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Resenha | No reino das girafas, de Jacqueline Farid

No-reino-das-girafas-200x300 Resenha | No reino das girafas, de Jacqueline FaridUma mulher enfrenta o desejo da separação do companheiro e as dúvidas desencadeadas pelo desejo, tendo como cenário a exuberância da Namíbia. A solitária viagem de carro pelas cinematográficas paisagens namibianas são o pano de fundo para reflexões sobre o amor, a natureza, viagens e os hábitos contemporâneos. Jacqueline Farid mistura diário de viagem e ficção para contar a história de dois personagens que se apaixonaram e reforçaram os laços afetivos no país africano – o mesmo que, paradoxalmente, será o território do seu rompimento. Como ocorre em toda viagem a paisagens longínquas e aos próprios sentimentos, o que a espera é o inesperado.

RESENHA

É de se encantar o quanto cabe dentro de algumas páginas quando um alguém talentoso nas palavras resolve “falar” com seu leitor. Em No reino das girafas Jacqueline Farid direciona o leitor pela mão a três vertentes, cada uma delas forte o suficiente para levar sozinho um livro todo, mas que aqui se casam de forma melodiosa. Uma viagem à Namíbia à lá Elizabeth Gilbert em Comer, Rezar e Amar; um cenário digno de Discovery Channel contemplando o milagre assustador dos animais da áfrica; uma proposta de colocar nas páginas do livro aquilo que nem está sedimentado como deveria na mente do que escreve. Três rumos, uma história envolvente.

Uma mulher está viajando sozinha pela Namíbia, visitando pessoalmente cenários que mais parecem pinturas, em busca do que de fato quer acerca do atual relacionamento. A aventura incomum – afinal, uma mulher, só, dirigindo por locais não muito hospitaleiros com noites repletas de perigos, é bastante incomum – oferece à viajante oportunidades de se questionar e desvendar os mistérios de seu próprio coração e desejo. Afinal, saber de si deveria ser extremamente mais simples do que é na vida real.

Tenta ela colocar em palavras em seu caderno vermelho o que sente e vivencia ali, para usar como que amuleto da sorte na busca da melhor decisão.

A linguagem de Jacqueline é um tanto poética e imaterial, oferecendo ao leitor a oportunidade de enxergar os cenários a partir das suas próprias memórias visuais e perceber os sentimentos dela a partir das suas próprias sensações. Nada é detalhado – por isso também é possível caber tanto em apenas 108 páginas – mas ao mesmo tempo tudo é profundo. É possível se identificar de tal forma com a mulher inominada da história que quase se sente a dor do tombo que leva, o deslumbramento ao observar de longe os animais selvagens matando a sede, a empatia humana ao ser cúmplice dos garotos que roubam um banho de piscina… é possível se ver nela em cada uma de suas experiências e impossível não sentir desejo de estar também nesta busca de respostas em si mesmo para as questões que carrega.

O final é espetacularmente humano. Previsível e indesejado na mesma proporção, e que não poderia ser diferente, tendo em vista que a obra tem os pés muito enterrados no chão areento e seco da África.

Sem dúvida, No reino das girafas é um livro para ler, sentir, refletir e, porque não, responder. Recomendo a leitura atenta e silenciosa… tão silenciosa quanto possível, visto que “o silêncio, em risco de extinção no mundo, corre mais risco de desaparecer que toda a vida selvagem africana.” (Pág. 46)

Ficha técnica

Autora Jacqueline Farid
Editora Jaguatirica
Páginas 108
Gênero Drama
Ano 2017

No reino das girafas

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito bom!

Sem dúvida, No reino das girafas é um livro para ler, sentir, refletir e, porque não, responder. Recomendo a leitura atenta e silenciosa... tão silenciosa quanto possível, visto que "o silêncio, em risco de extinção no mundo, corre mais risco de desaparecer que toda a vida selvagem africana."

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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Um comentário

  1. Que bom que gostou, um bom leitor sempre melhora o que está escrito. Bjs

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