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Resenha | Cidade dos Fantasmas, de Daniel Waters

Cidade-dos-Fantasmas-blog-EscrevArte-209x300 Resenha | Cidade dos Fantasmas, de Daniel WatersTítulo: Cidade dos Fantasmas

Autor: Daniel Waters

Editora: Jangada

Páginas: 304

Gênero: Suspense, Mistério

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinope (Fonte: Skoob) Após uma catástrofe que matou milhões de pessoas, uma fenda se abre entre as dimensões e as cidades passam a ser assombradas por fantasmas. Verônica não passa um dia sem ver um fantasma, mas eles não a assustam. Porém, os fantasmas estão ganhando força e começam a aparecer com muito mais frequência. Ela e seu colega de classe Kirk, investigam por quê e descobrem uma história sinistra: August, seu professor de história, não se conforma que a sua filha não voltou do mundo dos mortos como fantasma e acha que para isso acontecer ela precisa primeiro se apossar de um corpo, e que Verônica é a pessoa certa para abrigar o espírito da filha. Mesmo que esteja errado, que mal há em criar mais um fantasma, se já existem tantos!

RESENHA

Lendo o título original “Break my Heart 1000 Times” do escritor Daniel Waters, pensei que seria uma estória de amor sentimental sobre uma garota que buscava um rapaz para retribuir seu amor eterno… Mas estava errado. Quando percebi que a leitura era uma estória de fantasmas, fiquei imediatamente viciado na leitura. A tradução do título em português “Cidade dos Fantasmas” faz jus ao conteúdo fantasmagórico da obra!

Situada num mundo nebuloso próximo ao futuro “Cidade dos Fantasmas” prevê um mundo depois que um vago “Evento” mata milhões de pessoas e muitos de seus fantasmas retornam para assombrar os vivos. Verônica Calder acorda todas as manhãs para ver o fantasma de seu pai bebendo seu café e lendo o jornal. A visitação, como a maioria dos outros, dura apenas um curto período de tempo e revisita o mesmo momento diariamente. Ninguém sabe se as assombrações são espíritos reais ou simplesmente imagens fantasmagóricas da vida de uma pessoa que se reproduzem como uma gravação.

As reações aos fantasmas variam. Verônica está intrigada enquanto seu melhor amigo está morrendo de medo – outros ainda são enlouquecidos pelas aparições. Verônica não sabe, mas um homem obcecado com a ideia de trazer sua filha morta de volta à vida, decidiu que Verônica é o recipiente perfeito para sua ressurreição. Em breve será 29 de fevereiro, aniversário de Verônica e um tempo em que a ligação entre este mundo e o deles está mais fraca… É quando ele vai executar seus planos…

A narração de “Cidade dos Fantasmas” é muito boa quando se trata de elementos mais assustadores porém, os fantasmas nunca são um fenômeno totalmente explicado, o que às vezes é frustrante, mas quando eles se desviam de seus padrões de conjunto é verdadeiramente arrepiante. Waters acrescenta o elemento incomum de contar parte da história a partir da perspectiva de um fantasma e, embora seja um dispositivo interessante, não oferece uma grande visão sobre as visitas fantasmagóricas… Talvez isso faça perder um pouco na narrativa geral, já que os fantasmas são a parte mais intrigante desta história.

Verônica é uma protagonista diferente. No início ela é uma personagem simpática, namoradeira e uma amiga leal. Ela também é inteligente e curiosa. Mas quando a estória avança e Verônica encontra um rapaz que a interessa realmente, torna-se petulante e mimada quando não consegue aquilo que quer. Seu relacionamento com Kirk parece muito superficial porque ela parece mais interessada no fantasma do rapaz que assombra seu banheiro e trata Kirk apenas como uma conveniência.

Por outro lado, Waters foi muito feliz na maneira em como ele lidou com os personagens adultos. Em vez de torná-los estúpidos ou fora da realidade, ele deu-lhes personalidades distintas que variaram de estranho para aterrorizante. Como a maioria dos adultos, são um pouco mais desajustados que os personagens mais jovens, mas Waters os constrói como ardilosos, mesmo quando são irritantes e maus.

A sucessão de eventos é bem construída quando se concentra nos fantasmas, mas perde força porque o tal “Evento” que os manteve no mundo nunca é explicado. O evento é minimamente descrito e se concentra em como os personagens reagem aos fantasmas. No entanto, frustra um pouco o leitor…

Um detalhe legal: Waters aborda a ideia de uma vida após a morte, sabiamente evitando falar muito sobre essa questão. Também seduz os leitores com um comportamento fantasmagórico que às vezes parece estar ciente do mundo mortal, ao mesmo tempo que indica que nem todos os fantasmas têm algum tipo de consciência.
Gostei desse aspecto particular porque permite ao leitor chegar a suas próprias conclusões e não ofende qualquer sistema de crenças em particular.

Sobre o trabalho gráfico da Editora Jangada, as folhas são amareladas e os capítulos numerados de uma maneira muito bacana (vale a pena ver!). A leitura é rápida e a capa interessante!

 

Sobre Pedro Moraes

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