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Resenha | A Volta do Pequeno Príncipe, de Luciula Soares

a_volta_do_pequeno_principe_capa_final-300x300 Resenha | A Volta do Pequeno Príncipe, de Luciula Soares

A autora, carioca, escreveu o livro aos vinte e tantos anos, por saudade do Pequeno Príncipe. Seria um reencontro com um mundo onírico ou uma catarse de sua nostalgia. Não sonhava aproximar-se da qualidade da obra originária, mas, ao menos, poder captar-lhe o espírito.

Guardado por muitos anos, era revisitado, de tempos em tempos; e sentia sempre o mesmo prazer em revê-lo.

Alguns amigos aconselharam-na a publicá-lo, mas não se inclinava a tanta audácia. Diante da insistência, procurou informar-se desta possibilidade e soube da necessidade de aguardar 70 anos, após o falecimento do autor da obra originária, o Pequeno Príncipe, para poder utilizar a personagem.

Não obstante suas dúvidas quanto à conveniência da publicação e de seu atrevimento, decidiu aguardar que o tempo trouxesse a resposta.

Enfim, passados 50 anos, vencida a covardia e assumindo a ousadia, decidiu expor-se e tentar trazê-lo de volta.

RESENHA:

O clássico “O Pequeno Príncipe”, que é o terceiro livro mais traduzido do mundo, contabilizando aproximadamente mais de 160 idiomas, e um dos mais vendidos por todo o planeta, é uma história que habita nos corações de seus leitores. Antoine de Saint-Exupéry, autor dessa belíssima história, nos relata sobre a amizade de um principezinho que morava num asteroide e um homem frustrado pela incompreensão das pessoas sobre seus desenhos.

De forma encantadora, o autor nos envolve com essa obra que tem um teor filosófico, e muitas vezes, poético, deixando a todos curiosos a saber a continuação sobre essa história.

E de forma cativante, a autora Luciula Soares retoma, depois de tantos anos, “A volta do Pequeno Príncipe”, relatando o que tivera acontecido quando este retorna à Terra.

A princípio, o protagonista está triste e cabisbaixo, sentindo-se culpado e doído por sua flor não ter sobrevivido a tanto tempo. Passeando por seu asteroide, buscando motivação para voltar a sorrir, o Pequeno Príncipe se depara com momentos em que deve fechar os olhos e relembrar os episódios ocorridos:

| ‘Era preciso ver com o coração’.

Tentando encontrar o corpinho de sua flor, procurando uma só pétala sequer que pudesse guardar de lembrança, o protagonista mais tarde  descobre:

| ‘Nosso cofre mais forte é o próprio coração’.

Depois de sua viagem, seu asteroide começa a ser muito visitado, e o Principezinho se depara com diversas situações que lhe servem de aprendizado para seu amadurecimento pessoal. Ao encontrar-se por fim, com um beija-flor que tantas coisas lhe ensina sobre sua independência, ciúme, exagero, indiferença; os problemas que a vida nos apresenta sobre nossa responsabilidade de viver e intervir, e tantas outras questões que nos levam a refletir.

Com um final envolvente e belas ilustrações, é um livro que nos deixa mais uma vez uma coletânea de frases poéticas que nos inspiram e uma história que nos deixa uma maravilhosa sensação nostálgica. “A volta do Pequeno Príncipe” é uma brilhante “releitura” da obra de Exupéry, construída captando muito do espírito da obra original, que deve agradar a quem tanto desejava um desfecho a altura.

Na parte técnica, o livro é bem diagramado, com uma boa disposição das ilustrações, onde tem seu estilo próprio, mas nos remetendo bastante à obra de Antoine. A capa, de forma simples e sucinta, capta a essência da obra. Os capítulos muito bem discriminados, a fonte bastante legível e sem erros ortográficos aparentes.

***

Ficha Técnica:

Título A Volta do Pequeno Príncipe
Autora Luciula Soares
Editora Chiado
Páginas  70
Gênero Literatura Juvenil
Ilustração Luciula Soares

 

A Volta do Pequeno Príncipe

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito bom!

Elaborada de forma ousada, autêntica e encantadora! Ótimo livro!

Sobre Nanah Monachele

“Designer, professora e futura pedagoga. Noiva. Apaixonada por sorrisos, pessoas, músicas (principalmente rock) e LIVROS.
Eterna aprendiz. Sou daquelas que acredita que só há uma lei que resolve muitos problemas: a LEI-TURA”.

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