Resenha | Alec Dini, de F. R. Pan

Alec-Dini-1-199x300 Resenha | Alec Dini, de F. R. PanQuando o jovem Alec Dini é misteriosamente transportado ao futuro, ele não faz ideia dos perigos que o aguardam: seu vilarejo está em ruínas, e ele e seus amigos são agora caçados por um clã de guerreiros que busca a todo custo obter o estranho poder que o menino carrega consigo. Quais serão os desafios e segredos que eles terão de superar para voltarem ao seu tempo?

Alec Dini e o Vórtice do Tempo é uma história de magia, amizade e coragem onde diversos elementos dos mitos arturianos e celtas do Reino Unido, Irlanda e França são introduzidos ao público infantojuvenil brasileiro. Embarque nessa fantasia que reúne aventura, suspense e folclore em uma narrativa capaz de conquistar crianças, adolescentes e adultos.

RESENHA
Alec Dini é um menino que, juntamente aos seus três amigos (Evan e as gêmeas Luna e Nessa), mora em um vilarejo humilde de uma cidadela na Ilha Branca, um lugar rodeado de muitas lendas e mistérios. Em uma noite como qualquer outra, Alec sonha que está perdido em uma floresta, onde mora um corvo um tanto quanto peculiar, que além de entender o que ele fala, é dono de uma pelagem totalmente branca. O animal então dá sinais de que quer ajudá-lo a sair daquele lugar, estimulando Alec a segui-lo. Ao fazer isso, Alec não sabe, mas está sendo levado a um misterioso lago, onde acaba encontrando dentro dele não o seu reflexo, mas o reflexo (ou seria um ser que mora no lago? Fica aí o mistério) de um senhor já muito velho, de olhos amarelos e penetrantes.

No dia seguinte, quando acorda, continua sua rotina normal, mas ainda se sente perturbado com o sonho, e mais tarde, enquanto espera as gêmeas Luna e Nessa chegarem, conta sobre o acontecido a seu amigo Evan, que é um aficionado pelas lendas do local. Evan, como talvez qualquer um faria, não leva o sonho muito a sério, apesar de acreditar que sonhos podem ter significados.

No momento em que as meninas chegam, todos partem para uma caçada na floresta, onde encontram um cervo que acreditam poder caçar. Os meninos e meninas ficam tão concentrados nesse objetivo que esquecem de observar o que está acontecendo na floresta naquele momento.

De repente, escutam um barulho (seria um assobio?) que chama suas atenções de volta a floresta, e se veem rodeados por lobos. O grupo de amigos agora passa de caçadores a caça e não sabem como vão escapar dessa. Alec então é atraído por um rastro luminescente de luz esverdeada que paira no céu já escuro daquele dia, e por algum motivo sente que deve seguir aquele rastro. Sem muitas opções a vista, os amigos saem correndo guiados por Alec na direção dessa luz verde, que somente ele enxerga.

Ao final do trajeto feito por essa luz, o grupo encontra um casebre muito antigo, e decidem se abrigar nele para se esconderem dos lobos. Ao entrar, veem que o local está sem seu morador, mas descobrem que o casebre guarda relíquias muito distintas e talvez valiosas. Os amigos então voltam para seu vilarejo com muitas perguntas não respondidas e uma espada quebrada que encontraram no esconderijo.

De manhã, Alec se vê intrigado com todas essas questões, principalmente com a luz esverdeada que só ele parece enxergar. Ao sair para lavar as roupas da família em um lago próximo à sua casa, ele novamente vê essa luz, e fica fascinado ao descobrir que ela agora está em fluxo para dentro do lago. Sua curiosidade lhe vence e ele nada até esse fluxo, esperando encontrar respostas a sua grande pergunta: o que está acontecendo comigo?!

OPINIÃO DA RESENHISTA

Com influências e estilo que lembram histórias já consagradas, Alec Dini está longe de ser somente mais um livro. Em vários momentos, a Ilha Branca me lembrou muito Nárnia com seus seres míticos, e a Alagaesia de Eragon e Safira. O corajoso Eoghan me lembrou o querido Aragorn da Terra Média de O Senhor dos Anéis, e as crianças com sua inegável cumplicidade tem traços do nosso Trio de Ouro de Hogwarts. Todo o conjunto da obra, com lendas, espadas e suspense de prender a respiração, nos coroam com certa semelhança a tudo o que já ouvimos falar ou lemos a respeito do Rei Arthur.

“Descreva um homem apenas como ele é, e ele nunca será nada mais do que um mero mortal. Faça dele um mito, e ele não estará mais restrito às leis da carne, nem ao confinamento temporal designado a ele. Uma vez deixado aos caprichos da imaginação humana, ele se tornará uma força incrivelmente superior. Um símbolo apenas fortalecido pelo tempo.”

O autor escolhe começar em um ritmo mais corriqueiro, nos apresenta os personagens, desenvolve as personalidades junto com a amizade entre eles e a partir daí começa a desenrolar o seu enredo, onde o seu personagem principal tem um sonho para lá de esquisito, iniciando assim a aventura.

“A paz sempre estará com você, se estiver disposto a encontrar o melhor caminho até ela”.

Com sua linguagem crua, bem colocada e por vezes inocente, adicionada de magia e fábula celto-galesa, o autor nos presenteia com um enredo infantojuvenil como deve ser, com amizade, lealdade, coragem e motivos para lutar. Posso dizer também que o prólogo e o epílogo nos revela um pouco do sentimento que pode ter influenciado a história, e pra quem um dia pensou em escrever um livro, é aquele estímulo à alma do escritor que há em nós.

“Pureza em seu coração, força em suas mãos, consistência em sua língua – Anu recitou o mote dos Fianna. – Seja forte por todos nós, Eoghan.”

Edição e diagramação do livro: são muito boas, com páginas amareladas e nos dando logo de cara um mapa da Ilha Branca colorido. Outra coisa que gostei bastante foi que no começo de cada capítulo, temos uma imagem no topo da página que nos introduz ao que o capítulo vai nos contar. Excelente!

E como se não bastasse, no final descobrimos que é uma SAGA! Isso mesmo que você leu! Mal posso esperar para as próximas aventuras na Ilha Branca.

Alec Dini

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito bom!

Com sua linguagem crua, bem colocada e por vezes inocente, adicionada de magia e fábula celto-galesa, o autor nos presenteia com um enredo infantojuvenil como deve ser, com amizade, lealdade, coragem e motivos para lutar. Posso dizer também que o prólogo e o epílogo nos revela um pouco do sentimento que pode ter influenciado a história, e pra quem um dia pensou em escrever um livro, é aquele estímulo à alma do escritor que há em nós.

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