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Resenha | Os Doze Guardiões da Luz – Através da Neblina, de Luiz Henrique Batista

Os-Doze-Guardiões-Blog-EscrevArte-200x300 Resenha | Os Doze Guardiões da Luz - Através da Neblina, de Luiz Henrique BatistaTítulo: Os Doze Guardiões da Luz

Trilogia: Os Doze Guardiões da Luz – Através da Neblina – Livro 2

Autor: Luiz Henrique Batista

Editora: Coerência

Páginas: 721

Gênero: Fantasia épica

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) O retorno de Leão ao trono do oeste abalou a calmaria que por anos tomou conta do Triângulo do Sul. Mais do que isso, colocou os países vizinhos em alerta, à espera do momento em que eles ouvirão o leão dourado rugir.
Um ano e meio após a batalha por Rastaban, os Guardiões remanescentes recebem a notícia de que o inimigo está se movendo nas terras além da fronteira, ameaçando romper a barreira que protege os Três Reinos. Assim, Aquário e Libra atendem ao chamado das armas e partem rumo ao leste, liderando a resposta da Luz ao avanço da Escuridão. Mal sabem elas que estão sendo atraídas para uma armadilha: um inimigo aparentemente invencível está em seu encalço, determinado a destruí-las.

RESENHA

Magnífico! Assim resumo esta obra. Uma aventura épica extraordinária, muito bem narrada, cheia de elementos e acontecimentos que se entrelaçam muito bem e levam o leitor a uma viagem única!

A nova batalha que os guardiões precisam enfrentar começa quando percebem que a barreira que protegia o avanço da escuridão sobre os Três Reinos estava ruindo. Sem esta barreira a Luz estaria à mercê da Escuridão. Porém a queda da barreira era somente um pretexto para perigos ainda maiores. Nenhum dos guardiões poderia imaginar quanto perigo iriam enfrentar. O inimigo quer destruí-los e conta com muita força, muita estratégia e muitos aliados para tal. Neste segundo volume os doze guardiões – que representam os doze signos do zodíaco – são impelidos a descobrir os seus limites, suas forças e suas fraquezas, se enfrentam, lutam, sorriem, sofrem e se desenvolvem.

Diversos pontos me chamaram a atenção nesta obra e começo pela personalidade dos Guardiões. Em geral somos apresentados a mocinhos e vilões. As variações se prendem tão somente a um vilão que vez ou outra tem um rompante de bondade ou um mocinho que num dado momento surta e dá ares de maldade. Mas os papéis são muito bem demarcados. Aqui é um pouco diferente. Sabemos que o Guardiões são os “mocinhos” da história pela própria natureza de suas funções. Mas isso não quer dizer que sempre possuem atitudes corretas ou louváveis. Inconstantes? De forma alguma. Humanos. Eu ainda não havia me deparado com personagens que conseguissem ser, ao mesmo tempo, extremamente mágicos e extremamente humanos como nesta história.

As personalidades deles são bem demarcadas e me arrisco a dizer que se parecem um tanto com os perfis que lemos por aí acerca das diferenças entre os signos. Independente de crença, muita gente admite que o perfil desenhado para cada signo se casa muito bem com o jeito de ser tanto seu quanto das pessoas com quem convive. Pois bem. Se cada Guardião carrega características do signo que representa, o autor fui muito feliz na montagem de suas atitudes e personalidades. Embora todos sejam igualmente destemidos, cada um é um, são incrivelmente diferentes entre si.

Ahh, em se tratando das personalidades, um elogio à parte para a facilidade do autor em descrever diálogos com sarcasmo! Os guardiões se alfinetam o tempo todo e isto dá um ar cômico a algumas cenas e traz leveza para descrições e situações tensas. Ri várias vezes com estes diálogos.

– Com frio? – perguntou Escorpião, quando Aquário esfregou os braços com as mãos. – Pode se abraçar em mim, se quiser.

– Não, obrigada – riu ela. Prefiro morrer congelada.

– Ora, vamos lá – disse ele, recostando-se à parede e colocando o chapéu sobre a perna. Estamos viajando há um bom tempo, até passamos por apuros juntos. Com certeza há alguma coisa no ar.

– Sim, a sua voz. Gostaria que ela desaparecesse.

Outro aspecto bastante cativante na obra são as descrições. O autor detalha com riqueza de detalhes locais, pessoas, roupas, construções, enfim… Tudo é transmitido ao leitor de uma forma tão detalhada e ao mesmo tempo tão fluída que nos transporta para aquele mundo medieval com facilidade, como se já tivéssemos vivido em locais parecidos. Chega a soar familiar… É incrível.

Falando em descrições do ambiente, posso dizer que há um leve toque de Dieselpunk* quando o autor retrata aeronaves… eu gostei demais da inserção e ela foi feita com muito critério, casando-se muito bem com a história medieval de castelos, guerras de espadas e flechas, castelos, reis, rainhas e magia. Há também o uso da pólvora. Armas de fogo fazem uma diferença muito grande numa batalha! Estas “misturas” ficaram bem feitas e nada soou forçado ou fora de contexto.

Saliento também o amor, o desejo e a paixão entrelaçados às batalhas, armadilhas e conflitos pessoais da trama. Algumas cenas deixam o coração palpitando e nem sempre o desfecho é o esperado. É aquela sensação incômoda daquilo que não pode, nunca, ser como se gostaria que fosse. A sensação de quem tem de calar um sentimento porque simplesmente não há o que fazer. Dói. Mas ao mesmo tempo há amor correspondido, daqueles que acalentam a alma… ufa!

As armadilhas e traições estão por toda parte e prefiro não citá-las, por receio de soltar spoilers indesejados. Mas posso dizer que é complicado confiar na própria sombra em Através da Neblina

Bom, para encerrar, queria dizer que finalmente me senti feliz com a atitude de um canceriano (meu signo). Finalmente um canceriano forte, sério, um tanto de mal com o mundo, corajoso! Em geral, somos retratados como chorões, fracos e mimados! Mas finalmente nestas páginas a coisa soa um pouco diferente. (Embora eu desconfie que toda esta força vá mudar no terceiro volume… não sei não… (risos)).

A edição da Coerência está excelente. Páginas em papel Pólen, fonte e margens boas para leitura agradável e não encontrei erros de revisão. A única ressalva que eu faço é quanto à capa que, por conta do peso do livro, acabou por começar a soltar a proteção plástica durante o manuseio de leitura. :/  Sugiro aos leitores que tomem MUITO cuidado ao segurar e apoiar o livro.

Gente, recomendo muito este livro! Gostaria de verdade que todos pudessem lê-lo! Fica a dica! 😉

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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