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Resenha | Pompeia, de Mary Beard

Pompeia-EscrevArte-Blog-201x300 Resenha | Pompeia, de Mary BeardTítulo: Pompeia – A vida de uma cidade romana

Autora: Mary Beard

Editora: Record

Páginas: 420

Gênero: Documentário

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) O livro que reúne tudo o que é preciso para que o leitor se sinta guiado ao longo de uma viagem pelas ruas e casas da verdadeira Pompeia. Durante muito tempo, Pompeia foi uma próspera cidade do Império Romano, até ser devastada, em 79 d. C., por uma das maiores erupções do Vesúvio de que se tem notícia. Ao longo dos anos que se seguiram, e ainda hoje, questões sobre seus habitantes e o estilo de vida que levavam até o fatídico dia em que a cidade sucumbiu à fúria do vulcão povoam a mente de estudiosos e leigos. Este poderia ser apenas mais um livro sobre os principais achados arqueológicos do local e, ainda assim, certamente despertaria o interesse de muitos. No entanto, aqui, a especialista em classicismo Mary Beard vai além das questões mais corriqueiras, aprofunda-se em detalhes muitas vezes negligenciados, questiona posições já consagradas por arqueólogos de diversas épocas e desmistifica inúmeros fatos relacionados ao cotidiano daquela população. Com centenas de ilustrações, mapas, plantas baixas e fotografias, este livro conduz o leitor a um mergulho no dia a dia da cidade, em uma viagem pelas ruas e casas desta cidade romana.

RESENHA

“Um documentário muito interessante!” (Pedro Moraes).

Tenho lido muito sobre a história de Pompeia (Pompeii em latim)… Porém, todos os estudos e documentos que vejo convergem sempre para duas versões… A cidade movimentada e vibrante do grande império romano e as ruínas fascinantes que restaram como que uma foto ou quadro congelado da vida antiga.

A autora Mary Beard apresenta uma nova perspectiva na sua obra “Pompeia – A vida de uma cidade romana” à procura da verdade (verdade-verdadeira!) nas escavações e desenterra algumas joias raras e enigmas inesperados, tornando-se assim uma excelente guia para o mundo antigo, levando-nos de volta no tempo com seu estilo de narrativa fácil e percepção para peculiaridades clássicas, mostrando que o modo como as pessoas da cidade viveram é tão interessante quanto a forma que morreram.

Desde o início das escavações em meados do século 18, muito se tem estudado e debatido e caminhar por ruas de 2.000 anos de idade de maneira nenhuma mostra toda a realidade do seu passado.

Se você aprofundar nesta matéria, terá uma opinião muito diferente! A começar pela data geralmente aceita do cataclismo – 25 e 26 de agosto de 79 DC… Beard afirma que muitas vítimas usavam roupas de lã! E a descoberta de frutos outonais e uma moeda que só foi cunhada depois de setembro, sugerem outra data.

Além disso, muitas casas foram reformadas ou reconstruídas, quer pelos métodos grosseiros utilizados pelos primeiros escavadores ou por causa dos grandes danos causados por bombardeios aliados em 1.943, na segunda grande guerra.

Outro detalhe fica por conta dos cadáveres de Pompeia (pouco mais de 1.100 encontrados até hoje): há mulheres prestes a dar à luz, animais presos à sua coleira, escravos ainda com correntes nos tornozelos, adultos e crianças nas mais variadas posições e famílias inteiras abatidas pelos fluxos piroclásticos do Vesúvio.

Beard estima que cerca de 2.000 morreram no desastre, uma proporção pequena para uma população de mais de 20.000 habitantes! A maioria tinha fugido e carregado seus bens e móveis em carroças aos primeiros sinais de atividade vulcânica. Os que ficaram eram doentes, estavam acorrentados ou convencidos que suas casas iriam protegê-los.

Há evidências até de que alguns voltaram em meio aos destroços para recuperar seus bens ou até para roubar objetos de valor. Em particular uma mensagem rabiscada em uma parede de uma casa, informando ao seus companheiros que “esta já foi feita”. Além disso, muitas pedras e materiais certamente foram reutilizadas pelos habitantes da redondeza séculos depois, descaracterizando parte das construções.

Não poderia faltar nesta obra, histórias pessoais e cotidianas que trazem Pompeia mais perto de nós… Evidências de cárie dentária, mau hálito, prostíbulos e pinturas eróticas, anfiteatros sem um único banheiro, banhos em piscinas imundas e um tal “molho de peixe” que deveria ser horrível ao paladar atual (rs).

O livro da Mary Beard é excepcional! Com dezenas de ilustrações, fotografias, mapas e plantas baixas somos transportados para o dia a dia de seus habitantes, em uma viagem por ruas e casas desta cidade romana.

Faço apenas a ressalva de que todas as fotografias apresentadas deveriam ser coloridas! Em preto e branco perdem muito e não ajudam a nossa mente reviver esta história.

Sobre o trabalho gráfico da Editora Record, as 420 folhas amarelas facilitam e dão fluidez à leitura. A capa é ótima e acompanha o estilo original!

 

Sobre Pedro Moraes

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