Lançamentos | Jorge da Cunha Lima lança livro de poesias

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Após um intervalo de 40 anos sem publicar poemas, Jorge da Cunha Lima volta ao gênero e lança sua mais recente obra, “Troia Canudos”, em 15 de agosto, na Livraria Cultura. São 444 páginas, escritas todas as manhãs ao longo de dez anos.

Em sua trajetória profissional, Cunha Lima atuou como editor e redator em publicações diversas, entre elas o extinto jornal “Última Hora”, de Samuel Weiner, e revista “Senhor”. Como homem público, foi secretário de Cultura do Estado de São Paulo e ex-presidente das TVs Cultura e Gazeta.

Título Troia / Canudos
Editora Laranja Original
Páginas 444
Lançamento 15 de agosto, das 18h30 às 21h30
Local Livraria Cultura – Conjunto Nacional | Avenida Paulista, 2.073 – Consolação | (11) 3170 – 4033

“De onde vem a poesia?”, pergunta um anjo que está na Quarta das Dez Elegias, no capítulo Tahina Can, parte escrita em espanhol do livro plurilíngue “Troia/Canudos” (Editora Laranja Original, R$ 58), que Jorge da Cunha Lima lança em agosto. A poesia responde: “Vem dos sentimentos. Essas pedras de carne e osso, que se encontram no caminho: do amor, da amizade e da solidão”. Hoje, 40 anos após sua última obra inédita, essa questão carrega a contribuição de autores que foram referência de uma vida para Cunha Lima: James Joyce, Homero, Kafka, Virgílio, Dante, Shakespeare, Camões, Drummond, Mann, Rilke, Borges. Todos surgem de alguma forma neste novo trabalho.

Na vida de Jorge da Cunha Lima, escrever e observar a história de forma atenta começou cedo, aos 13 anos, no Colégio de São Bento, em São Paulo. Mais tarde, já nos anos da abertura democrática, a política, partidária ou institucional, tomou-lhe o tempo da poesia. Cunha Lima foi resgatá-lo anos mais tarde, já na virada do século, escrevendo metodicamente e guardando tudo na memória de um notebook. Mas a obra ali contida, já pronta para ser editada, simplesmente evaporou, quando o equipamento foi furtado e jamais recuperado. Passado o choque da perda, ele a entendeu como parte do processo de retomada e estabeleceu uma rotina de “manhãs sabáticas”, como mesmo diz, em que diariamente se dedicou a escrever poesia com mais afinco do que antes.

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Depois de pouco menos de dez anos – e agora com um prudente back-up –, o autor de ‘Mão de Obra’, ‘Ensaio Geral’, ‘Véspera de Aquarius’ e do romance ‘O jovem K ’ apresenta o resultado da retomada. “Troia Canudos” é, na verdade, uma trilogia. Além do conjunto de poemas que dá título ao livro, há mais duas partes distintas, “Tahina Khan” – uma sucessão de viagens poéticas, que fala do mundo e usa, para isso, quatro idiomas diferentes – e “Lições”, reflexões poéticas sobre o tempo, os afetos, o correr da vida. “A exemplo de obras anteriores deste poeta, tão veterano quanto atual, nesta o leitor vai se deleitar com alusões literárias não apenas a autores lusófonos, como Camões, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Machado de Assis, Casimiro de Abreu, Euclides da Cunha, Carlos Drummond de Andrade, como também, a vários de língua estrangeira, desde Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare até Goethe, Rimbaud, Proust, Joyce ou Lorca”, conta o professor e tradutor José Roberto O´Shea, da UFSC.

No prefácio de “Troia/Canudos”, o escritor e tradutor Reinaldo Moraes, autor de “Pornopopeia” e “Barata”, assinala que Cunha Lima imprime um “ritmo tão forte que você se pilha marcando a cadência dos versos com o pé, e uma erudição posta ao alcance da libido do leitor”. De fato, como lembra o poeta, o pensamento, a literatura e o sexo têm hora marcada no firmamento . “Em pensamento, podemos acreditar que Troia é Canudos, Príamo é Antônio Conselheiro, Jorginho é Homero, e eu, minha amiga, meu amigo, eu sou você, e todos temos hora marcada neste belo livro de poesia”, diz Moraes.

 

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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