Início / Resenhas / Literatura Nacional / Resenha | O Mensageiro – a Pedra, de Anderson M. Braga

Resenha | O Mensageiro – a Pedra, de Anderson M. Braga

o_mensageiro_fnl_300dpi-191x300 Resenha | O Mensageiro - a Pedra, de Anderson M. BragaTítulo: O Mensageiro

Série: O Mensageiro Volume 1 – A Pedra

Autor: Anderson M. Braga

Editora: Chiado

Páginas: 230

Skoob

Compre aqui

Sinopse: Neste livro a emoção é trabalhada em algumas de suas expressões mais singelas, porém, todas legítimas e intensas. Usando com inteligência as metáforas, em prosa ocasionalmente poética e poesia de vez em quando prosaica, o autor discorre seu texto de forma às vezes engraçada; outras com ironia e um humor refinado; algumas conduzindo o leitor a profundas reflexões, mas sempre mostrando uma realidade que nunca leva à indiferença.
Questionado sobre como vê o referido livro, o autor responde: “considero este livro como fragmentos de um grande asteroide burilados nas camadas da atmosfera do meu mundo e que desabaram sobre mim como uma chuva incandescente e torrencial, despertando-me outros sentidos, levando-me a novas experiências, em outros níveis de consciência e de realidade”.
Em passagens marcantes de sua vida, faz uma viagem ao seu passado relembrando momentos como o de um Natal que mudou sua história, a lição moral vinda no local e de alguém inimagináveis, o medo que sentiu ao entrar na igreja escura, além de mostrar o quanto sua imaginação é fértil e como é importante seguir sorrindo.
O objetivo do livro, apesar de estar impregnado de emoções legítimas e intensas, próprias das lágrimas e das risadas libertadoras exaladas durante a escrita, não é falar da vida do autor, mas, sim, de atuar como sendo um chamado à RESPONSABILIDADE que se dá pela ótica das diversas fases pelas quais passou: sua infância, adolescência, a que atravessa ao escrevê-lo e a que se projeta no tempo relativo. É um confronto de parte do que se propaga nas famílias, na sociedade e nas religiões, por herança de tempos remotos, com algumas consequências nas personalidades que são formadas a todo instante.
O livro se deu através de um mergulho em águas profundas, quando fez uma autoanálise capaz de levar o leitor a olhar para dentro de si próprio pela mensagem de valorização que trás daqueles que, com garra e determinação diante das circunstâncias e desafios que enfrentam no dia a dia, mantêm-se firmes para vencerem as dificuldades em busca de algo melhor sem nunca desistirem da vida.
Aproveite este convite de olhar para o outro e autodescobrir-se.

RESENHA

Aos quatro anos Anderson vive com sua família em um bairro pobre, numa situação bem complicada. Filho de uma mãe que luta bravamente para ter o que pôr na mesa para os filhos e  de um pai alcoólatra que vive o sonho de um dia ainda conseguir “chegar lá”, não tem muito mais que um ratinho feito de jiló para poder brincar enquanto  passa as horas das tardes na espera pela mãe que trabalha no bar que fica no quintal da própria casa, aguentando todo tipo de gente, apenas para que possa ficar com os filhos enquanto trabalha.

A mãe era uma mulher muito religiosa, temente a Deus, e da maneira como podia, cuidava de seus filhos…

E Anderson era uma criança criativa, e no auge de sua criatividade e da raiva, lhe surgiu a ideia de fazer uma armadilha, analisou todos os ângulos e as possibilidades de dar certo, e com muito esforço, cavou um buraco bem grande, encheu de entulho e vidros quebrados, tapou com folhas e ficou ansiosamente esperando que os bêbados que frequentavam o bar caíssem no buraco, e quem sabe assim, deixassem seu pai em paz, para que ele finalmente parasse de beber. Armadilha que não deu muito certo, foi descoberta antes mesmo que alguém pudesse chegar perto, causando em Anderson uma frustração e um trauma que o acompanhou pelo resto da vida… sua  tia a descobriu,  e  disse  a Anderson que ele não valia nada. Aquilo causou uma marca, e algumas vezes quando as coisas não davam certo, a lembrança de que talvez realmente não valesse nada gritava em seu sub consciente, como algo que estivesse ali, só esperando o momento certo para lembrá-lo de que talvez realmente não valesse nada.

Às vezes o pai trabalhava ( não no bar, lá apenas consumia) como motorista, e nesses tempos, a esperança voltava para dentro daquele coraçãozinho que amava o pai.

Mas mesmo depois de tanta oração feita pela mãe e muita paciência, ela cansou de promessas nunca cumpridas, e foi embora sem olhar para  trás, sem arrependimento, levando consigo seus filhos.

Anderson nunca esqueceu o pai, e vez ou outra, montado em sua bicicleta, atravessava uma parte da cidade para poder visitá-lo, ver como estava e nem sempre o que encontrava o agradava.

E foi numa dessas visitas que algo mudou, Anderson ( agora adolescente) sentiu que era chegada a hora, que muito havia para ser feito, e que dependia dele seguir o mesmo caminho que o pai, ou correr atrás de um sonho possível.

De repente a pedra foi lançada, e só Anderson sabia onde queria que ela caísse. Agora Anderson tinha um sonho e munido de sua arma – sua caneta –  iria correr atrás dele custe o que custasse.

Minha opinião: Sempre que pego um livro, acho que de alguma forma encontrarei algo que me fará subir mais um degrau na escada de minha vida.  Em O Mensageiro –  A Pedra, encontrei um livro tão repleto de lições que por vezes me emocionei, entrei na vida de Anderson, e vivi com ele todos aqueles momentos de angústia,  tristeza pelo vício do pai, tristeza pelo sofrimento da mãe, pela pobreza,  alegria por poder compartilhar que existem pessoas que têm uma  fé  inabalável, entre tantas coisas que com certeza me perderia no misto de emoções encontradas no livro. Embora tudo o que citei acima já seja válido para ler esse livro, existem ainda algumas mensagens que a mim chamaram a atenção, como exemplo luta e superação, contudo gratidão foi a que mais me deixou emocionada.

Sempre achei interessante autobiografia, acho que histórias de sucesso são inspiradoras, mas quando pensamos em sucesso, o que logo nos vem à cabeça é o profissional realizado e com sua conta bancária recheada de muito dinheirinho.  Porém,  Anderson M. Braga nos apresenta através do livro, página pós página uma nova maneira de enxergarmos o sucesso, aquele que vence pelo simples fato de lutar e ter a coragem de correr atrás dos seus objetivos.

Com uma diagramação perfeita, páginas em off White, fonte de um bom tamanho e sem erros de português, além de alguns poemas,  encontraremos 228 páginas deliciosas de ler, tão fácil e tão fluída que quando vi o livro já tinha acabado, e cá estou eu esperando pelo  próximo, para poder acompanhar a realização do sonho de Anderson.

Com um final lindíssimo e emocionante, O Mensageiro – A Pedra, é um livro que vale e muito a pena ler.

“Quanto mais para o céu eu olhava,

Mais para o céu eu queria olhar;

Quanto mais para o céu eu queria olhar,

Menos me importavam os buracos

E as pedras do caminho,

E eu não queria para o céu parar de olhar…”

O Mensageiro

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito bom!

Sobre Renata Maiochi

Sou Renata… esposa, filha, amiga, e apaixonada pela vida! Administradora e leitora compulsiva. Livros alimentam meu vício e me fazem uma pessoa diferente a cada contra capa que fecho.

Veja Também

Resenha | No reino das girafas, de Jacqueline Farid

Uma mulher enfrenta o desejo da separação do companheiro e as dúvidas desencadeadas pelo desejo, …

Resenha | As altas montanhas de Portugal, de Yann Martel

Três jornadas, três corações partidos e uma pergunta: O que é uma vida sem histórias? …

Resenha | Tremeu a Europa e o Brasil também, de José Alberto Vivas Veloso

O chão parece desmanchar e ao redor tudo balança, objetos caem e o som vindo …

Deixe uma resposta

Loading Disqus Comments ...
Loading Facebook Comments ...
Pular para a barra de ferramentas