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Resenha | A Jogada do Século, de Michael Lewis

51Do-fdd3mL._SX321_BO1204203200_-194x300 Resenha | A Jogada do Século, de Michael LewisTítulo: A Jogada do Século

Autor: Michael Lewis

Editora: Best Business – Selo do Grupo Editorial Record

Páginas: 318

Gênero: Economia, Finanças

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Wall Street afundou a economia global em uma das maiores recessões econômicas das últimas décadas. A crise mundial de 2008 teve início nas hipotecas subprime um sistema de dívidas lastreadas praticado pelas principais instituições do mercado. É por dentro da maior bolsa de valores do mundo que o autor Michael Lewis conta em A jogada do século como operadores irresponsáveis deram início à grande crise. Elogiado pela crítica especializada, este aguardado título chega às livrarias para explicar como se deu a quebra do outrora poderoso mercado imobiliário norte-americano.

RESENHA

 

“Quais são as chances de as pessoas tomarem decisões inteligentes sobre investimentos se elas não precisam dessas decisões, se conseguem ficar ricas fazendo escolhas idiotas?”

Sei que você, leitor, se lembra da crise financeira de 2008 e o medo de que o colapso da economia americana pudesse desestabilizar toda a economia mundial. Creio que se lembra também da declaração do nosso então presidente de que passaríamos – nós, os brasileiros – em brancas nuvens pela crise, que aqui o tsunami seria somente uma marolinha.

Mas você entendeu bem o que foi aquilo tudo? Se sim, parabéns. Eu não havia entendido ainda o cerne da coisa toda. Não tinha entendido como o mercado imobiliário, o mais forte mercado americano – isso a gente percebe até pelos filmes Hollywoodianos, que fazem com frequência referência a corretores bem sucedidos e a ofertas tentadoras de casas maravilhosas, além de sempre citar a tal da hipoteca – pudesse simplesmente quebrar todo o país da noite para o dia… O que se especulava sempre era que consequências isso traria para a economia mundial, mas pouco ouvi claramente sobre o que gerou o caos. Inclusive porque o governo americano deu um jeito de maquiar e ajeitar tudo antes que o colapso fosse ainda mais catastrófico.

Pois bem, aí é que entra Lewis e sua crônica espetacularmente bem escrita, divertida e real – A Jogada do Século.

Neste livro Lewis conta com riqueza de detalhes as descobertas e análises de uns poucos caras que acreditaram e visualizaram o inenarrável. Aquilo que ninguém queria crer: que o mercado imobiliário americano era uma bolha prestes a estourar. A partir desta visão única alguns espertos, corajosos e sortudos puderam fazer fortuna! Simplesmente viram o que estava próximo de acontecer, apostaram nas suas teorias mesmo que elas fossem na contramão de tudo que se vivia até então e depois esperaram a casa cair. E caiu de fato.

Esta história nos faz perceber que não há critério de lealdade ou altruísmo em jogadas do mercado financeiro. Não meu caro leitor. Tudo que se faz, se assina, se combina e principalmente que se esconde neste mundo é para tirar vantagem. Sobre quem? Sobre quem estiver na reta. Não importa quem seja. Vale somente a lei do mais forte e o quanto se possa lucrar com a situação atual e com o que pode vir por aí. Infelizmente esta atitude não é exclusiva do sistema financeiro americano. Está por toda parte e em todos os processos capitalistas.

Esta história também me remete à máxima que todo mundo sabe mas que quase ninguém realiza: ler todas as linhas de qualquer coisa que venha a assinar, até as letrinhas pequenininhas – aliás, principalmente as letrinhas pequenininhas. Não raro, quando paramos um tempo lendo um papel que precisa de nossa assinatura, o personagem do outro lado da mesa se mostra um tanto impaciente e comenta gentilmente: aí só tem os detalhes daquilo que conversamos, pode assinar tranquilo. Melhor ‘perder’ uns minutos e ler tudo. Como citado na história mais de uma vez: em geral os termos estranhos e as explicações complexas do mercado financeiro existem para que ninguém se interesse mesmo em perguntar nem tampouco saber os detalhes da transação. É. Assim fica fácil ludibriar, não é? E quem é sempre o ludibriado? Sim, caro leitor, a base de todo este castelo faraônico: nós, os pobres mortais.

Neste turbilhão todo que estava escondido sob uma tênue cobertura de normalidade estavam hipotecas aos milhares. Renegociados de banco a banco. Até aí procedimento normal. Porém uma hora a classe média alta pararia de comprar imóveis não é? Pois bem. Então seria momento de abrir este leque. Ofertar casas e financiamentos e empréstimos altamente facilitados e incrivelmente atrativos para todos. Todos mesmo. Sem comprovação de renda, com entrada esdrúxula… com taxas de juros fixas até determinado momento. A partir daí, o risco seria cobrado: juros que poderiam chegar a 200%. Que pobre mortal continuaria conseguindo arcar com as despesas do financiamento ou do empréstimo com uma distorção tão grande? Aí surge a inadimplência enorme, que gerou um efeito cascata e saiu quebrando todo mundo. A falha é de quem não pagou? Não. A falha é de quem usou de meios fraudulentos para manter o mercado “estável” daquele país.

É disso tudo que esta obra trata, é tudo isso que você vai enxergar em suas linhas…

Vou dar uma dica que raramente você vai me ver sugerir: assista ao filme antes de ler a obra. Sim. Faça isso. A Grande Aposta é um filme lançado em fevereiro deste ano (2016), baseado neste livro. Eu o assisti enquanto lia e posso dizer que ele é como um resumão bem feito da obra e facilita demais a visualização daquilo que pode parecer mais complexo para um leigo. Depois de ver o filme vários termos e relatos do livro se tornaram extremamente mais claros e mais dinâmicos na leitura. Todo o quebra-cabeças foi se montando e rapidamente tinha entendido tudo. Inclusive, prepare-se para sentir raiva e admiração. Como pode tudo isso ter acontecido de fato? Como pode estes homens de negócios agirem desta forma? Algumas jogadas beiram a loucura e os resultados foram impressionantes. Raiva pela artimanha desenfreada. Admiração pela genialidade em fazer dinheiro.

Sendo você curioso pelo que acontece neste mundo à parte que é a Bolsa de Valores, mercado de ações, empréstimos e financiamentos, este livro é leitura obrigatória. Se você não tem grandes interesses pelo assunto mas acha fascinante enxergar um mecanismo complexo através dos bastidores, também deverá ler esta obra. Se você é curioso de carteirinha e tem uma certa dificuldade em aceitar as histórias prontas sem questionar os pormenores que tentam esconder por debaixo do pano da normalidade, por favor, leia este livro.

A edição que li é a terceira, com a capa adaptada do cartaz do filme, e um posfácio com um artigo de Lewis publicado na revista Vanity Fair, sobre o filme. Sugiro que você leia esta edição porque os comentários são bem interessantes e, mais uma vez, nos remete aos bastidores, agora das grandes produções cinematográficas. Acaba que tudo termina com uma nova história bem divertida.

Enfim, foi uma excelente experiência conhecer esta história a fundo. Recomendo.

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Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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