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Resenha | Doadores de Sono, de Karen Russell

Doadores-de-Sono-Blog-EscrevArte-202x300 Resenha | Doadores de Sono, de Karen RussellTítulo: Doadores de Sono

Autora: Karen Russell

Editora: Record

Páginas: 168

Gênero: Ficção Científica, Suspense

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Quando pesadelos são reais, dormir é um privilégio…

Uma epidemia assola os Estados Unidos. Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando ela é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

RESENHA

Trish Edgewater é uma recrutadora para as Estações de Sono. Elas existem porque, depois de uma epidemia que começou como toda e qualquer epidemia – caso a caso, até que todos passam a perceber que há casos demais – as pessoas simplesmente deixaram de dormir. Aquilo que conhecemos hoje como insônia se transformou numa doença e chegou a patamares jamais imaginados. As Estações de Sono chegam para oferecer solução – para alguns casos – ou alívio – para tantos outros. Em suma, as Estações de Sono são cabines onde os doadores, pessoas que ainda conseguem dormir e, principalmente, possuem um sono leve e tranquilo sem a sequer sombra de um pesadelo, passam a noite. Enquanto dormem, máquinas sugam o precioso líquido negro que poderá ser transferido para os insones. Existem casos de cura com uma única dose, e existem casos em que o insone precisa de doses frequentes.

Quando descobrem que bebês, com seus sonos imaculados e sem manchas, podem ser doadores sem que a sua qualidade de vida possa ser prejudicada, a equipe descobre o Bebê A. Com um sono ainda mais limpo e mais, digamos, potente que qualquer outro já coletado. Ela possui uma capacidade única de cura! Será que a salvação chegou?

Mas, ao mesmo tempo que se comemora esta descoberta repleta de esperança, Trish e toda a equipe se vê às voltas com dois grandes problemas. Um deles é a crescente preocupação do pai da Bebê A quanto às necessidades cada vez maiores de seu sono, se ele proibir que ela seja uma doadora muitos sofrerão. O segundo é a entrada de um sono “contaminado” em seus dados, através do Doador Q… Seu sono gera pesadelos fortíssimos nos receptores, chegando a gerar suicídios, e grupos de pessoas que simplesmente se recusam a dormir.

Bom. A trama do livro é muito boa, a ideia é original e realmente assusta. Já passei por momentos de crise de insônia e posso dizer que, de fato, é um tanto quanto assustador passar várias noites em claro, conseguindo somente pequenos momentos de sono sem qualidade. Fiquei imaginando como seria ficar dias seguidos sem conseguir um só minuto de sono profundo… Como seria doloroso morrer por falência múltipla dos órgãos simplesmente por não conseguir dormir…

A proposta também de doação de sono remete a discussões às dezenas, acerca do futuro da humanidade, quando várias literaturas distópicas indicam que a saída sempre perpassa pela colaboração, ajuda mútua, companheirismo… doação.

Pois bem, tudo isso é plano de fundo mais do que fantástico para uma obra, mas infelizmente ao meu ver a autora não aproveitou em sua totalidade a ideia… Apesar de ser um campo muito frutífero, a história toda se prende à família da Bebê A, as situações que envolvem sua doação, o tal misterioso doador Q e as consequências que seu sono gera nas pessoas. é meio que um tanto repetitivo, parado… Com este título, a chamada de capa (Quando pesadelos são reais, dormir é um privilégio) e este enredo eu esperava mais da obra. Bem mais.

Os personagens em si são bem trabalhados, a história toda é narrada em primeira pessoa por Trish e é bem clara suas angústias, a necessidade que tem de justificar sua busca por doadores a partir da morte da irmã, e suas relações com os demais personagens. Também absorvi bem a personalidade dos pais da Bebê A e seus comportamentos. São comportamentos díspares, mas que refletem bem o que poderia ser real, numa situação como esta.

Há, já mais para o final da obra, uma inserção de conspiração que, para mim, foi um tanto malfadada e que precisaria ser mais desenvolvida. A mim soou como que uma fratura exposta tratada com Merthiolate. Muito superficial para algo que é um problema extremamente sério.

Enfim, como disse, a trama em si é muito boa, a ideia fenomenal e existem muitos pontos interessantes na história e seu desenrolar. Porém, talvez por eu ter ido com muita sede ao pote, a forma que a autora escolheu para desenvolver a ideia não me agradou e me deixou insaciada… Como que se faltasse algo nestas páginas…

O projeto gráfico é muito bom, não encontrei erros de tradução e/ou revisão, a capa retrata muito bem cenas da história, a fonte é em tamanho um ponto maior que o comum, oferecendo uma leitura fluída e rápida. Como sempre, a Record preza pelo cuidado, sem excessos ou ‘frescuras’.

Não sei dizer se a história teria continuação. Caberia, porque não há esclarecimento acerca de muitas coisas, embora seja praxe em ficção científica que muita coisa fique sob a responsabilidade do autor em tirar suas próprias conclusões… Mas de qualquer forma, eu leria a continuação para tentar fechar algumas lacunas e, quem sabe, entender os motivos da autora por tomar os caminhos que tomou.

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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