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Resenha | Palavras de Rua, de Felipe Saraiça

393686307-203x300 Resenha | Palavras de Rua, de Felipe SaraiçaTítulo: Palavras de Rua

Autor: Felipe Saraiça

Editora: PenDragon

Gênero: Drama

Compre na pré-venda

Sinopse (Fonte: Site da Editora) João saiu de casa ainda adolescente. Fugiu sem se despedir e sem muita coisa na mochila. Deixou para trás suas poucas lembranças, mas levou as marcas do passado e dos golpes que ainda doíam. Partiu sem rumo ou direção. Seguiu por ruas e estradas desconhecidas, até que seu corpo ficou exausto e teve que parar. Ali dormiu olhando as estrelas em cama de concreto e cobertor de papelão. Acordou outro alguém; morador de rua, sem história, marginal. Tornou-se invisível. Passou a estender a mão e pedir moedas, mas recebeu em troca chicletes mastigados e olhares de desprezo. Porém, entre rostos desconhecidos e olhares vazios, ele também encontrou a bondade e abrigo daqueles que nada tem.

RESENHA

Diariamente nos deparamos com moradores de rua e estes personagens de nossa história – sim, de nossa história porque todos pelos quais cruzamos em nossas vidas causam algum tipo de mudança ou impacto em nós, por menor que seja – são sempre enigmáticos. Sempre tento imaginar o que há por trás da história de cada pessoa. Sempre tenho muito claro em meu entendimento que ninguém é mau por natureza e que ninguém em sã consciência escolhe viver de determinadas formas. Sempre analiso que caminhos cada pessoa traçou e trilhou para chegar onde está… Definitivamente moradores de rua me são enigmáticos…

E é justamente deste “porquê” que trata o livro de Felipe Saraiça. Com uma linguagem clara e fluída, o autor nos insere dentro do dia a dia de um morador de rua. E nos mostra que eles são muito mais do que sua condição de “sem teto”. O fato de morar nas ruas não os rouba a capacidade de serem criativos, talentosos, amorosos. Também carregam os traumas do que foi uma infância difícil assim como qualquer um de nós pode carregar. Também amam. Também aguardam o gesto de reconhecimento e de amor daqueles com os quais cruzam o caminho. Olhando mais de perto, o teto – ou a falta dele – não os torna tão diferentes assim de mim ou de você, confortavelmente sentado em sua cadeira lendo estas palavras.

João saiu de casa muito cedo, depois de vivenciar situações tensas em casa e depois de uma “solicitação” de sua mãe. Nas ruas encontra compaixão, dor, repulsa, amor, amizade, intolerância, guerra e paz. Precisa lidar com os mais diversos tipos de pessoas e com isso aprende a reconhecer em pequemos gestos o que se pretende.

Gostaria de ressaltar alguns pontos fortes desta história:

Generosidade: A generosidade ainda é um dos sentimentos mais belos e cativantes que o ser humano é capaz de experimentar. Mesmo que todo o resto seja escuro, se houver um gesto de generosidade em nossa vida, tudo passará a ter sentido.

Força: João, ainda que vivendo sob condições insustentáveis, nunca “perdeu tempo” com queixas e lamentos pedantes. O autor conseguiu criar um personagem forte, que aprendeu com as durezas da vida. Fez de seus traumas mecanismos de ação. Se você e como eu e não tem paciência com quem tem pena de si mesmo, pode ler sem medo.

Amor: O amor, ainda que não demonstrado e escondido no mais fundo da alma, ainda é o sentimento que move as pessoas. Sem amor, não chegamos a lugar nenhum. Não há dor que seja mais forte que o amor. Ah, e ele pode se revelar de diversas formas.

Talento: Incrível como o talento e as capacidades humanas se sobrepõem às falhas e se desenvolvem mesmo no ambiente mais árido. É assim que João é retratado, é assim  que as pessoas são. Se as olharmos de perto, veremos muito talento escondido.

Tem de ter por quê? Nestas páginas você vai encontrar algumas atitudes que podem te surpreender, principalmente se você vive muito atarefado e ocupado com sua vida pessoal (sem julgamentos, cada um sabe “onde o calo aperta”). Vai ver atitudes que vão te chamar atenção também pelo lado negativo, mas é engraçado que nem sempre fazer o mal sem motivo aparente assusta menos do que o bem sem querer nada em troca. Quando a dúvida te assaltar, quando você se perguntar “mas por que ele fez isso?”, responda para si mesmo: Não precisa de motivo… simples assim.

Enfim, convido você a ler esta história. Leia até o final – inclusive, por favor, LEIA ATÉ O FINAL. Não é uma história nova, nem retrata coisas nunca vistas no seu dia a dia. Não é surpreendente. Mas é uma história cativante, emocionante, envolvente, com um desfecho delicioso e bastante real. Este tipo de história precisa ser lida para que nós possamos nos lembrar sempre que somos humanos, e o que nos torna especiais sobre este chão é somente a capacidade de termos empatia, de nos colocarmos no lugar do outro. Vivenciar as páginas de Palavras de Rua nos ajuda a resgatar o humano que o dia a dia, os problemas e a correria enterra dentro de nós. Leia. Conheça João. Faça esta experiência.

O Escrev’Arte teve acesso em primeira mão ao conteúdo integral deste livro, que ainda está em pré venda. Portanto não podemos nos posicionar quanto à edição, mas sem dúvida a PenDragon está fazendo um trabalho à altura da emoção contida nesta história. 😉

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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