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Resenha | Rio: Zona de guerra, de Leo Lopes

Rio-zona-de-guerra Resenha | Rio: Zona de guerra, de Leo LopesEm um futuro próximo, as desigualdades sociais e econômicas chegaram a níveis tão alarmantes que o Estado não tem condições de manter a ordem e garantir a segurança pública.
Todo o poder é concentrado nas mãos de megacorporações multinacionais que criam e impõem as leis por meio de suas milícias particulares, chamadas Polícias Corporativas.
No Rio de Janeiro, a Fronteira, uma muralha intransponível que cerca a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, protege os interesses das megacorporações, relegando os habitantes dos demais bairros a uma vida sem lei em um território dominado pelas gangues.
Tudo pode acontecer quando o assassinato de uma prostituta no edifício de uma megacorporação leva um detetive particular a voltar para a Barra da Tijuca após anos de exílio no que todos se acostumaram chamar de Zona de Guerra.

RESENHA

Rio: Zona de guerra é uma distopia / ficção científica fabulosa! Há muito não lia um livro tão bem construído.

Leo Lopes entrega ao leitor uma história distópica bem elaborada, com os dois lados – dominantes e dominados – muito bem demarcados, com presença maciça de tecnologia e evolução, alinhada à tirania das megacorporações que passaram a ser a personificação da lei. Com cenas de ação eletrizante, um detetive particular linha dura, um (uns) assassinato com uma história muito mal contada, traições e revelações incríveis, a história de Leo Lopes gera uma leitura rápida e ansiosa. É preciso saber o que vem em seguida e o que tudo isso significa.

Um porteiro sonhando conseguir – finalmente – uma promoção, se depara com a queda de uma bela jovem, de vários andares acima no edifício onde trabalha. Suicídio? Tudo indica que sim, mas Vivian, amiga da jovem morta, tem certeza que não e contrata os serviços de Carlos Freitas, um ex-policial exilado há cerca de seis anos na Zona de Guerra – local onde os bandidos e condenados são levados para morrer pelas mãos de gangues violentas. Local considerado “sem lei” para os que vivem dentro dos muros da Fronteira. Lá dentro o mundo é outro. Muitos créditos circulam, tecnologia de ponta ao dispor de quem pode pagar. A casa das megacorporações e suas cabeças pensantes.

Na busca por respostas Freitas leva o leitor para dentro da Fronteira e a partir daí nenhuma página do livro é tranquila.

Um aspecto que achei fascinante na escrita de Leo Lopes é que todo o ambiente distópico não surge de cansativas e longas descrições, o que é muito comum no gênero. A história toda vai acontecendo e os próprios fatos “quotidianos” dos personagens inserem o leitor no ambiente com facilidade e é impossível não se ver lá dentro, tanto do ambiente da Zona de Guerra quanto nos domínio da Fronteira. É clara a capacidade narrativa do autor.

Fica evidente seu talento também na amarração da história, as pontas soltas ao longo da trama fazem clara ligação depois de alguns eventos com outros fios soltos. Além disso tudo faz muito sentido e é palpável. Exceto por pequenos furos do ambiente futurista, tão pequenos que não causam a menor mácula à história, posso dizer que tudo ali soa muito real e pé no chão. Mesmo quando a tecnologia pega a distopia e a transforma numa ficção científica. Mesmo ali, o pé na realidade é perceptível. É de fato um presente quando o autor não duvida da inteligência do leitor e não “joga qualquer coisa” para embasar suas ideias.

Em suma, o livro me encantou profundamente, e espero ansiosa pela continuação. Espero ter a oportunidade de acompanhar mais casos do detetive particular Freitas – que agora já é mais do que isso para os moradores da Zona de Guerra. Recomendo fortemente a leitura!

Ficha técnica

Titulo Rio: Zona de guerra
Autor Leo Lopes
Editora Avec
Páginas 208
Gênero Ficção científica, Distopia

Rio: Zona de guerra

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Leo Lopes entrega ao leitor uma história distópica bem elaborada, com os dois lados - dominantes e dominados - muito bem demarcados, com presença maciça de tecnologia e evolução, alinhada à tirania das megacorporações que passaram a ser a personificação da lei. Com cenas de ação eletrizante, um detetive particular linha dura, um (uns) assassinato com uma história muito mal contada, traições e revelações incríveis, a história de Leo Lopes gera uma leitura rápida e ansiosa. É preciso saber o que vem em seguida e o que tudo isso significa.

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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