onde apenas relata seus dias corridos, em que divide seu tempo em cuidar do filho bebê, da casa e do marido, de modo que não há de maneira alguma, pelo menos por hora, a possibilidade de se deslocar, mesmo que para uma rápida visita.

Ainda que corrido, Letícia tenta encontrar a irmã, e após enviar uma carta, sem saber se Clara receberia, relata tudo o que soube nos últimos dias, e pede para que a irmã consiga tempo,  passe por cima de qualquer ressentimento, e vá fazer uma visita à mãe, e se isso fosse muito, que ao menos viesse visitar a irmã.

Surpresa maior foi a resposta de Clara, que nunca constituiu família, mas que mesmo assim, não poderia sair de onde estava.

A vida é como um quebra-cabeças, e em cada carta enviada uma nova peça chega para completar esse jogo que envolve a vida dessas três mulheres. Dor, ressentimentos, julgamentos e perdão vão sendo expostos com tamanha sutileza que às vezes fica fácil se perder em um tema tão pesado e traumatizante.

Minha opinião: Parece que voltei no tempo!! Cartas!! Meu Deus, sinto que foi há um século que enviei a última carta! Ter, Sempre o mesmo céu sempre o mesmo azul nas mãos foi como entrar numa máquina do tempo e reviver os dias em que esperava ansiosamente pelo carteiro, na esperança de uma resposta que faria o restante do meu mês mais feliz!

Laura Elizia Haubert, através de cartas, bilhetes e notas, trata de um assunto delicado – o abandono – primeiro pelos pais, depois pelos filhos.

Logo no início um sentimento de revolta me tomou,  eu não podia se quer imaginar como duas filhas poderiam abandonar sua mãe num leito de uma clínica, talvez nos seus últimos dias, sem jamais encontrar tempo mesmo que para uma visita rápida.

No entanto, páginas vão virando, cartas vão chegando e tudo vai ficando mais claro, e até é possível entender os motivos pelos quais, duas filhas foram capazes de fazer o que foi feito.

Não há nada mais traumatizante que o abandono sem justificativa, a dor é permanente e capaz de formar feridas incuráveis.

Em Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul, essa dor é relatada através de cartas trocadas entre três pessoas que mesmo se amando, deixaram a vida passar sem que a presença de cada uma fosse importante, e nos leva a pensar nas muitas formas de amar, e por mais difícil que pareça,  nem sempre esse amor é declarado com palavras ou gestos, mas sim no abandono.

Com páginas amarelas, sem erros de português, Laura Elizia Haubert, nos apresenta uma deliciosa leitura, daquelas que você não quer deixar de lado enquanto não ler a última carta, daquelas que te remete ao passado – começando pela capa – sem as tão usadas linguagens tecnológicas das quais somos totalmente viciados atualmente.

Recomendo… cada carta, cada bilhete, cada nota!

Ficha Técnica:

Título Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul
Autora Laura Elizia Haubert
Editora Patuá
Páginas 124
Gênero Romance

Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul

Capa
Arte
Narrativa
Enredo
Personagens
Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Ótimo

Com páginas amarelas, sem erros de português, Laura Elizia Haubert, nos apresenta uma deliciosa leitura, daquelas que você não quer deixar de lado enquanto não ler a última carta, daquelas que te remete ao passado - começando pela capa - sem as tão usadas linguagens tecnológicas das quais somos totalmente viciados atualmente.

Sobre Renata Maiochi

Sou Renata… esposa, filha, amiga, e apaixonada pela vida! Administradora e leitora compulsiva. Livros alimentam meu vício e me fazem uma pessoa diferente a cada contra capa que fecho.

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