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Resenha | As altas montanhas de Portugal, de Yann Martel

91FT3LZKL-199x300 Resenha | As altas montanhas de Portugal, de Yann MartelTrês jornadas, três corações partidos e uma pergunta: O que é uma vida sem histórias?
Mais de quinze anos após o lançamento de As Aventuras de Pi, Yann Martel retoma sua linguagem que mistura humor e tragédia e seu inegável talento em conectar a narração com a fé para nos levar em uma nova jornada. As Altas Montanhas de Portugal apresenta três histórias, separadas por décadas no tempo, conectadas pela dor do luto de seus personagens, em uma metáfora que ilustra a trajetória de uma vida e sua constante busca por um sentido para a existência.

RESENHA

Se eu tivesse que definir esse enredo em uma única palavra, esta seria: PERTURBADOR. Mas não um “perturbador” ao estilo dos livros de terror ou de suspense, e sim ao estilo que vai de encontro aos nossos próprios medos, princípios, doutrinas e crenças. Abala as estruturas das nossas opiniões pessoais.

É um livro de inúmeras alegorias e metáforas (assim como o Novo Testamento), e muitas delas nada ortodoxas. Todo o livro, em minha ótica, parece uma parábola mais extensa sobre situações e sentimentos puramente humanos. Consegui enxergar a Santíssima Trindade, a morte e o céu retratados de forma bastante particular pelo autor, assim como o significado daquilo ao qual todo ser vivo é fadado: o fim. Retrata o luto (e os subterfúgios que o ser humano encontra para encará-lo), a perda e a vida de forma bem escrita, de fácil entendimento e por vezes angustiante.

“Maria crê fervorosamente na palavra falada. Para ela, escrever é como preparar uma canja e ler é tomá-la, mas somente a palavra falada constitui o frango assado completo”

Tem personagem que, por causa de seu luto, se recusa a olhar para a vida de frente, assim como personagem que quer voltar para a casa em que sempre viveu, no peito do amado. Há aquele tipo que procura consolo em seu animal de estimação, e também tem aquele que delira em seu luto e se deixa levar, sem saber o que mais é real. Mas em todos eles podemos enxergar um fator em comum: a perda não superada.

É uma leitura um pouco mais lenta, pois nos exige um pouco mais de concentração na filosofia do que o autor quer passar. Vale a pena a leitura especialmente pelo exercício que ele nos emprega ao tentar nos fazer compreender o que tem por trás de suas tramas muito bem trançadas.

“A fé é grandiosa, mas nada prática: como se pode viver uma ideia eterna na vida cotidiana? É muito mais fácil ser razoável. A razão é prática, sua recompensa imediata, seu funcionamento claro. Mas, infelizmente, a razão é cega. A razão, sozinha, não nos leva a lugar nenhum, especialmente em face da adversidade.”

Com relação a parte física do livro: capa muito bem pensada, com diagramação de bom gosto. Folhas amareladas e letras de tamanho médio, facilitando a leitura. Minha única ressalva seria que nas orelhas do livro tem muita informação, podendo o conteúdo ser mais sucinto, até para gerar mais expectativa a respeito da história.

E você, já leu ou ficou com vontade de ler? Deixa um comentário e nos conta!

Ficha Técnica

Autor Yann Martel
Editora Tordesilhas
Páginas 312
Gênero Romance, Fantasia, Quotidiano, Drama

As altas montanhas de Portugal

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito bom!

Se eu tivesse que definir esse enredo em uma única palavra, esta seria: PERTURBADOR. Mas não um “perturbador” ao estilo dos livros de terror ou de suspense, e sim ao estilo que vai de encontro aos nossos próprios medos, princípios, doutrinas e crenças. Abala as estruturas das nossas opiniões pessoais.

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