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Resenha | Minhas conversas com o diabo, de Mário Bentes

Banner-Dark-300x98 Resenha | Minhas conversas com o diabo, de Mário Bentes

Minhas-conversas-com-o-diabo-195x300 Resenha | Minhas conversas com o diabo, de Mário Bentes

“Cortem a criança ao meio e dê cada parte a uma mulher”, disse o Rei Salomão, diante das duas mulheres que reclamavam a maternidade de um bebê. De modo que a mãe verdadeira imediatamente protestou, pois preferia ver o filho ser entregue à outra que assistir a morte do inocente, sangue de seu sangue, diante dos seus olhos. Salomão soube, assim, que esta que agora cedia à disputa era senão a matriarca verdadeira, ao contrário da outra, que concordara com absurda sugestão do rei.
A famosa cena é apenas uma amostra da vasta sabedoria do Rei Salomão, que dizem que era inspirado por Deus. Mas há uma lenda antiga que diz que os profundos conhecimentos do rei sobre todas as coisas não vinham unicamente do Criador, mas dos servos daquele que vem, rouba, mata e destrói. No total, Salomão conjurou, ouviu e registrou para si os saberes reunidos de 72 demônios. Ao fim da empreitada, o monarca aprisionou os caídos em um jarro de bronze, o selou e o lançou no fundo de um lago.
Mas os babilônios, vendo tal cena, acreditaram que lá haviam tesouros reais e foram resgatar o artefato, sem que ninguém os vissem. Encontraram-no após dias, abriram-no e concederam a liberdade, outra vez, aos 72 anjos da escuridão. Libertos da clausura, voltaram a percorrer o mundo para atentar, ludibriar e mentir contra os homens – cada um com suas artimanhas, joguetes e aparência.
Do mesmo autor de “A terra por onde caminho”, “Minhas conversas com o diabo”, de Mário Bentes, reúne uma coletânea de contos onde tais potestades da terra e do ar encontram-se com seres humanos que, ao contrário dos reis e de outros homens de poder, almejavam coisas simples: reconhecimento profissional, rever um familiar desaparecido ou ter uma nova chance pelo amor. Mas os saberes arcanos, repassados pelos caídos, têm seu preço: seja ele em peso de ouro, prata ou carne.
E, cedo ou tarde, eles voltam para cobrar a conta.

RESENHA

Diz a lenda que Salomão – Rei de Israel, conhecido como o rei mais sábio de toda a história – não adquiriu seus vastos conhecimentos somente de Deus, mas também dos 72 demônios conjurados por ele. Ainda de acordo com a lenda, se conjurados de forma correta estes demônios obedeceriam ao seu conjurador. O livro “A Chave Menor de Salomão” fala exatamente sobre estes demônios, seus nomes e poderes. Aqui, em “Minhas conversas com o diabo“, alguns destes demônios são citados e seus conjuradores apresentados, mostrando ao leitor que nem sempre é necessário grandes rituais complexos para conjurá-los. Pequenas ações pontuais do dia a dia podem dar a estas entidades o poder de se chegar a nós. Deu medo?

De fato a escrita de Mário Bentes me causou certo arrepio em algumas passagens específicas, e vale ressaltar aqui que raramente me arrepio por conta de gostar muito do gênero terror/horror/suspense tanto nas telonas, quanto nas telinhas ou nas páginas, fazendo com que a pele ficasse um tanto calejada com o tema, sobrando bem poucas coisas que me assustam de fato. O livro todo não é assustador, mas algumas ações o são.

Cada conto traz ao leitor a experiência de contato com o demônio, seja ela proposital ou não. Daí vale a reflexão: o que andamos atraindo para próximo de nós com nossos pensamentos, falas, ações e desejos? Ainda que não se acredite que seres possam ser conjurados pelos nossos lamentos, uma coisa temos de concordar: quando a gente está de alto astral tudo parece ficar melhor, ao passo que dias cinzentos geram um desencadear de pequenos mal-estares não é? Enfim, fica aí o estopim para uma reflexão.

A escrita de Bentes é rápida e fluída. O livro não é grande, o que permite que seja lido em poucas horas. Os contos são envolventes e nem sempre dá a resposta para tudo. Aspecto interessante para instigar a imaginação do leitor e fazê-lo viajar nos resultados e consequências das decisões dos personagens. Belo movimento e extremamente condizente com o tema da obra.

De publicação simples mas eficiente, capa que ajuda a visualizar um dos demônios retratados num dos contos, diagramação confortável à leitura, a Lendari traz ao amante do gênero uma obra que merece ser lida. E refletida.

 

Minhas conversas com o diabo

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

De fato a escrita de Mário Bentes me causou certo arrepio em algumas passagens específicas, e vale ressaltar aqui que raramente me arrepio por conta de gostar muito do gênero terror/horror/suspense tanto nas telonas, nas telinhas ou nas páginas, fazendo com que a pele ficasse um tanto calejada com o tema, sobrando bem poucas coisas que me assustam de fato. O livro todo não é assustador, mas algumas ações o são.

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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