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Resenha | HQ Pílulas Azuis

CAPA-PILULAS-AZUIS-199x300 Resenha | HQ Pílulas AzuisFrederik Peeters conta sua história ao lado da companheira, Cati, desde os primeiros encontros nas rodas de amigos até a revelação de ela e seu filho (um menino de quatro anos, de um relacionamento anterior) serem soropositivos.

Entram em cena todas as emoções contraditórias que o autor tem de aprender a gerenciar, como amor, piedade, raiva e compaixão, sem deixar de lançar algumas verdades duras e surpreendentes sobre o assunto do HIV, seus preconceitos e o tratamento.

Resenha

Pílulas Azuis, lançada no Brasil pela Editora Nemo, é uma graphic novel intimista, realista e dramática que aborda o relacionamento amoroso do autor com uma portadora do HIV, de forma leve e bem-humorada.

Em uma noite de festa, na cidade de Genebra, Peeters conhece uma bela garota chamada Cati. Com o passar dos anos, os dois se vêem através de amigos em comum ou se ‘esbarram’ por aí de vez em quando. Até que, em uma festa de Ano Novo, eles acabam se conhecendo melhor, e de imediato rola uma química entre os dois. Começando aí um novo romance, que mais tarde descobrimos que não são só flores… Em uma cena belissimamente desenhada, Cati joga uma bomba sobre Peeters: ela e seu filho de 4 anos, de um outro relacionamento, são HIV positivos. As expressões no rosto de Peeters e as onomatopeias em forma de palavras, demostrando todos os sentimentos sentidos por ele naquele momento, também nos deixa em suspensão.

A história se passa entre os anos 80 e 90, nessa época o tratamento para a aids ainda não era tão avançado como o de hoje, mas já era bem eficiente. Apesar disso, ter o vírus nesta época ainda podia ser considerado uma sentença de morte. Aliás, mesmo com todo o avanço do tratamento hoje, e sabendo que quem tem aids pode viver tanto quanto qualquer outra pessoa, a maioria de nós ainda somos tomados pelo preconceito e pelo medo.

Voltando à história… Peeters resolve apostar no relacionamento, apesar do medo e de todos os sentimentos inerentes a doença. Ele segue detalhando não apenas como acompanhava o dia a dia de Cati e do filho, mas principalmente suas angústias, preocupações, surpresas, frustrações, medos, etc. Percebemos claramente esse caleidoscópio de emoções quando ele encontra um mamute (?) e começa a debater sobre vida, morte e esperança. É um dos únicos momentos pouco realista da HQ, é um diálogo que na verdade se passa só em sua mente.

Uma das partes que mais gostei foram os momentos que Petters tem com o pequeno enteado de quatro anos, é um convívio bem harmonioso e fraternal. Vemos ele o acompanhando no hospital, brincando na praia e em casa com o pequeno.

Outro ponto importante a destacar é a natureza pouco didática da obra, o autor não tem a intenção em ensinar nada, ele só quer mostrar sua história de amor. Apesar de não ser essa a intenção, ele acaba por nos ensinar muita coisa, principalmente para aqueles com mente mais aberta. Ele mostra em vários momentos como é o envolvimento sexual com alguém soropositivo, inclusive em uma consulta ao médico (devido a um pequeno acidente entre eles), o doutor esclarece algumas dúvidas do casal a respeito de como agir na relação. Nesse momento, a princípio muito tenso, o médico sorri e fala que a chance dele ser contaminado é o mesma de cruzar com um rinoceronte branco na rua. É um momento interessante, pois o leitor talvez não tenha conhecimento de algumas das coisas explicadas pelo médico (eu não tinha!). 🙂

Analisando agora a questão gráfica, vemos uma arte em P&B que não é muito rebuscada, o autor não quis se utilizar de um traço muito realista, mas em compensação quis apostar nos exageros para deixar cada quadrinho bem expressivo. Com certeza a escolha de deixar a obra em preto e branco foi com a intenção de torná-la livre de distrações, fazendo com que o leitor foque sua atenção na narrativa em si. A ilustração da capa mostra um momento chave da narrativa, e foi uma escolha muito acertada pois, apesar do título “Pílulas Azuis”, a história é sobre o amor dos dois. No final da obra ainda encontramos páginas extras, com o testemunho do enteado, de Cati e da filha que teve com ela. Em forma de entrevistas, os depoimentos mostram como estão as vidas deles após 13 anos da publicação original. Uma coisa curiosa, que um leitor mais atento perceberá, é que as capas internas estão recheadas de cenas do cotidiano da família.

Finalizando, Pílulas Azuis não é uma história sobre HIV e MORTE, é uma obra-prima sobre AMOR, COMPAIXÃO e ESPERANÇA!

Algumas páginas da HQ:

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Pílulas Azuis

Capa
Arte
Narrativa
Enredo
Personagens

Excelente!

Frederik Peeters conta sua história ao lado da companheira, Cati, desde os primeiros encontros nas rodas de amigos até a revelação de ela e seu filho (um menino de quatro anos, de um relacionamento anterior) serem soropositivos.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de TV. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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