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Resenha | Dumplin’, de Julie Murphy

Dumplin-209x300 Resenha | Dumplin', de Julie MurphyEspecialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e “estou acima do peso e ninguém tem nada com isso” fazem de Dumplin’ um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre. Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo… até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular… e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.

RESENHA

Eu quero ver este livro no cinema!

Com este pensamento reverberando em meu cérebro que fechei as páginas de Duplin’. Julie Murphy, escritora em tempo integral após ter abandonado a profissão de bibliotecária (não sem dor), oferece ao leitor a história de Willowdean – ou apenas Will – uma garota texana gorda, filha da ex-miss e atual coordenadora do concurso “Miss Jovem Flor do Texas” da pequena Clover City, melhor amiga de Ellen e apaixonada por Bo.

Clover City passa alguns meses respirando o concurso e ele é, possivelmente, o que mais de importante acontece na cidade. E ter garotas fora do padrão participando dele está fora de cogitação. Tanto que na ficha de inscrição não há qualquer menção sobre a necessidade de ter determinada altura, ou um limite de peso, nem tampouco qualquer afirmação que “pequenas falhas físicas” possam desclassificar a candidata. Mas ao mesmo tempo que fica claro, intrinsecamente, quem pode se inscrever, se a regra não está escrita, quem disse que Will e as demais amigas “diferentes” não possam participar?

Durante o primeiro terço do livro achei um pouco clichê demais, um tanto de “mais do mesmo” e achei que ele não me encantaria. Até que notei que a história crescia magnificamente e o que estava escrito nas entrelinhas era forte, verdadeiro, emocionante. Me peguei com olhos marejados em inúmeras vezes, e não por ter acabado de ler algo emocionante por si mesmo. Era mais do que isso. Era a percepção da descoberta e do entendimento de um pouco do muito que se passa na mente de quem está fora dos estereótipos determinados pelas pessoas com as quais convivemos. Fatalmente me lembrei com riqueza de detalhes de situações vivenciadas na época de escola que há muito haviam se apagado de minhas lembranças.

Nada é mágico (nem mesmo quando a mágica é o tema em algumas linhas) neste livro. É real, doloroso, mas ao mesmo tempo libertador, por dizer que é preciso pouco para fazer da ‘má impressão’ ou da ‘mágoa justificada’ o caminho para a mudança e autoafirmação.

Um ponto que me chamou a atenção no livro é que pessoas que fogem dos padrões considerados ‘os melhores’ pela maioria são sim taxadas e criticadas pelos que a circundam, mas muito do que enxergam como limites exteriores estão muito presentes lá dentro delas mesmas. A preocupação com o que o outro vai pensar e “o que vão dizer?” é mais forte do que a vontade de fazer o que se quer. Isso permeia a sociedade e limita muitos de nós. E na verdade deveríamos perguntar sempre o que nos faz felizes, independente da crítica dos que estão de fora e nada sabem do que se passa dentro de nós. O que nos leva a escolher cada uma das nossas escolhas.

Em linguagem fluída, divertida e emocionante, Julie Murphy desconstrói o mundo mágico dos concursos que nada mais têm como foco além de comparar as pessoas e as julgar, para escolher a que mais “agrada”, baseando-se em critérios nem sempre justificáveis. Apresenta ao leitor a importância da amizade, do amor, da autoestima e da aceitação de si mesmo. Oferece a que lê uma viagem pela mente de Will, que certamente é gêmea da mente de muitos de nós, independente da idade que tenha.

Sugiro a leitura para quem não se aceita. Sugiro a leitura para quem não aceita o diferente. Sugiro a leitura para quem se acha menos. Sugiro a leitura para quem se acha mais. Equilíbrio, entre erros, acertos, qualidades e defeitos é o que nos faz únicos e inigualáveis. Ninguém é mais, ninguém é menos. Somos, cada um de nós, únicos!

Falei logo acima que queria ver este livro no cinema, e espero que alguma produtora compre seus direitos mesmo. Seria extremamente divertido e inspirador enxergar as peripécias de Will, El, Millie, Amanda e Hannah nas telonas… 😉

Ficha técnica

Autora Julie Murphy
Editora Valentina
Série Dumplin’ – Livro 1
Páginas 336
Gênero YA, Romance, Drama
Ano 2017

Dumplin'

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

Sugiro a leitura para quem não se aceita. Sugiro a leitura para quem não aceita o diferente. Sugiro a leitura para quem se acha menos. Sugiro a leitura para quem se acha mais. Equilíbrio, entre erros, acertos, qualidades e defeitos é o que nos faz únicos e inigualáveis. Ninguém é mais, ninguém é menos. Somos, cada um de nós, únicos!

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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