Início / Resenhas / Literatura Nacional / Resenha | Montanha da Lua, de Mari Scotti

Resenha | Montanha da Lua, de Mari Scotti

montanha-da-lua-EscrevArte-208x300 Resenha | Montanha da Lua, de Mari ScottiTítulo: Montanha da Lua – A Maldição dos Hallinson’s

Série: Família Hallinson – Livro 1

Autora: Mari Scotti

Páginas: 281

Editora: Ebook Amazon

Skoob

Compre aqui: Montanha da Lua: A Maldição dos Hallinson (Família Hallinson Livro 1)ir?t=escart04-20&l=am2&o=33&a=B00XF1F7FE Resenha | Montanha da Lua, de Mari Scotti

Sinopse (Skoob): Há séculos, uma verdade acompanha cada herdeiro do ducado de Bousquet: A Maldição dos Hallinson’s.
Conta-se que a tragédia os acompanha, levando à morte as esposas em seu primeiro ano de matrimônio. Geração após geração, aprendem sua sina e a regra a seguir para possuir uma união frutífera e longa.
Octávio Hallinson Segundo sofre as consequências de não seguir esses ensinamentos. Viúvo, isolou-se da sociedade, fugindo da responsabilidade de casar-se novamente para providenciar um herdeiro para seu título.
Um homem marcado pela dor.
Mical Baudelaire Nashgan sempre foi uma mulher decidida, enfrentando as ordens de sua tia e negando-se a seguir o protocolo que obrigava mulheres a procurar maridos apenas por posse de títulos e dinheiro e não por amor.
O posicionamento contraditório aos costumes afastou os candidatos, tornando-a uma das únicas solteironas que sua província conheceu. A mais bela dentre elas.
Uma tragédia a coloca frente aos perigos da floresta aos pés da Montanha da Lua e seu futuro torna-se incerto e assustador.

RESENHA

Um romance de época bem ambientado e bem escrito, Montanha da Lua me surpreendeu (não pela autora, que já conheço e sei que é boa no que faz), mas em função de me parecer, à princípio, que um romance de época com uma dose de suspense poderia ficar meio desencontrado. Não estava totalmente convencida de que as duas vertentes conversariam numa boa. Fiquei muito feliz com o que encontrei.

Mical Baudelaire Nashgan é uma mulher forte e decidida, um tanto à frente de seu tempo. Em alguns aspectos de sua personalidade achei-a parecida com Emma, personagem de Jane Austen que não quer saber de casamento e faz as vezes de cupido com algumas amigas. Mical não se preocupa em ser “santa casamenteira”, mas já tem idade suficiente para ser taxada como “solteirona”, e precisar atender às necessidades da sociedade e se casar com o primeiro fidalgo que ainda se interessar por ela. Mas ela não se atém somente às regras e consegue, no fim, viver bem com suas escolhas, para a época, escandalosas.

Num dia qualquer, quando resolveu sair num passeio sem sua acompanhante (sob o risco de ter sua integridade corrompida – onde já se viu uma donzela passear sem companhia!), acabou por ser “sequestrada” por um brutamontes.

A partir do suposto “sequestro” nada mais na vida de Mical será como antes. Octávio transforma toda a sua calmaria em tempestade. Octávio Hallinson Segundo, o herdeiro não só do ducado de Bousquet. Herdeiro também da Maldição dos Hallinson’s.

Corações apaixonados e ao mesmo tempo absurdamente desesperados, chegadas e partidas, quebras de barreiras e traumas, normas e regras das sociedades de corte que ditam as posturas e ações de todos – em especial das mulheres, além do medo da maldição, povoam as páginas de Montanha da Lua, transformando-o num livro impossível de abandonar.

Diversos aspectos podem ser comentados nesta obra. Um deles é a fidelidade aos costumes de época e a forma com que as pessoas se viam, e a forma com que olhavam e julgavam os à sua volta. Mari conseguiu transparecer estes costumes de forma a fazer o leitor perceber que eram normais, comuns, aceitáveis. Eram, simplesmente, a forma de viver e não se conhecia outra maneira de se relacionar uns com os outros. Nestas páginas os personagens não se sentem incomodados com as regras rígidas. Simplesmente as acatam e é assim que vivem.

Outro ponto fascinante é a Maldição presente nas páginas. A autora representou uma “maldição” que pode, sem sombra de dúvidas, de fato acontecer tão somente pela crença e medo dos envolvidos. Fiquei pensando que é muito possível que tenhamos maldições em nossos dia a dias. Só basta que acreditemos nelas com todas as nossas forças para torná-las reais. A força da maldição na verdade está em nós. Em nossa crença. Isso é bem retratado em Montanha da Lua e de fato temi junto com os personagens acerca do poder desta maldição. Em determinado ponto fiquei com muito medo do que viria a seguir. Chorei com Octávio e Mical, por perceber que o acreditar é uma força muitas vezes invencível.

Não posso deixar de comentar sobre os momentos mais “quentes” da história, em especial por, em diversas vezes, surgirem narrados por Octávio. Foi feito com uma riqueza de detalhes e de sensações que fiquei me questionando se Mari não realizou alguns testes e entrevistas com alguns homens ultra românticos por aí…. (risos). Sem vulgaridade mas ao mesmo tempo sem esconder nada. Sem palavras chulas mas com um romantismo de dar calafrios na espinha do leitor mais insensível. Perfeito.

E, sim, o livro é narrado em primeira pessoa, com alternância de personagens. Os principais são Mical e Octávio, porém Anthony, mordomo de longa data e único amigo verdadeiro de Octávio, também narra sua visão dos fatos em determinados pontos fortes da trama. Este formato, cada vez mais utilizado pelos autores, me soa bastante interessante, porque dribla com eficiência o problema de narração em primeira pessoa: a visão sob uma só perspectiva. Podemos saber o que cada um pensa e os seus motivos, gerando no leitor uma interpretação completa da história.

Único ponto que me incomodou um pouco na história foi a velocidade com que alguns acontecimentos se desdobraram. Em alguns momentos pensei que caberiam ali mas várias páginas esmiuçando e trazendo mais detalhes. Certamente a obra mereceria mais páginas! Mas ainda assim a trama envolve e de certo ponto em diante esta velocidade deixou de incomodar até porque a ansiedade exigia rapidez nos desfechos.

Em suma, é um romance de época lindo. Quem gosta do gênero não pode deixar de ler e se encantar com a força destes personagens, suas ações, escolhas e consequências, sempre extremamente fortes. Eu, de minha parte, posso dizer que já estou lendo A Noiva Devota, porque os Hallinson’s me sequestraram! Leiam!

 

 

Montanha da Lua

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

Veja Também

Lançamento | Girassóis Femininos, de Luís de Oliveira

Sinopse: Girassóis Femininos traz a trajetória de um rapaz que nos escombros da sua infância …

Agenda Literária | Escritora Isa Colli e seu processo de criação

A jornalista e escritora Isa Colli, está rodando o Brasil para divulgar seus livros “Vivene …

Lançamento | Conexão Hirsch – Nostalgia, obsessões e viagens no tempo, de Carlos Romero Carneiro

A viagem no tempo não é um tema inédito. Várias obras, na literatura e no …

2 comentários

  1. Não posso dizer “amei a sua resenha” porque amar parece muito pouco! Fui “sequestrada” por ela! Maravilhosa! Pareceu até que você veio falar comigo sobre meus motivos para a trama girar em torno de uma crença tão forte para o Octávio. Foi uma das únicas que não reclamou do personagem e suas características mais marcantes como o medo e que entendeu a época, os motivos, o que realmente interessa nessa trama toda! To besta! Obrigada *-*.
    A noiva devota é bem diferente e eu espero que você curta a leitura também! E que os Hallinson continuem te sequestrando haha.

    Beijão, Mari Scotti

    • Ahhh tadinho!!!! O quanto este moço sofre com tudo, imagina que ainda iria ficar com raiva dele!!!! hahahahaha Judiação!
      Mari, fico muito feliz que tenha captado a essência da sua obra, vai ver foi isso que me fez gostar tanto!!!

      Logo logo te conto o que achei de A Noiva Devota… ainda estou me sentindo sequestrada sim. hahaha

      Beijossss

Deixe uma resposta

Loading Disqus Comments ...
Loading Facebook Comments ...
Pular para a barra de ferramentas