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Resenha | O Terceiro Testamento, de Christopher Galt

o-terceiro-testamento-224x300 Resenha | O Terceiro Testamento, de Christopher GaltO mundo parece estar enlouquecendo!

Em toda parte, as pessoas começam a ter visões. Um adolescente francês assiste Joana D’Arc ser queimada na fogueira, e até tenta tirar uma foto com o celular, e a presidente dos Estados Unidos tem visões de seus antecessores dentro da Casa Branca. Ninguém sabe se essas misteriosas aparições são uma espécie de alucinação coletiva, uma doença virótica causada por bioterrorismo ou se são sinais do Apocalipse. Ocorrem suicídios em massa em várias partes do mundo, e o psiquiatra e neurocientista John Macbeth, à frente de um projeto para criar uma inteligência artificial autônoma, busca freneticamente uma resposta antes que seja tarde demais. Ele descobre que a verdade por trás de tudo pode mudar os rumos da humanidade para sempre. E até custar a sua vida. Uma história eletrizante que o fará questionar sua perspectiva da realidade. E até mesmo a sua sanidade.

Resenha

O Terceiro Testamento é um thriller apocalíptico de ficção científica, que nos envolve em uma intrigante mistura de Matrix, Black Mirror e um pouco de Além da Imaginação.

Nesta obra ímpar, vemos o psiquiatra e neurocientista John Macbeth voltar à Boston, sua cidade natal, para uma reunião de trabalho. Macbeth é um dos responsáveis pelo Projeto Um da Universidade de Copenhague, Dinamarca, um complexo projeto que tem por objetivo desenvolver uma mente artificial onde distúrbios possam ser simulados e compreendidos na esfera virtual e, em decorrência desse entendimento, tratados no mundo real. Ao chegar na cidade, ele começa a perceber que as pessoas parecem conhecê-lo de algum lugar, mas não lembram de onde. E, se as coisas já estavam estranhas, o mundo parece começar a enlouquecer de uma hora para outra. Em toda parte, as pessoas têm alucinações vívidas e, em alguns casos, até mesmo lúcidas. Ninguém sabe se são apenas uma alucinação coletiva, se são um vírus de um ataque bioterrorista ou se são até mesmo sinais do apocalipse bíblico.

A coisa mais fácil do mundo é enganar os sentidos e induzir a mente a aceitar como verdade o que é falso.

Apesar de termos Macbeth como personagem mais frequente na narrativa, o autor abusa na inserção de pontos de vista diversos, com isso vemos vários personagens desfilarem suas estranhas visões pelas páginas do livro, inclusive o próprio Macbeth. Entre todas elas, duas dessas visões me chamaram bastante a atenção:

  • A de um garoto de Frísia (uma província holandesa) transportado para a época medieval onde ele presencia um ataque Vinking ao povoado local. Durante esse ataque, ele assiste e vivencia a fúria dos lendários e ferozes Berserkers, guerreiros loucos e sanguinários conhecidos por despertar uma fúria extremamente incontrolável antes de qualquer batalha.
  • A outra é a visão de uma menina chinesa da província de Gansu, local onde os chineses possuem olhos e cabelos claros, e acreditam serem descendentes de uma legião romana que se perdeu há cerca de 2 mil anos durante uma guerra. Na alucinação ela avista uma criatura que ela acredita estar presente apenas em contos de fadas, um aterrorizante monstro gigante híbrido de lobo com tigre com cascos de bode, o lendário Tiangou.

O livro é repleto de referências científicas, psicológicas, históricas, realidade virtual, física quântica, computação e até mesmo filosofia. Então, muitas vezes é necessário paciência para ler e entender estas referências. Até porque, apesar dos capítulos curtos, encontramos descrições extensas e teorias científicas realmente complexas, que por mais que sejam explicadas de forma simples, podem nos fazer perder um certo tempo até compreende-las bem. Então, se você não é um leitor conhecedor de determinados termos e conceitos presentes no livro, mas gosta do gênero, não se desespere, o aprendizado vale a pena. Agora, se você simplesmente não gosta do gênero, nem tente, realmente é pesado.

Além de aprender certas coisas que até então desconhecia, o que mais me agradou foram as críticas a sociedade moderna, ao fanatismo religioso e a ciência que estão presentes em boa parte do livro, pois tornam a leitura ainda mais intrigante e interessante. Tudo isso passado para o leitor de forma leve e fluida, apesar da complexidade do tema e dos conceitos um pouco absurdos. Ah, e que final de livro, minha gente? No melhor estilo sci-fi de explodir cérebros! 😉

Quer você tenha se devotado a busca da verdade em nome de Deus ou da Ciência, o perigo sempre foi a possibilidade de encontrar. Sinto muito, sinto muito mesmo. Você a encontrou. Encontrou a verdade que esperava para ser descoberta.

– Extraído de Fantasmas Que Nós mesmos Criamos, de John Astor

Com relação ao projeto gráfico, a capa chama a atenção com uma espiral com números, pessoas e retas que se cruzam por todo lado. É algo que não parece combinar com o título, que nos faz pensar em alguma coisa puxando para temas religiosos. Mas na verdade tem tudo a ver, pois no decorrer da trama nos sentimos envolvidos em uma espiral de sentidos e informações. Pois, os personagens mergulham em temas como filosofia, física quântica, inteligência artificial, transtornos psiquiátricos e, também, fanatismo religioso. Já com relação a diagramação, ela é simples e eficaz, e também não encontrei erros na revisão.

Então, para os que gostam de narrativas complexas, roteiros intrincados, conceitos absurdos (mas que estão ligados a conceitos científicos reais), temos aqui um livro que vale muito a pena. Uma sci-fi de primeira, um thriller apocalíptico envolvente que, mesmo após a leitura, ainda te incomodará por um bom tempo.

E se eu existir apenas na cabeça de vocês?

***

Ficha Técnica

Título O Terceiro Testamento
Autor Christopher Galt (Craig Russell)
Título Original The Third Testament
Editora Jangada
Páginas 416
Gênero Ficção Científica, Ação e Suspense
Tradução Gilson César Cardoso de Souza

O Terceiro Testamento

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Para os que gostam de narrativas complexas, roteiros intrincados, conceitos absurdos mas que estão ligados a conceitos científicos reais, temos aqui um livro que vale muito a pena. Uma sci-fi de primeira, um thriller apocalíptico envolvente que, mesmo após a leitura, ainda te incomodará por um bom tempo.

Sobre Cleson Cruz

Foto de perfil de Cleson Cruz
Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de TV. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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