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Resenha | A Noiva Devota, de Mari Scotti

A-noiva-devota-capa-Amazon-199x300 Resenha | A Noiva Devota, de Mari ScottiTítulo: A Noiva Devota

Série: Família Hallinson – Livro 2

Autora: Mari Scotti

Páginas: 248

Gênero: Romance de Época

Fonte: Ebook cortesia da autora

Skoob

Sinopse (Skoob): Nascer um Hallinson jamais foi tão promissor como em sua geração, no entanto, carregar esse sobrenome era ao mesmo tempo uma dádiva e uma maldição para os herdeiros do amor lendário de Mical e Octávio. Tudo porque Madascocia tornou-se a cidade do casal que venceu uma maldição. Muitos curiosos passaram a visitá-la em busca de felicidade, amor eterno, casamentos duradouros e a solução para seus dilemas. Além das inúmeras superstições como passar pela sombra de um Hallinson; lançar cartas ao rio Llyin que corta a Mansão de Bousquet; as donzelas e matriarcas almejavam matrimônio com um dos jovens herdeiros.
Tentando adiar ao máximo esse desfecho, Samuel prolongou os estudos, mas, a saudade de uma donzela o faz retornar para casa antes do previsto.
É em um baile que todos os seus planos de a cortejar ruem. Flagrado em uma situação comprometedora, vê-se obrigado a se casar.

Ela sempre soube como se esconder da sociedade, como passar desapercebida entre as pessoas e não chamar atenção. Não que fosse complicado, ela era a mais nova das filhas, a menos formosa de sua casa. A que nasceu com uma ofensiva deficiência. Por acreditar que jamais seria notada, Rosalina guardou um grande segredo: seu amor por Samuel Hallinson. O que ela não esperava era cruzar o caminho do rapaz em um dos momentos mais constrangedores de sua vida e mudar seus destinos bruscamente.

RESENHA

Depois de vivenciar o amor e a força dele para quebrar barreiras e maldições no primeiro livro da série Família Hallinson (Montanha da Lua), chega o momento de conhecer os filhos do casal Mical e Octávio em A Noiva Devota. Tendo por base o primeiro livro, já era de se esperar que este volume fosse repleto de sentimentos controversos e personalidades fortes, capazes das atitudes mais irritantes ou incompreensíveis até, pelo simples fato de serem “sistemáticos”, completamente contaminados pelas características do tempo em que vivem.

E o que eu esperava foi oferecido e sanado por estas páginas. Senti muito ao ler A Noiva Devota, tanto quanto senti no primeiro livro. Ele é diferente, mas muito parecido no seu cerne!

O foco deste volume está num dos filhos de Mica e Octávio, e só de serem filhos de quem são, estes personagens já possuem um peso enorme! Imagine ser filho de um casal que rompeu uma maldição através do amor, e que se ama incondicionalmente ainda mesmo depois de tantos anos? Tudo em torno desta família remete ao amor e à paixão. Casais enamorados visitam a região onde moram para trazer boa sorte ao relacionamento… Enfim. Ser “filho do amor” em tal intensidade não é nada fácil.

E é neste clima de amor quase que palpável que somos apresentados a Samuel. Samuel retorna para a casa dos pais depois de morar um tempo fora, estudando. É apaixonado por Isabel, e vê no convite para um baile a oportunidade de demonstrar seu interesse em cortejá-la. Porém o destino tem outros planos e uma série de acontecimentos acaba por obrigá-lo a se casar com Rosalina. A irmã de sua amada. Situação nada confortável.

Porém, o que abrilhanta a história é que Rosalina, ou Rosa, é perdidamente apaixonada pelo amigo de infância, Samuel. Samuel, por sua vez, acaba percebendo que a presença de Rosa gera nele sensações que não entende bem e que não admite. Será que, no fim, o acaso juntou dois corações apaixonados? Parece que sim. Então o livro é previsível? Nada, gente!

É que tanto Samuel quanto Rosalina são turrões. Ardidos! Lá em cima usei o termo “irritante” não usei? Pois então. Os dois são deliciosamente irritantes. Não admitem o que sentem, brigam por bobagem, tomam atitudes com a maturidade de uma criança de dez anos. Mas são completamente apaixonantes. E roubam do leitor boas risadas em diversos momentos. Pensa num duelo pela donzela? Coisa retrógrada até mesmo para a época em que a história se passa? Pois então. Até isso tem aqui, só por conta do espírito turrão destes personagens fabulosos.

Em se tratando de personagens, é delicioso notar em sua construção que são exatamente como deveriam ser, tendo conhecida a sua história pregressa. Interessante notar que Samuel foi moldado com amor, excesso de amor até, mas nunca aprendera a amar. Já considerou isso possível? Oferecermos amor a alguém a tal ponto de não ensiná-lo a amar? A ensiná-lo a simplesmente receber e ponto final?

Mais uma vez aqui as características marcantes do romance de época estão presentes e muito bem representadas. A reação de uma das damas de companhia num determinado ponto da trama, mais ali para o final, chega a ser risível, mas completamente verdadeira. A mãe de Rosalina não chega a irritar com suas chatices, de tanto que acredita nelas. As posturas dos casais são tão temerosas que o leitor chega a sentir o coração palpitar de ansiedade com medo de que alguém flagre o absurdo de segurar nas mãos!

Ah, e não poderia deixar de comentar. Em um mundo cheio de maldades em que vivemos, onde pessoas agem mais por ver a desgraça do outro do que pelo próprio benefício e nunca pensam no benefício do outro, ler uma história cheia de sentimentos e sensações, que possui tomadas de decisões que nos incomodam, mas que existem pelo simples fato de acreditarem ser a melhor forma de fazer e nunca por querer o mal do outro é um alento para a alma. Um refrigério. A irmã de Rosalina, Isabel, poderia ter tudo para ser intragável. Mas Mari a criou com a simplicidade das irmãs mais bonitas. O são e pronto. O que não necessariamente as transformariam na “bruxa má” da história. Pessoas de verdade. Pessoas de bem. Isso que povoa as páginas de A Noiva Devota. Nem mesmo a deficiência física de uma das principais personagens gera maldade ou desconforto nos personagens ou no leitor, coisa que poderia ser facilmente retratado com incômodo. Sem dúvida, esta leitura acalma o coração pela bondade presente em seu miolo.

Em suma, adorei mais uma vez e Mari Scotti se firma como minha autora nacional preferida a cada nova obra. Estou ansiosa por saber o que o encantador e enigmático Gregório tem para nos oferecer no próximo livro da série. Recomendo aos corações sonhadores e apaixonados! E aos que não são, recomendo para que se tornem menos duros. 😉

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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2 comentários

  1. Minha nossa! Se eu não conhecesse a história, teria ficado maluca pra ler! Me deu até vontade de reler!!
    Amei sua resenha. Você tem dom com as palavras, acho que já te disse isso. Deveria escrever livros, honestamente!
    Obrigada pelo capricho e o carinho de sempre, espero te surpreender no livro do Gregório. Eu sei que um antagonista faz falta, mas a Família Hallinson foi criada para possuir antagonistas em forma de sentimentos, cenários e ações e não necessariamente um personagem que fará mal ao casal.
    Nós somos nossos próprios antagonistas, aqueles que não confiam em si mesmos para dar o passo seguinte ou tomar decisões importantes. Aqueles que colocam barreiras em tudo por simplesmente ter medo de não dar certo.
    A ideia desses livros é simplesmente essa e eu amei que você percebeu isso! Obrigada.
    Beijocas, Mari Scotti

  2. Mari, sua linda!!!!!

    Eu até penso, mas não acho que tenha esta dom não!!! Hahahaha. Mas obrigada pelo carinho de sempre, e mais uma vez parabéns! Na verdade, o dom é seu… sua obra inspira a gente a escrever mulher!!!

    Parabéns, beijossss

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