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Resenha | À Margem do Lago, de Sara Gruen

-Margem-do-Lago-202x300 Resenha | À Margem do Lago, de Sara GruenTítulo: À Margem do Lago

Autora: Sara Gruen

Editora: Bertrand Brasil

Páginas: 390

Gênero: Romance, Romance Histórico

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) “O novo romance da autora best-seller de Água Para Elefantes.”
Após uma festa de ano-novo da alta sociedade na Filadélfia em 1944, Madeline Hyde e seu marido Ellis são expulsos de casa pelo pai dele, um rico ex-Coronel das forças armadas, já bastante envergonhado pela incapacidade do filho em ir para a guerra. Com a ajuda do melhor amigo, Hank, Ellis chega à conclusão que a única maneira de reconquistar os favores do pai é ser bem-sucedido em algo que o Coronel falhou no passado: caçar o famoso monstro do Lago Ness. Maddie, relutantemente, cruza o oceano Atlântico com eles, deixando para trás seu aconchegante e protegido mundo. O trio chega a um vilarejo distante nas Terras Altas da Escócia, onde são desprezados pelos moradores locais. Maddie fica sozinha numa isolada hospedaria, onde a comida é racionada, o combustível é escasso e o carteiro bater à porta pode significar notícias trágicas. Apesar disso, ela começa a se apaixonar pela beleza deslumbrante e a magia sutil do interior escocês, e a amizade com duas jovens mulheres abre seus olhos para um mundo maior do que ela imaginava existir. Maddie começa a perceber que nada é o que parece: os valores que ela mais prezava se mostram insustentáveis, e monstros surgem onde menos se espera.

RESENHA

Quando começamos a leitura de um livro, logo ali pelos primeiros capítulos entendemos claramente qual é o cerne da história e em que linha toda a trama se desenvolverá. Em À Margem do Lago esta certeza pode transformar o leitor sagaz num pobre iludido. Dentro destas quase quatrocentas páginas encontramos muitas histórias coexistindo, sendo uma das que mais me chamou a atenção a que se vislumbra nas primeiras páginas e volta a mudar o rumo do enredo no final. Bárbaro uso da magia das palavras. Sara Gruen, sem dúvida, é uma esplêndida autora!

Maddie é a narradora desta história. Esposa de Ellis, que por sua vez é muito amigo de Hank. O pai de Ellis expulsa o casal de casa após uma discussão acalorada por uma sequência de mágoas e desastrosas decisões de ambos – pai e filho. Ao se depararem com a falta de um teto seguro que continuasse oferecendo a mordomia e a boa vida que possuíam, o trio – Maddie, Ellis e Hank – resolvem cruzar o Atlântico em plena guerra para tentar livrar a barra de Ellis com seu pai: no passado o ex-Coronel tentou provar, de forma não muito lícita, a existência de um monstro em um determinado lago. Ellis acha que se conseguisse uma prova irrefutável da existência de tal monstro cairia novamente nas graças do pai.

Esta é a história que aparece em primeiro plano, mas existe também a história de Agnes, Màiri e de Capitão Angus. Uma história extremamente triste, daquelas que são difíceis de serem digeridas até mesmo pelo mais insensível dos leitores. Há ainda toda a vertente assustadora e triste da realidade da mulher nos idos anos de 1940, quando era obrigada a ser submissa ao marido e à sociedade para que pudesse ter um teto decente e pudesse ser vista como ‘normal’. E, não bastando, há ainda várias inserções sobre a guerra e suas devastadoras consequências. Inserções breves e pontuais, mas que oferecem mais uma dose de pesar ao leitor, em especial por sabermos não ser somente uma história fictícia…

À Margem do Lago é um livro tocante e profundo. Algumas (várias) cenas nos deixam de coração acelerado e ansioso, devido à força com que as situações acontecem e pela forma com que são descritas. Gruen escreve de forma suave, quase que como um sussurro, e a história vai entranhando em nossa mente à medida que se lê e é impossível não se deixar abalar. Outras cenas e situações chegam a nos roubar um sorriso. E em algumas ainda nos leva a enxergar e notar o sobrenatural que nos acompanha no dia a dia, queiramos ou não.

As descrições e ambientações são bem descritas tornando possível sentir o ar gélido das instalações ou ainda o barulho dos aviões nos momentos de ataque inimigo. Mas o que mais me marcou foi a sensação de fome e escassez. Triste saber que esta foi a realidade naqueles tempos por países afora. Mais triste ainda saber que hoje, ainda que sem guerra, pessoas estejam vivendo sob os mesmos limites inumanos.

À Margem do Lago fala de amor que supera barreiras do tempo, espaço e convenções. Fala de superação e quebra de limites. Fala de coragem que supera a própria coerência. Fala de amizade no seu mais alto e profundo grau, daquelas que chegam a desestabilizar quem olha de fora e não entende, por não sentir. Fala de gente, de pessoas, do humano, de suas extremidades quanto à força e à fraqueza. É triste mas, sem dúvida alguma, inspirador.

A Bertrand Brasil foi cuidadosa na diagramação e tradução/revisão da obra. A capa retrata um ambiente e mais de uma cena de valor incalculável para a trama. Perfeita escolha. Certamente você, leitor, fará como eu: voltará a contemplar a capa por diversas vezes durante a leitura e praticamente sentirá no rosto a brisa vindo do lago.

Mais que recomendado. A leitura deste livro é necessária!

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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