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Resenha | Mistério na Festa da Padroeira – Série Sereia de Vidro, de Marcelo Antinori

Capa-frontal-web-201x300 Resenha | Mistério na Festa da Padroeira - Série Sereia de Vidro, de Marcelo AntinoriTítulo: Mistério na Festa da Padroeira

Série: Sereia de Vidro – Livro 3

Leia as resenhas anteriores: Sereia de Vidro | Os Crimes do Dançarino da Sé

Autor: Marcelo Antinori

Editora: Bússola

Páginas: 96

Gênero: Contos, Suspense, Policial

Fonte: Cortesia do Autor

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Neste terceiro livro da coleção Sereia de Vidro, Marcelo Antinori leva o leitor para uma das festas mais tradicionais de São Paulo, a de Nossa Senhora de Achiropita no Bixiga.
Enquanto Carmen e Zé Luis procuram o sonhado apartamento em Santos, a ser pago com a recompensa ganha de Coutinho, o narrador diverte-se com Ana Pérsia e Verônica nos hotéis da capital. Mal sabia que Luciana, sua mulher – agora livre do amante francês – é contratada pelo chefão do tráfico para organizar a festa da padroeira do Bixiga.
O que deveria ser um novo rumo na carreira de Luciana torna-se um pesadelo na vida do narrador, uma vez que o risco de sua mulher e sua amante se conhecerem pessoalmente nas noites em que o evento rola à solta pelas ruas do tradicional bairro paulistano é enorme.
Teria Coutinho contratado Luciana por coincidência ou ele nutria segundas intenções? Em paralelo, as “mulheres” dos chefões do crime organizado pressionam Coutinho para elucidar quem está matando travestis no centro da Capital. Mistério na Festa da Padroeira é escrito com precisão e fluidez por um dos autores brasileiros mais prolíficos da atualidade no Brasil.

RESENHA

Hoje logo pela manhã eu tinha um compromisso e estava com 30 minutos de crédito… qual a melhor coisa a se fazer quando se tem um tempinho livre esperando dar a hora de sair de casa? Ler, óbvio! Fui até minha estante e saquei Mistério na Festa da Padroeira, livro 3 de uma série que eu adoro, do querido autor Marcelo Antinori… Já estava ali há alguns dias e a ansiedade por saber a história toda me dominou. É este! Vinte e oito minutos depois estava no telefone: “Olá, estou um tanto ocupada, podemos remarcar para amanhã, no mesmo horário?“. Pois é, caro leitor. Não deu para parar. Tive de ler até a última página! Não vai me dizer que nunca desmarcou um compromisso para ler! Mea culpa.

Esta série me ganhou desde o primeiro livro. Como já comentei nas resenhas anteriores, são livros pequenos, mas com um grande conteúdo. Histórias que prendem pela criatividade e a incrível inserção de uma gama considerável de situações em suas poucas páginas. De verdade, quando termina a leitura, não parece de forma alguma que foram tão poucas páginas! Então, sempre gostei muito mas Mistério na Festa da Padroeira é, para mim, o melhor até o momento. Enquanto lia, já lá pelas últimas páginas, o “processador 2” do cérebro matutava: será que não consigo comprar vários exemplares para doar a uma lista de amigos? Realmente gostaria que vários deles lessem esta história!

Mais uma vez o escritor-narrador das peripécias de Ana Pérsia, Carmen, José Luís, Luciana, Madre Cristina e outros mais, nos apresenta os encontros e desencontros deste grupo nada convencional. Agora a aventura toda se desenvolve sob duas nuances: um traficante muito bem relacionado e cheio da grana que precisa de lavagem de dinheiro, e o espancamento e consequente assassinato de travestis na região próxima, que não está sob a proteção do traficante. Motivo não falta para diversão do leitor!

Marcelo temperou este terceiro volume com um pouco mais de comicidade que nos anteriores. Nos dois primeiros volumes já tinha notado um certo humor um tanto quanto irônico e jocoso nas entrelinhas, mas aqui é mais notório. Ri dos comentários do escritor-narrador diversas vezes. É como se ele fosse um cara um tanto desnorteado e muito cativante, como aquele colega de trabalho que quase todos nós temos ou já tivemos, que parece ao mesmo tempo deslocado e insubstituível… Suas estratégias para que as coisas não saiam dos trilhos são muito divertidas e o tempo todo o leitor fica na expectativa sob os resultados destas artimanhas. Delícia de experiência.

O título remete ao mistério e suspense que de fato permeia as páginas. Porém não é mistério no sentido de que há algo obscuro ou até sobrenatural. Nada disso. O mistério todo se baseia na forma do escritor-narrador em conduzir a contação da história! Nas palavras dele:

Porém, ao escutar, imaginei que ele me devesse uma coisa boa de verdade e não a desgraça que me aprontou. Mas não nos apressemos. Naquela época eu confiava em Coutinho, […]

Então é assim, o autor-narrador vai dando pistas de que ele ainda não contou tudo e que tem muito ainda a dizer sobre a “coisa toda”. Como o amigo que tem um “babado fortíssimo” (como dizem meus alunos) para contar, e vai fazendo aquele suspense gostoso, sabe? Sem contar o ápice de uma vez e te obrigando a arregalar os olhos e abaixar o volume do som para não perder nenhum detalhe? É isso. Exatamente isso que esta história faz com o leitor. Não fosse um livro rápido eu chamaria de tortura.

Enfim, eu adorei esta nova história do autor-narrador (ainda não fomos apresentados nominalmente). E espero ansiosa pela continuação!

A edição gráfica da Bússola atende ao que a obra propõe: pequeno para ser carregado para todo lado com a maior facilidade (tamanho 10X15), folhas brancas mas com uma fonte em tamanho ideal que agiliza a leitura e sem frescuras ou gourmetização que só serviriam para encarecer a obra. Como já mencionei acima, eu recomendo com certeza! O meu favorito, até o momento!

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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