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Resenha | Em Águas Sombrias, de Paula Hawkins

Cuidado com superfícies muito calmas, nunca se sabe o que pode haver embaixo delas. Da mesma autora do best-seller internacional  A garota no trem.

Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás.

Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos…

Com a mesma escrita frenética e a mesma noção precisa dos instintos humanos que cativaram milhões de leitores ao redor do mundo em seu explosivo livro de estreia, A garota no trem, Paula Hawkins nos presenteia com uma leitura vigorosa e que supera quaisquer expectativas, partindo das histórias que contamos sobre nosso passado e do poder que elas têm de destruir a vida que levamos no presente.

Em Águas Sombrias temos Jules e Nel, duas irmãs que sempre tiveram uma relação frágil e complicada, o que leva Jules a sempre evitar a irmã. Um dia Nel aparece morta no rio que corta a cidade de Beckford, onde ela mora, fazendo com que Jules retorne para o lugar que ela havia deixado para trás. O que chama a atenção nisso é que pouco tempo antes da morte de Nel, uma adolescente morrera no mesmo local, no Poço dos Afogamentos... 

"Ainda assim. Eu não estava gostando daquilo. Não estava gostando do fato de duas mulheres terem morrido naquelas águas no intervalo de dois meses e de elas se conhecerem. Tinham uma ligação, com o local e com as pessoas. Eram ligadas por Lena: melhor amiga de uma, filha da outra."

Nel sempre fora fascinada pelas águas do rio, principalmente pelo trecho onde foi encontrada, logo abaixo do penhasco. Mas o que mais a atraía eram as histórias reais e lendas sobre o lugar. Histórias estas que iam desde caça as bruxas e assassinatos, até suicídios e fatos sem explicação. O rio era o lugar preferido para se livrar de mulheres "encrenqueiras".

Ela era uma escritora que documentava todas essas histórias sobre o rio e suas mulheres, não sabia ela que um dia faria parte ela mesmo destas histórias.

Após sua mortes algumas das histórias começam a se conectar, e a partir daí passamos a ver uma rede de elementos se unirem, formando uma trama até certo ponto bem orquestrada e surpreendente.

"Beckford não é um local de suicídios. Beckford é um local para se livrar de mulheres encrenqueiras."

Algo que me chamou a atenção foi o estilo narrativo do livro. A autora misturou muito as formas narrativas, o que pode deixar um leitor menos atento um pouco confuso. Vemos narração em primeira pessoa e logo em seguida encontramos em terceira, além de termos uma infinidade de personagens fazendo parte dessas narrativas.

No início a leitura foi mais truncada, e no decorrer da trama se percebe um certo "enrolation" por parte da autora, mas a medida que o mistério vai aumentando, a leitura passa a ser bem mais fluida. O mistério da trama nos sequestra e tentamos resolver as questões antes mesmo do desenlace final. E devo dizer, foi um final até bem previsível, mas que surpreendeu na forma como foi mostrado, nos deixando na expectativa até a última linha.

"O rio pode voltar ao passado, trazer coisas à tona e cuspi-las na margem diante dos olhos de todos, mas as pessoas não podem."

Com relação ao projeto gráfico, temos uma capa muito bonita e muito bem resolvida, pois consegue passar o tom melancólico da trama. No miolo temos uma diagramação bem simples, confortável e coesa, apesar dos muitos capítulos curtos. Não encontrei erros de revisão na obra. 

Finalizando, se você quer  algo de suspense, que te prende e te sequestra para dentro da história, tipo séries televisivas como The Killing e Twin Peaks, é essa a sua próxima leitura. Não desista no início um pouco cansativo, a trama trata de assuntos importantes que merecem ser lidos e debatidos, como a pedofilia, o suicídio e a violência contra mulher.

Ficha Técnica

TítuloEm águas sombrias
AutorPaula Hawkins
Título OriginalInto the water
EditoraRecord
Páginas364
GêneroThriller, Policial, Suspense
TraduçãoClaudia Costa Guimarães

Em Águas Sombrias

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Finalizando, se você quer  algo de suspense, que te prende e te sequestra para dentro da história, tipo séries televisivas como The Killing e Twin Peaks, é essa a sua próxima leitura. Não desista no início um pouco cansativo, a trama trata de assuntos importantes que merecem ser lidos e debatidos, como a pedofilia, o suicídio e a violência contra mulher.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de TV. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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