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Resenha | Os dois mundos – O Arauto, de L. N. Arantes

Os-Dois-Mundos-O-Arauto-200x300 Resenha | Os dois mundos - O Arauto, de L. N. ArantesTítulo: Os dois Mundos

Série: O Arauto – Livro 1

Autor: L. N. Arantes

Editora: PenDragon

Páginas: 406

Gênero: Fantasia Épica

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Um membro da Guarda Sagrada de Nistia desapareceu no Norte, terra profana e hostil. Para mostrar força perante os inimigos, um sábio clérigo do conselho convence os companheiros de que as antigas tradições do Livro Guia, que no passado os resguardava, devem ser novamente seguidas. O Grão Sacerdote, líder político e espiritual máximo de Ghandar é contrário aos velhos costumes, pois entende que deles advém apenas o mal, o que enfraquece sua liderança entre os conselheiros, que apoiam as tradições do Livro Guia.
Um jogo de intrigas, conspirações e desejos de poder tem início. No meio dele é inserido um jovem paladino, que acima de tudo anseia ser membro da Guarda Sagrada, uma classe de guerreiros paladinos com o propósito de defender o clero.
Seu objetivo é viajar para o Norte, e descobrir o ocorrido com seu irmão da Guarda Sagrada. Contudo, ele não sabe das armações por detrás de sua missão, nem conhece o ódio que o sábio clérigo e o Grão Sacerdote nutrem um pelo outro, o ódio que gerou sua escolha para desempenhar essa jornada mortal.

RESENHA

Uma história bem elaborada, sem economia na inserção de elementos, seres, situações, povos, lugares incríveis e muita, muita intriga. Os dois Mundos é, sem dúvida, um livro proveniente de uma mente criativa e repleta de ideias. Leitura indispensável para os amantes do gênero fantasia épica. Tem tudo o que buscamos no gênero, com uma vantagem: não é de entendimento complexo. Possui muita informação, mas o autor consegue inserir as informações de tal forma que tudo soa claro e objetivo na mente do leitor.

Há um golpe de estado acontecendo em Ghandar. O Grão Sacerdote, líder político e espiritual desta terra está sob forte ameaça a partir das intrigas e conspirações de um dos membros do conselho. Ao mesmo tempo um membro da Guarda Sagrada desaparece no Norte, em terras longínquas e que supostamente está se preparando para alguma ação contrária aos desejos de Ghandar. Um jovem paladino é enviado para estas terras em busca do desaparecido. A história toda se desenrola na saga do paladinho – O Arauto – a terras e mundos absurdamente adversos dos que ele conhece. Há muita traição, há muita artimanha, há muita magia e seres diversos. Posso dizer que nada é o que parece nestes mundos e atitudes.

O autor, como eu citei acima, é sem dúvida uma mente inventiva. A história se desenrola de forma que o leitor vive diversas emoções, desde indignação e raiva até calafrios e ansiedade. Os cenários são ricamente descritos. Como o paladino viaja por várias terras e encontra caminhos bem difusos, o leitor se sente de verdade numa viagem de vistas e terrenos dos mais incríveis.

Apesar de possuir leitura fácil e interpretação clara, não posso dizer que o livro é fluído em sua totalidade. Existem momentos de embate e de dificuldades extremas que nosso protagonista vive que as páginas passam com rapidez, gera uma leitura desesperada até, tamanha ansiedade que gera no leitor. Porém em outros momentos de descrição a leitura passa a carregar um certo marasmo. Algumas páginas seguidas de relato sequencial sem quebra de parágrafos dá a sensação de que as páginas demoram muito a serem passadas. Mas para todos os momentos fluídos e ansiosos do livro, deixo uma dica: nunca ache que já aconteceram problemas suficientes, que aquele embate que você está lendo é o mais alto grau e que em seguida tudo dará certo. Neste livro nem sempre esta é uma verdade. Nada disso… Nada é tão ruim que não possa piorar…

O paladino é um personagem bem elaborado, que começa como um jovem que aceita um desafio muito maior que suas capacidades levado pela ânsia de provar sua força e coragem, e segue num crescer visível e palpável. Vai e volta em desafios que o amadurecem e moldam seus pensamentos e ações. Embora ele demore um pouco para entender que tanta coisa acontecendo não possa ser simples coincidência, ele não toma (pelo menos não sempre) atitudes que demonstram muita imaturidade ou ingenuidade. Bacana esta construção de um guarda jovem, porém corajoso e forte o suficiente para encarar os desafios pelos quais passou.

O velho Lhissar observou os magnéticos olhos castanhos de Mordrel e sentiu-se amparado. Eram um jovem rapaz, talvez não tivesse vivido mais de vinte verões, que pouco conhecia da vida, mas que se mostrava um verdadeiro paladino, pois sabia o que dizer nas piores ocasiões. Percebera em suas palavras todos os seus próprios sentimentos, os sentimentos que o tempo cuidou como uma fantasia não realizável; compreendera que seu medo era tanto, que às vezes sentia vontade de não tentar.

Ainda sobre personagens, posso dizer que me tornei fã do Grão Sacerdote! É preciso ser sempre bom, é preciso dar valor às tradições, é preciso sempre aprender com os erros do passado e usá-los a seu favor, mas também é sempre importante ter astúcia e sabedoria. Ser bom, não é o mesmo de ser bonzinho. Não mesmo.

Inclusive, como toda fantasia épica que se preza, muito há que se aprender na leitura destas páginas. É como a “moral da história”, sabe? Sim, aqui também tem. Aprende-se muito sobre coragem. Aprende-se muito sobre lealdade, mesmo diante das situações mais adversas. Aprende-se sobre companheirismo. Aprende-se muito sobre fé e espera eterna pelo “vai dar tudo certo”. É um aprendizado, sem dúvida.

Tanto o início quanto o final do livro apresentam comentários do “contador da história” que deram um tom esplêndido à trama toda. Foi feito de uma forma muito bacana, que quase faz com que o leitor acredite ser esta história uma história real, acontecida séculos atrás. Fantástico. Este é o primeiro livro da série e o capítulo intitulado “Nota sobre o final” dá indícios de que muita coisa boa nos aguarda nas próximas aventuras!

Ainda no final da história podemos encontrar as “referências” da trama, esclarecendo os termos e eras que compõem a saga. Ler estas páginas chegou a gerar saudade daquilo que eu acabara de ler. Os esclarecimentos fazem o leitor retomar a saga de Mordrel e gera uma necessidade urgente pela leitura da sequência.

A edição da PenDragon segue seu padrão de cuidado e atenção aos detalhes e especialmente à capa. Nesta obra a capa representa uma cena importante na história e é muito bem feita. Encontrei alguns erros de revisão que em nada atrapalharam a leitura. Tenho as duas versões, tanto física quanto digital, e ambas atendem fielmente à diagramação ideal para leitura confortável. Muito recomendado!

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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