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Resenha | HQ 1817, Amor e Revolução

1817_Amor-218x300 Resenha | HQ 1817, Amor e RevoluçãoIntensa, apaixonada e romântica, a Revolução Pernambucana de 1817 teve como símbolo um caso de amor proibido, que resultou em casamento, talvez um dos mais importantes já ocorridos no Brasil. E deixou de herança para os pernambucanos a sua bandeira; a sua Data Magna, 6 de Março; e uma extensa galeria de heróis e mártires como Gervásio Pires, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, Padre Roma, Leão Coroado, Domingos Martins e João Ribeiro. Além de muitos outros não registrados – afinal, a repressão portuguesa nos custou cerca de 1.600 mortos e feridos e mais de 800 degredados.

Baseado no livro A noiva da Revolução, de Paulo Santos, lançado em 2007, este volume, na linguagem dos quadrinhos, tem roteiro do próprio autor e ilustrações à lápis, em estilo clássico, de Pedro Zenival, coloridas por Alex Dantas. Os fatos históricos de 1817 são narrados na forma de diário pelo líder da Revolução Pernambucana, o nativo Domingos Martins, e sua esposa, a portuguesa Maria Teodora da Costa. O romance dos dois, que enfrentou preconceitos na época, tem como pano de fundo a luta libertária da que é considerada a primeira revolução republicana do Brasil.

Resenha

Antes de se tornar oficialmente independente de Portugal, o Brasil abrigou em Pernambuco, durante 74 dias, uma pequena república libertária e abolicionista, muito diferente da monarquia absolutista vigente no país. Foi o único movimento separatista do período colonial que ultrapassou a fase conspiratória, a Revolução Pernambucana de 1817 é pouco conhecida entre o grande público, mas foi a primeira e uma das mais importantes de nossa história.

Baseado no livro A Noiva da Revolução do jornalista Paulo Santos, a graphic novel 1817 – Amor & Revolução, lançada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), traz uma síntese dos acontecimentos que, a partir de 6 de março de 1817, provocam a erupção da insurgência pernambucana. A narrativa tem como foco principal a história de amor entre Domingos Martins, 36 anos, um dos líderes da revolução contra a Coroa Portuguesa, e Maria Teodora, 17 anos, filha de um rico comerciante português, Bento da Costa, que rejeitava a relação amorosa dos nossos “Romeu e Julieta”, e só permitiu o casamento após Domingos se tornar integrante do governo provisório. Casamento esse que, segundo os historiadores, foi o casamento politicamente mais importante da história do Brasil.

Apesar do foco no romance entre Domingos Martins e Maria Teodora, a obra se ateve a fazer um resumo histórico daquele momento, narrando fatos verdadeiros e protagonizados por personagens reais. Apesar de que estes me pareceram um pouco exagerados, tipo os livros de história que conhecemos e achamos tão surreais, a narrativa em forma de diário foi muito bem construída, nos mostrando os principais fatos acontecidos nestes 74 dias do movimento.

Com relação ao projeto gráfico, a Cepe fez um ótimo trabalho, a belíssima capa é composta por uma ilustração que é uma excelente solução e representa bem o “Amor e Revolução” propostos. Os desenhos em estilo realista/clássico demonstram um tremendo trabalho de pesquisa de época, e em vários momentos me senti andando por entre aquelas ruas de uma bela Recife colonial.

Algo muito interessante para mim, que moro em Pernambuco, foi conhecer quem eram os nomes que hoje são ruas de Recife, como Vigário Tenório (junto com Padre Miguelinho e Frei Caneca, maiores expoentes da Igreja no movimento), Gervásio Pires (comerciante, conselheiro da república provisória), Leão Coroado (apelido do capitão José de Barros Lima, matou seu superior ao reagir a voz de prisão, o que antecipou a revolução), Domingos Martins (comerciante maçom, um dos governadores provisórios) e Cruz Cabugá (comerciante maçom, primeiro embaixador brasileiro em terras estrangeiras). E, principalmente, entender um pouco mais da personalidade do povo pernambucano, um povo ufanista, um povo que, embora aparente ser cheio de si, assim o são por terem orgulho de sua história e de serem quem são: pernambucanos acima de tudo.

Esta HQ é um resgate histórico muito importante para todos nós brasileiros, é importante para que não percamos de vista o que realmente importa, os ideais que nortearam aquela revolução e que hoje em dia poderiam facilmente nortear uma outra: Liberdade, igualdade, fraternidade. Isso mesmo, o mesmo lema da Revolução Francesa também formavam os ideais da nossa revolução (apesar da “igualdade” ter sido motivo de discórdia entre os revolucionistas). Precisamos de mais histórias como essas contadas e recontadas para a atual e para as futuras gerações, que venham HQs com a Guerra dos Potiguares, com a Guerra dos Mascates, com a Conjuração Carioca e Baiana, com a Balaiada e tantas outras. Precisamos muito disso nesses tempos atuais.

 

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Algumas Páginas:

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Documentário “Revolução de 1817 – 74 dias de liberdade em pernambuco”, produzido pela Cepe, intercalado por páginas da HQ:

Chamada do docudrama “1817 – A Revolução Esquecida”, da renomada Tizuka Yamasaki, para o canal TV Escola:

1817 - Amor & Revolução

Capa
Arte
Narrativa
Enredo
Personagens

Excelente!

Esta HQ é um resgate histórico muito importante para todos nós brasileiros, é importante para que não percamos de vista o que realmente importa, os ideais que nortearam aquela revolução e que hoje em dia poderiam facilmente nortear uma outra: Liberdade, igualdade, fraternidade. “A única revolução digna desse nome, no Brasil.” - Historiador Oliveira Lima

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de TV. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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