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Resenha | Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel Shriver

precisamos-falar-sobre-o-kevin-resenha-livro-203x300 Resenha | Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel ShriverTítulo: Precisamos Falar Sobre o Kevin

Autor: Lionel Shriver

Páginas: 464

Editora: Intrínseca

Gênero: Terror psicológico

Skoob

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Sinopse (Skoob): Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados e nos olhares sociais tortos.

RESENHA

Lembro que ri a primeira vez que vi esse filme “Precisamos falar sobre o Kevin” na prateleira da locadora. Achei divertido, mas não me interessei em saber do que se tratava. Dias depois, um amigo me indicou o livro e o coloquei na lista de desejos, sem grandes intenções. Foi só três meses depois, quando o ganhei de presente de natal, que pude ler a obra escrita por Lionel Shriver.

Bem, vamos ao enredo. Precisamos falar sobre o Kevin não é um livro de comédia com um título cômico que remete a alguma piada. Totalmente diferente disso, é um romance dramático. A história é toda escrita em formato de cartas em que Eva Katchadourian conversa com o marido, Frank, onde cria diversas especulações sobre o que pode ter levado o primogênito dos dois, Kevin, a cometer uma chacina na escola.

O thriler psicanalítico, começa desde os tempos em que Eva conheceu o marido, passando por todo sofrimento que passou na gravidez, pelo fato de não querer ser mãe. Até os primeiros anos do pequeno Kevin, que desde cedo atormentou  vida de Eva. Dividido em ordem cronológica, há inserts do presente, onde a mãe visita o filho em um centro de internação para menores.

O romance mostra, de maneira explícita, uma coisa que uma professora já me dissera em época de escola: Todas as nossas escolhas na vida atingem somente uma pessoa além de nós mesmos, nossas mães. A realidade de Eva é um inferno em terra. Fugindo das mães das pessoas que o filho matou e não conseguindo emprego em lugar nenhum, sempre sendo lembrada como a mãe do garoto que assassinou nove pessoas, Eva pouco a pouco se deixa sucumbir, aceitando a parcela de responsabilidade que atribuem a ela.

Confesso que sempre que leio um livro sabendo que ele foi adaptado para o cinema, imagino as cenas que mais mexem comigo sendo reproduzidas. Acontece que quase nunca elas saem como eu gostaria. Com Precisamos Falar o Kevin, não foi diferente. Apesar da atuação magnífica de Ezra Miller e Tilda Swinton, o filme deixa a desejar em algumas cenas que foram cortadas ou substituídas. A ideia é ler o livro. Nada será melhor que ele.

Posso dizer, com segurança, que Precisamos Falar Sobre o Kevin é um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Lionel Shriver, que aliás é uma excelente escritora, consegue nos fazer chorar, rir, sentir pena, desaprovação e calafrios por todo corpo em 464 páginas. Criei uma relação de amor e ódio com Kevin, um personagem totalmente atípico e peculiar. Tentar compreendê-lo e descobrir o motivo que o levou a cometer tais atos não é tão simples assim, como Eva logo percebe.

O livro fala ainda sobre casamento e carreira, maternidade e família, sinceridade e alienação.  Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série e ‘pitboys‘. Além de erguer uma questão tabu: É realmente possível odiarmos nossos filhos?

Durante toda a trama, percebe-se que Frank, marido de Eva, a tentou convencer de que ter um filho seria uma boa ideia, ainda que soubesse de sua recusa e da paixão que sentia pelo trabalho. Não acreditou também que o pequeno fosse realmente um monstro, mesmo com todas as evidências. Foi também, distante, estando com Kevin apenas em alguns momentos e deixando a criação dele por conta da mãe.

A princípio, pode-se encontrar algumas dificuldades em dar continuidade à leitura e o filme começa de maneira monótona, mas seguir em frente é a melhor opção. Já que este é um dos livros/ filmes que não podem escapar da sua lista. Precisamos Falar sobre o Kevin é complexo e espantosamente magnífico.

Sobre Gabriela Bandeira

Jornalista mineira, totalmente apaixonada por literatura nacional e internacional. Autora do livro-reportagem Singularidades - Um olhar sobre o Autismo.

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Um comentário

  1. Tenho muita vontade de ler o livro apesar de me assustar um pouco com o tema, imagino que seja uma leitura muito reflexiva porém muito pesada. Não sabia que o livro é escrito em formato de cartas, não sei se gostei mas nunca li um livro assim.

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