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Resenha | O Peso da Gravata, de Menalton Braff

Capa-O-peso-da-gravata-191x300 Resenha | O Peso da Gravata, de Menalton BraffTítulo: O Peso da Gravata

Autor: Menalton Braff

Editora: Primavera Editorial

Páginas: 176

Gênero: Contos

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Esta coletânea de contos originais do autor Menalton Braff traz diversos universos, a partir de diferentes pontos de vista. Mergulha-se no realismo fantástico, com histórias como a de um sobrado degradado pelo tempo, e a de um personagem morto que caminha em direção ao seu próprio túmulo. Alguns contos permeiam, ainda, a cruel realidade da rotina, do dia a dia, da morte e da vida. O leitor é convidado, ao final do livro, com o conto Jardim Europa, a entrar no mundo de um condomínio prestes a ser invadido.

RESENHA

Leia O Peso da Gravata sem amarras e sem “pré-conceitos”. Ler esta obra é praticamente o mesmo que entrar na mente de Braff e enxergar como ele enxerga a rotina e o comum e os transforma em um caleidoscópio de percepções, visões, imagens, sentimentos e conclusões. Parece um tanto fragmentado à princípio em alguns pontos, por sua forma peculiar de construir as frases, mas na verdade o que se constata é uma exclusão total e sem remorsos daquilo que é intrínseco e dedutível ao se ler… um excelente exercício de percepção e de envolvimento com a leitura. Incrível como não é necessário que se diga com todas as letras o que se quer dizer, o sentido está ali e é notado facilmente.

“Um corpo enterrado numa poltrona. Eu sou um corpo enterrado numa poltrona deste ônibus que transporta um corpo enterrado numa poltrona. Onde? Hoje eu tive um dia muito cansativo. E tedioso. Os postes e fios derramando luz sobre as ruas. E os ônibus sacolejantes. Meu corpo. Como chuva de claridade do céu. A luz que escorre dos postes entra pela janela do ônibus cansativo. Preciso atravessar a cidade antes.” […]

Alguns contos beiram o sobrenatural, como o homem que visita o seu próprio túmulo. Outros ainda trazem um relato tão profundo do quotidiano que o transforma, tal como o que conta do casal de idosos que há incontáveis anos convivem (inclusive o final deste conto é magnífico, de singeleza ímpar… uma obra de arte de uma frase). Há outros ainda que beiram a loucura, como o que o narrador relata a simples (simples?) ida do trabalho para casa num ônibus urbano. Quantos pensamentos nos assombram nestas horas de aguardo? O que passa em nossa cabeça quando observamos momentaneamente os gestos e hábitos daqueles que encontramos nos caminhos do dia a dia? É um fervilhar que a gente nem sempre nota, mas que está ali todo o tempo.

Algo que chama a atenção nesta coletânea de contos é a singularidade de cada um deles. Não há uma vertente que os una, ou uma linha imaginária que os prenda. Cada um tem um aspecto, aborda um sentimento, fala de uma forma.  Todos excelentes, todos únicos. Não dá para citar um preferido, pois cada um mexeu comigo enquanto leitora de uma forma diferente. Ora se encontra apoio nos padrões, ora se baseia na quebra de paradigmas. Enfim, é uma miscelânea de assuntos e formas.

Somente pontuei com nota 4, ao invés de 5, porque justamente esta forma um tanto poética de escrever e seu jeito único de construir frases tenha deixado o livro um pouco moroso. Como gosto muito de leituras que sejam fluídas e rápidas este aspecto roubou um ponto em minha avaliação – bem pessoal, diga-se de passagem.

“Os plátanos de mãos espalmadas acenam de leve à passagem da brisa, numa despedida sem nenhuma emoção. Dois ou três cachorros já invadiram a rua farejando o cortejo atrás de alguma coisa que lhes fosse de proveito. Agora estão sumidos, ficaram para trás, ocupados como sempre com sua reles sobrevivência de cães de rua.”

A publicação da Primavera Editorial é fantástica. Capa sugestiva, páginas em papel pólen com gramatura mais densa, que conferem uma textura mais confortável, e apresentação de ilustrações no início dos contos em preto e cinza que dão um efeito muitíssimo legal quando se vira a página. Surge uma imagem ao fundo como que uma marca d´água. Super bacana!

Enfim, recomendo aos amantes de contos, e àqueles que gostam de ma leitura mais significativa e envolvente. Leia!!!

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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