Poema | As mínguas da vida, por JulioScarm

AS MÍNGUAS DA VIDA

ODRA740-300x225 Poema | As mínguas da vida, por JulioScarm

As mínguas da vida, um vai e vem de outrora,
Mas cedo o dia se pôs para mim,
Agora parte-se a ante hora.
O princípio que domina, devora…
E nessa guerra, até Deus recrimina e manda matar,
Eu corro pela ante hora.

Mais cedo a polícia matou o seu Antônio,
Esses dias foram quatro amarrados ao poste.
Espancados até a morte, foram encontrados com quatro recados junto ao corpo pendurado.
O primeiro dizia, “Preto e ladrão”, o segundo, “Sou travesti, não gente”, o terceiro, ” Preto e macumbeiro”, e o quarto foi para uma menina de 15 anos, que fora brutalmente estuprada e também amarrada ao poste, este dizia, ” Vagabunda da família”.

As mínguas da vida,
Uma hecatombe descomunal,
O princípio da paz, padeceu ontem ferozmente,
Quem não devora, é destroçado ferozmente,
O dia vem se pondo cada vez mais cedo,
E eu caminho pela ante hora.

De desilusão em desilusão, mingua-se a vontade de viver do povo…
E lá se vai mais um corpo pela terceira ponte,
Como o de costume, mais um desempregado.
O governo vira a cara, e volta a boquetear grotescamente o patronato nacional,
A mídia se esconde dentro de seu cinismo astuto e hipócrita,
Eu corro pela ante hora.

As mínguas da vida,
É tempo de fascismo,
As catacumbas malditas se abriram,
Os ruminantes da antidemocracia, devoram na noite descomunal.
É sempre da mesma forma, remonto á Alemanha…

Mais uma vida se vai,
A democracia escorre pelos meus pés, e junto se vai o sangue dos pretos irmãos…
E assim, vai-se a vida, minguando pelo ralo do ódio com desdém,
Eu corro pela ante hora,
Eles me matam na contra nação.

Por JulioScarm

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

Deixe uma resposta

Loading Disqus Comments ...
Loading Facebook Comments ...
Pular para a barra de ferramentas