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Resenha | HQ Pátria Armada: Visões de Guerra

Visoes-capa-low Resenha | HQ Pátria Armada: Visões de GuerraMais de 50 artistas e roteiristas brasileiros receberam de Klebs Junior, idealizador do título, a missão de reinterpretar o universo de Pátria Armada – cada um em seu estilo e sob sua própria ótica. Com isso, o leitor acompanha em ‘Visões de Guerra’ um pouco mais da saga por meio da criatividade de Zé do Caixão, Laudo Ferreira e Henrique Kipper, entre dezenas de outros nomes que entram nessa guerra civil para apresentar mais sobre protagonistas e personagens paralelos da trama nascida em 2014.

Na série lançada em 2014, Pátria Armada propõe uma realidade alternativa na qual o governo de João Goulart resiste aos militares golpistas em 64, dando origem a um conflito aparentemente interminável. O país se desenvolveu e tornou-se uma potência militar, porém, politicamente fragmentado, dividido entre: os legalistas, grupo contra o golpe; e, federalistas, grupo a favor do golpe.

No decorrer da guerra, em 1972, houveram dois ataques com bomba química experimental: mais de meio milhão de pessoas morreram e houve uma onda de doenças genéticas e infertilidade pelo país. Ao mesmo tempo, cerca de 50 crianças nasceram com estranhas habilidades paranormais.

Vinte anos após os atentados, o legalista Coronel Venâncio organiza a tropa de impacto, um grupo de elite formado somente por paranormais. O enredo da série gira em torno desse grupo e ao longo do roteiro são abordadas várias facetas da sociedade brasileira e seus problemas.

Resenha

Pátria Armada: Visões de Guerra é uma coletânea criativa e muito interessante, organizada por Klebs Junior do Instituto HQ, que chegou às bancas de todo o país, e foi financiada pelo Catarse e lançada na CCXP 2016. O idealizador de Pátria Armada, que apresenta o Brasil em uma guerra civil, convidou mais de 50 artistas, entre eles Liz VampHenrique Kipper, Walmir OrlandeliFelipe Folgosi, entre outros.

Os artistas convidados têm a missão de contar a história de uma realidade alternativa onde o Brasil resistiu ao golpe militar de 1964, virou uma potência militar, mas a partir daí passou a viver em uma eterna guerra civil, dividindo o país entre legalistas e federalistas, que culminou com atentados terroristas com bombas químicas que matou mais de meio milhão de pessoas, resultando em uma onda de doenças genéticas e nascimentos de pessoas com habilidades paranormais. Os eventos atuais acontecem em 1994 e acompanham um grupo de elite formado por paranormais bem brasileiros, entre eles o paraibano Zeverildo, o mineiro Rasta, o carioca Teco, a gaúcha Maria da Graça, o índio wairá Guari e a paulista Cristina.

O grande mérito do projeto é mostrar que no Brasil é possível realizar boas histórias de super-heróis utilizando o nosso próprio contexto cultural/histórico. Tudo isso retratado através de diversos estilos e óticas, desde uma arte com um roteiro mais pesado e sombrio, até uma mais fofinha e delicada. É um material que não fica muito atrás dos lançados por grandes editoras como Marvel e DC, é certamente uma obra de nível internacional.

Minha história preferida: Memória do medo, com roteiro e desenhos de Laudo Ferreira. É uma história em preto e branco que nos mostra um pouco do passado da Cristina, a paranormal que altera as sensações e sentimentos nas pessoas, ela é defrontada com as consequências de seus atos.

Mas, como nem tudo são flores, essa mistura tão heterogênea acaba por causar um certo desconforto em alguns momentos. É possível encontrar algumas falhas gritantes, tanto de revisão quanto de roteiro. Além do incômodo que alguns traços possam causar, mas aí vai do gosto de cada um. No geral é um trabalho magnífico, um projeto gráfico e artístico excepcional que vale muito a pena tê-lo em mãos e saboreá-lo.

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Algumas imagens

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Pátria Armada: Visões de Guerra

Capa
Arte
Narrativa
Enredo
Personagens

Excelente!

O grande mérito do projeto é mostrar que no Brasil é possível realizar boas histórias de super-heróis utilizando o nosso próprio contexto cultural/histórico. Tudo isso retratado através de diversos estilos e óticas, desde uma arte com um roteiro mais pesado e sombrio, até uma mais fofinha e delicada. É um material que não fica muito atrás dos lançados por grandes editoras como Marvel e DC, é certamente uma obra de nível internacional.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de TV. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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