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Resenha | O Quinto Evangelho, de Ian Caldwell

O-Quinto-Evangelho-Blog-EscrevArte-300x300 Resenha | O Quinto Evangelho, de Ian CaldwellTítulo: O Quinto Evangelho

Autor: Ian Caldwell

Editora: Record

Páginas: 560

Gênero: Thriller Investigativo

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Uma trama eletrizante sobre uma verdade que pode abalar o futuro da igreja. Nos últimos meses do pontificado de João Paulo II, uma misteriosa exposição é montada nos Museus do Vaticano. Seu curador, Ugo Nogara, alega ter descoberto um grande segredo sobre o Sudário de Turim, porém, uma semana antes da abertura da polêmica mostra, ele é encontrado morto nos jardins da residência de verão do papa. Na mesma noite, a casa dos padres Alex e Simon Andreou, amigos de Ugo e seus ajudantes na exposição, é invadida por um estranho. A polícia não consegue encontrar um suspeito, e Alex inicia sua própria investigação. Para encontrar o culpado, ele precisa descobrir o segredo mantido por Ugo a qualquer custo. Mas, à medida que começa a compreender a verdade, ele percebe que suas ações podem trazer consequências imprevisíveis para o futuro da Igreja Católica.

RESENHA

Uma leitura deliciosa!

Ian Caldwell (O Enigma do Quatro, 2004) depois de dez anos de pesquisa, apresenta uma obra intrigante da teologia complexa, costurando entre um texto perdido para a história (O Diatessarão, de autoria de Taciano, um dos primeiros cristãos), o Sudário de Turim (que supostamente envolveu o corpo de Jesus após sua morte) e os meandros da política do Vaticano.

Num estilo cadenciado e por vezes um pouco jornalístico, o autor segura na mão do leitor e leva-o pela história religiosa e mais concretamente pelas semelhanças e diferenças entre as Igrejas Católicas Cristã e Ortodoxa, sem esquecer uma detalhada análise da história dos evangelhos e do Santo Sudário. O componente policial é o motivo para que o leitor ainda tenha algumas noções sobre o direito canônico.

A história é sobre dois irmãos, Simon e Alex Andreou. Ambos padres católicos vivendo no Vaticano. Alex é um católico grego e conforme permitido pela sua fé oriental, casou-se com Mona e tem um filho pequeno, enquanto que Simon é um católico romano que ocupa o cargo de secretário de Estado – um padre-diplomata.

Como seu falecido pai, os irmãos anseiam por uma reconciliação da Igreja oriental com o Vaticano separados desde os acontecimentos sangrentos no ano de 1024.

A narrativa começa com um telefonema…

Simon, que estava à trabalho no exterior, volta para casa e liga para Alex precisando de sua ajuda. Ao ouvir o pânico na voz de seu irmão, Alex o encontra em Castel Gandolfo. Ele está agachado sobre o cadáver de Ugo Nogara, seu amigo e curador de uma importante exposição sobre o Sudário de Turim no Museu do Vaticano e que está prevista para se iniciar em poucos dias. Ugo foi baleado. A polícia é chamada e uma investigação começa, mas não é uma investigação comum. Simon é preso sob suspeita do assassinato de seu amigo e o julgamento está marcado para ocorrer em um tribunal da Igreja Católica no Vaticano… Não em um tribunal da Justiça Comum! O processo de julgamento é muito diferente e Alex, frustrado com o que vê e querendo que a justiça seja feita – tanto para seu irmão quanto para seu amigo Ugo – toma o assunto em suas próprias mãos e inicia uma investigação.

O projeto da exposição de Ugo é controverso e é óbvio que alguém o matou por causa de suas descobertas no decurso da preparação sua obra. Ele passou dois anos pesquisando as origens e autenticidade do Sudário de Turim na tentativa de explicar de onde ele realmente veio, se é verdadeiro ou falso conforme mostrou a datação de carbono realizada na década de 1980.

Durante o curso de sua pesquisa, Ugo tinha encontrado um manuscrito antigo chamado de Diatessarão que é uma combinação dos outros quatro Evangelhos, em uma tentativa de fazer sentido às diferenças entre eles. Ugo trabalha duro para desvendar a verdade por trás do Sudário e vasculha o Diatessarão em busca de pistas. O que ele encontra tem o potencial de balançar o próprio fundamento da Igreja Católica!

E alguém quer claramente ele silenciado antes que revele ao mundo sua descoberta!

Alex é forçado aos seus limites tentando encontrar as provas que precisa. Triste pela morte de seu amigo e determinado a provar que seu irmão é inocente, ele tem que deixar de lado seu próprio coração quebrado e chegar à verdade antes que seja tarde demais. Nos desdobramentos de suas pesquisas, descobre que também se tornou um dos perseguidos e pode ser morto!

O livro apresenta interessantes debates teológicos, principalmente aqueles fundamentados nos evangelhos do Novo Testamento (com referências de versículos aos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João) e da suposta inconsistência entre eles.

Lembra o autor Dan Brow? Sim… Mas se você gosta de ficção e valoriza textos bem escritos vai gostar desta obra. Ela merece ser tão bem sucedida quanto o trabalho anterior de Caldwell. Um trabalho brilhante e altamente recomendado!

Como sempre, a publicação da editora Record é perfeita e caprichada. São 558 folhas amarelas muito bem revisadas que são lidas de um fôlego só!

 

Sobre Pedro Moraes

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