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Resenha | Filha da Ilusão, de Teri Brown

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Ilusionista talentosa, Anna é assistente de sua mãe, a famosa médium Marguerite Van Housen, em seus shows e sessões espíritas, transitando livremente pelo mundo clandestino dos mágicos e mentalistas da Nova York dos anos 1920. Como filha ilegítima de Harry Houdini – ou pelo menos, é o que Marguerite alega – os passes de mágica não representam um grande desafio para a garota de 16 anos: o truque mais difícil é esconder seus verdadeiros dons da mãe oportunista. Afinal, enquanto os poderes de Marguerite não passam de uma fraude, Anna consegue realmente se comunicar com os mortos, captar os sentimentos das pessoas e prever o futuro.

Porém, à medida que os poderes de Anna vão se intensificando, ela começa a experimentar visões apavorantes que a levam a explorar as habilidades por tanto tempo escondidas. E, quando um jovem enigmático chamado Cole se muda para o apartamento do andar de baixo, apresentando Anna a uma sociedade secreta que estuda pessoas com dons semelhantes aos seus, ela começa a se perguntar se há coisas mais importantes na vida do que guardar segredos. Mas em quem ela pode, de fato, confiar?

Teri Brown cria, neste fantástico romance histórico, um mundo onde pulsam a magia, a paixão e as tentações da Nova York de Era do Jazz – e as aventuras de uma jovem prestes a se tornar senhora do seu destino.

RESENHA

Há algum tempo que queria ler Filha da Ilusão – Série Herdeiros da Magia Vol. 1, livro publicado pela Valentina em 2014, por ter muita coisa que gosto: magia – não fantasiosa, a magia que pessoas especiais têm (ou não, depende da sua crença); conflitos familiares; romance e cenário da década de 1920. Esperava encontrar estes assuntos bem amarrados e trabalhados de forma coerente com a época nesta obra e não me decepcionei. Ele mexe com você de uma forma um tanto incômoda, ao mesmo tempo que acalanta com cenas “gracinha”.

Anna é assistente de sua mãe em shows mediúnicos. A grande estrela é a mãe – Marguerite, mas quem de fato tem visões sobrenaturais é Anna. Ela pode saber e sentir os mais profundos sentimentos de pessoas à sua volta apenas pelo toque, além de ter sonhos e visões de premonições. Porém o mais complicado para ela, seu maior desafio é conseguir acobertar o charlatanismo da mãe, que na verdade não possui dom algum.

Com o passar do tempo Anna tem suas capacidades desenvolvidas e isso a coloca próximo a questões mais profundas sobre si, sua mãe, seu pai (que a mãe diz ser o famoso mágico Houdini), seus dons, sobre verdades, sobre mentiras, sobre como lidar com a maldade das pessoas e sobre o amor. Até uma sociedade secreta surge no seu caminho para fazer com que seus questionamentos sejam ainda mais incômodos, mesmo que necessários.

Este é o primeiro livro de Teri Brown que leio, e achei sua linguagem e escrita bastante fluída. A história de Filha da Ilusão é narrada em primeira pessoa no tempo presente, o que eu, particularmente, não gosto muito, possivelmente pelo simples fato de que a maioria dos livros são escritos no passado e isso acaba por se tornando um hábito de leitura. Mas, como a autora sabe o que faz, mesmo não sendo meu formato preferido, já pela segunda página já estava menos incomodada.

Outro aspecto interessante é a ambientação na Nova Iorque de 1920. A autora não perde tempo com descrições, mas a postura dos personagens e a própria adequação dos shows de mágica e sessões mediúnicas retratam com fidelidade o período. Me senti naquele tempo com muita facilidade.

Finalmente, posso dizer que em certo ponto fiquei com medo de passar por uma sensação meio ao estilo “novela das nove”, onde a mocinha acaba por escolher o outro mocinho e não o desejado do telespectador. Ufa, aqui não, minhas apostas não foram em vão, e fiquei contente com isso. Terminei com um sorriso nos lábios, mesmo não tendo o coração palpitando. Talvez por culpa da sequência, que não permitiu muito à autora dar um final de tirar o fôlego aqui. Quem sabe no final da série Herdeiros da Magia.

A edição da Valentina segue seu padrão de cuidado e atenção aos detalhes, e posso dizer que a capa nacional é, ao meu ver, infinitamente mais bonita que a americana! A figura da mulher na capa me remete muito às questões levantadas por Anna durante a trama. Algo meio confuso, incerto, temeroso até, mas angelicalmente bonito. Ponto para a edição nacional!

Filha da Ilusão

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito bom!

Há algum tempo que queria ler Filha da Ilusão - Série Herdeiros da Magia Vol. 1, livro publicado pela Valentina em 2014, por ter muita coisa que gosto: magia - não fantasiosa, a magia que pessoas especiais têm (ou não, depende da sua crença); conflitos familiares; romance e cenário da década de 1920. Esperava encontrar estes assuntos bem amarrados e trabalhados de forma coerente com a época nesta obra e não me decepcionei. Ele mexe com você de uma forma um tanto incômoda, ao mesmo tempo que acalanta com cenas "gracinha".

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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