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Resenha | Escola de Vilões, de Jen Calonita

Escola-de-Vilões-EscrevArte-205x300 Resenha | Escola de Vilões, de Jen CalonitaTítulo: Escola de Vilões – Livro 1

Autora: Jen Calonita

Editora: Única

Páginas: 192

Gênero: Fantasia, YA

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

Sinopse (Fonte: Skoob) Será que um vilão pode se recuperar? Gilly não se considera exatamente uma garota má… Porém, quando se tem cinco irmãos e irmãs mais novos, é preciso ser criativo para ajudar nas despesas. Ela é uma ladra muito boa, e disso tem certeza e pode se gabar. Até ser pega. Depois de roubar uma presilha, é sentenciada a passar três meses no Reformatório de Contos de Fadas – no qual os professores são aqueles antigos vilões que já conhecemos, como o grande Lobo Mau e a malvada Madrasta da Cinderela. Quando, porém, ela faz amizade com alguns estudantes, como Jax e Kayla, aprende que esse reformatório vai muito além de sua missão heroica. Há uma batalha ganhando forma e Gilly precisa descobrir: os vilões podem realmente mudar? Descubra o Lado B dos contos de fadas.

RESENHA

A narrativa é feita em primeira pessoa por Gillian e a história começa com ela, Gilly, uma jovem humilde de 12 anos (a mais velha dos cinco irmãos: Han, Hamish, Trixie, Felix e Anna), fazendo um pequeno furto no reino para complementar a renda familiar e dar um presente de aniversário à irmã Anna.

“Faço o que posso para ajudar. E isso inclui garantir que meus irmãos sejam alimentados e ganhem um presente de aniversário.”

Após a tentativa e sucesso, ela não consegue acreditar quando é detida. Mas desta vez a diferença é de que o Esquadrão Anão de Polícia traz um pergaminho com a notícia de que seja levada imediatamente ao RCF, afinal ela é pega pela terceira vez por um pequeno furto.

“[…] Eu só pego de gente que pode perder coisas. Os nobres decididamente podem perder algumas bugigangas. Assim como o padeiro, cujo negócio está prosperando e que trata mal minha mãe toda vez que ela passa para ver se tem pão dormido em promoção. Os nobres são parte do motivo para que a gente viva nesse casebre lotado, então, não me sinto mal em tirar deles.”

O Reformatório de Contos de Fadas (RCF) é um programa educacional para criminosos malvados e perversos que tem como missão transformar delinquentes malvados e ex-vilões em futuros heróis para a cidade de Encantadópolis. Foi criado por Flora (a madrasta da Cinderela) e a lista de vilões famosos não para por ai não. Ex-alunos se tornaram professores como o Lobo Mal (Xavier Lobão, que leciona História), a Bruxa do Mar (Madame Cleo, especialista em etiqueta) e a Rainha Má (Harlow, que leciona Psicologia e supervisiona as sessões de terapia em grupo). As aulas são totalmente exóticas e vão desde voar de Pegasus a fazer magia com varinha de condão.

Gilly que no começo abominou a ideia de ir para o lugar, vai se acostumando à ideia já que passa a ter seu próprio quarto, a achar que as atividades extracurriculares são bem superiores às aulas que possuía na vila, a comer comida boa e gratuita e ter amigos que não julgam seus atos (Jax, Maxine, Ollie e Kaya).

Apesar de tudo isso a garota se preocupa com a família. Ela é filha do sapateiro que inventou o sapatinho de cristal, mas a Fada Madrinha simplesmente copiou o feito e agora ele mal tem encomendas de sapatinhos. E sem as vendas fica quase impossível ter comida em casa e por isso, ela se preocupa em como os irmãos estão sobrevivendo.

“O negócio de sapateiro não é mais como antes, e o dinheiro é escasso. Temos três refeições, claro, se você considerar caldo de galinha uma refeição. Se não fosse pelas minhas últimas surrupiadas no mercado, meus irmãos já teriam definhado.”

Gillian não consegue acreditar que os piores vilões das histórias contadas em seu vilarejo possam realmente ter se tornado pessoas de bem, por isso está sempre observando aqui e ali, tentando descobrir algo que possa usar para se livrar do reformatório o mais depressa possível. Ela e seus amigos acabam descobrindo que há coisas estranhas acontecendo pelo reformatório. Com uma batalha ganhando forma eles precisam descobrir se os vilões podem realmente mudar.

“Já ouvi dizer que as princesas têm os próprios problemas na coadministração, mas eles não podem se comparar com os nossos na vila – trolls, os ogros, os gnomos, as fadas e as outras criaturas que formam o bolo da categoria comum. É difícil arranjar dinheiro.”

Gilly é uma personagem que me cativou. Independente, forte, dedicada à família e aos amigos (faz de tudo para proteger as pessoas que ama), simples. A protagonista amadurece bastante ao longo do livro. Aprende a importância da amizade, a pensar nos outros e a ser menos preconceituosa em relação a alguém só por causa do seu passado.

Ao tirar de quem muito tem no estilo Robin Hood e algumas outras atitudes suas, ela nos faz refletir sobre nossa sociedade. Nas injustiças, na desigualdade e descriminação. Senti também a autora quis nos fazer pensar sobre a idolatração das celebridades e atentar ao fato de que ninguém é perfeito.

A capa é maravilhosa, possui vários elementos que nos lembram dos contos de fadas que conhecemos. Os títulos dos capítulos são condizentes ao conteúdo e ao final de alguns capítulos temos algumas notícias publicadas no jornal Pergaminhos de Felizes Para Sempre, que nos permite conhecer melhor alguns vilões e observar as notícias dos últimos acontecimentos. A diagramação também está impecável.

Sempre tive vontade de ler esse livro. E não me decepcionei em nenhum momento. A originalidade da trama me conquistou até o final. Jen Calonita criou uma bela releitura dos contos de fadas. Pelo que pude perceber esse é o primeiro livro de uma serie e terá uma continuação. Uma leitura rápida e prazerosa, um livro perfeito para todas as idades. Eu recomendo a leitura. Parabéns a autora e a editora pela obra.

Escola de Vilões

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Sobre Nathalia Freitas

“Por que eu leio? Porque ler me torna alguém melhor. Me faz conhecer alguém que não conheço que são outros eus. Eu leio para encontrar comigo mesmo. Um eu melhor, mais sábio, mais inteligente, com mais senso de humor e por que não, com mais charme. (...)” (Nick Farewell)

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