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Resenha | Dois Mundos, de Simone O. Marques

Dois-Mundos-209x300 Resenha | Dois Mundos, de Simone O. MarquesNum futuro distópico, Marina é uma jovem brasileira que carrega a força e os poderes de três grandes deusas celtas. Ela é aquela que cria, acolhe e mata. Protegida por guerreiros, perseguida por mortais e desejada por deuses, precisa encontrar os míticos tesouros da Tribo de Dana se quiser salvar o que restou do mundo…
Ano de 2021. A Terra está devastada e poucos são os sobreviventes. No Brasil, grupos se reúnem em pequenas vilas em torno da água potável. O oásis neste caos fica na Chapada dos Veadeiros, na Fazenda Tribo de Dana, onde vive um povo guerreiro que acredita tudo ser parte dos planos da Grande Mãe. Neste paraíso vive Marina. Considerada o avatar de três grandes deusas celtas, precisa lidar com poderes diversos de cura, vida e morte. Ao abrir o véu que separa o mundo de mortais e deuses, a jovem liberta antigas divindades. E dois domínios distintos estão prestes a colidir quando ela descobre que detém nas mãos o destino da humanidade.

RESENHA

Estamos num futuro Distópico, ano de 2021, e Marina é uma avatar – como um ‘casulo’ para três grandes deusas, sendo Dana a mais destacada neste livro. Ela é sempre acompanhada pelos Sombras, dois guardiões guerreiros que possuem como missão de vida salvaguardar a integridade da avatar. Ela precisa estar sempre em segurança.

Num outro plano da história acompanhamos Pedro em uma expedição insana – pelo menos sob a perspectiva dos amigos e familiares – ao encontro da Fazenda Tribo de Dana, local onde Marina vive. Por algum motivo, Pedro consegue ver e falar com Marina em determinadas situações. Para encontrá-la ele precisa atravessar diversas cidades devastadas pelas três ondas, que devastaram todo o mundo.

De escrita leve e muito ágil, Simone leva o leitor pela mão por estas páginas de uma forma magnífica. Interessante como é fácil ao leitor se sentir dentro dos ambientes, descritos no ponto certo. Não são descrições longas o suficiente para cansar, nem curtas a ponto de não alimentar a imaginação do leitor. Me senti dentro de cada ambiente, tanto nos bons, floridos e perfumados, quanto nos assustadores, sujos, molhados ou fechados. É preciso lembrar que a  história se passa em dois ambientes distintos, e um deles é extremamente mágico e passa por várias transformações. Portanto, de fato a autora soube fazer o que se propôs a fazer.

Marina, a avatar, é um tanto insegura demais e em vários momentos senti raiva dela. Como se não soubesse do poder que possui. Mas aí é que está. Ela de fato não possui poderes, ela possui é influência das deusas que a habitam, e isso deixaria qualquer um – ainda mais uma bela e delicada jovem – perdido, não é? Quando assumi isso, entendi que ela tem a personalidade que deveria ter mesmo… não havia forma de ser diferente.

Os Sombras foram uma surpresa do meio para o final da leitura. Eu os havia imaginado rapazes, jovens um tanto divertidos e até atrapalhados, mas com um senso de responsabilidade absurdo. Quanto a isso, não restou dúvidas do começo ao fim da obra. Mas quanto à maturidade… tive de reconstruir a imagem formada deles em minha mente (e como isso é difícil). Eles não são rapazes. São homens e senhores de seus atos, ainda que estejam sob forte encanto (nem um pouco mágico, embora tão forte quanto). Enfim, em se tratando de personagens, não se atenha às suas primeiras impressões ao ler esta obra. Você poderá se surpreender.

Este é o primeiro livro da série Tesouros da Tribo de Dana e, como tal, não explica muita coisa nem amarra os fios soltos. É mesmo uma transição de um momento para outro, um embasamento para o que a história realmente quer apresentar. Os tesouros começam a ser mostrados aqui, porém não é esclarecido de nenhuma forma o que fazem ou o que Marina deverá fazer para conseguir todos. Assim como não se sabe porque Pedro precisa tão urgentemente encontrar a avatar e o que de fato ele tem com ela. Este é um aspecto que pode incomodar os leitores mais ansiosos – como eu -, porque são muitas perguntas, muitas mesmo, e praticamente nenhuma resposta. O livro termina sem acabar, e o fato de que a continuação ainda não está publicada chega a dar dor no peito (risos).

Em suma, é uma excelente obra, muito bem escrita e envolvente. Espero ansiosa pela continuação e certamente os demais livros da autora entraram já para a lista do “ler logo”. são títulos de Simone O. Marques: Trilogia As Filhas de Dana, Série Sabores do Sangue, as Crônicas do Reino do Portal, além, é claro, da série Os Tesouros da Tribo de Dana. Certamente são obras que merecem ser lidas.

A edição da Butterfly Editora é simples, mas cuidadosa. Encontrei raríssimos erros de revisão que em nada atrapalharam a leitura. As páginas em amarelo pólen ajudam no conforto da leitura, as imagens nas transições de capítulos oferecem graciosidade à obra. Só faço uma ressalva quanto às margens, que são um pouco menores do que as ideais. A história fala ao consciente, ao imaginativo e às sensações do leitor. Mas a diagramação fala ao nosso inconsciente, e margens estreitas passam a informação de: livro denso e difícil de ler, o que não é realidade nesta obra.

Recomendo a leitura de Dois Mundos – Tesouros da Tribo de Dana. Mais uma vez uma publicação da Butterfly Editora que merece elogios. Sem dúvida sabe escolher bem em que obras apostar! Parabéns!

Dois Mundos

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

De escrita leve e muito ágil, Simone leva o leitor pela mão por estas páginas de uma forma magnífica. Interessante como é fácil ao leitor se sentir dentro dos ambientes, descritos no ponto certo. Não são descrições longas o suficiente para cansar, nem curtas a ponto de não alimentar a imaginação do leitor.

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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