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Resenha | Hollen – Anjo Caído, de Fernando Raposo

Hollen-199x300 Resenha | Hollen - Anjo Caído, de Fernando RaposoTítulo: Hollen – Anjo Caído

Duologia: Hollen – Livro 1

Autor: Fernando Raposo

Editora: Cata-Vento

Páginas: 256

Gênero: Fantasia

Fonte: Ebook cortesia do autor

Skoob

Sinopse (Fonte: Skoob) A corrupção distorceu a utopia criada por Deus. Sem aceitar o advento do homem, Lúcifer, a Estrela da Manhã, engendrou a maior de todas as traições, e uma guerra sem precedentes mobilizou as hostes celestes. Derrotado, uma ruptura se fez no plano divino, precipitando a terça parte dos anjos à ruína.
Arrependido de ter se aliado a Lúcifer, Hollen, um anjo caído, elevou suas orações, clamando pelo perdão. Capturado pelos infernais, foi condenado à morte, sendo lançado no abismo sem fim, fadado a cair por toda a eternidade.
No mais desolador dos cenários, percebeu que seus lamentos foram ouvidos, recebendo de Deus uma chance de obter sua redenção.
Resgatado das profundezas, encontrou-se no mundo dos homens. O horizonte a sua frente se apresentou nebuloso e os trovões romperam as nuvens, revelando que uma tempestade estava por vir.
Hollen descobrirá que este novo caminho está repleto de desafios, e o seu papel na contenda entre o Céu e o Inferno vai muito além do que poderia imaginar.
Cruzando as cortinas que separam os mundos físico e astral e as barreiras do tempo, Hollen terá que lutar por sua vida e pela continuidade da obra divina.

RESENHA

“Não lembro mais quando começou. O tempo não conta muito neste lugar. Nem a dor, antes latente, parece incomodar. Minha pele curtida não reclama. O clarão das labaredas não queima como antes. Meus olhos perderam a vida e apenas vejo dor e pânico.”

Assim começa Hollen – Anjo Caído, com esta descrição dolorosa e profunda. Posso dizer que toda a obra é assim, profunda e cheia de elementos. Fernando Raposo apresenta uma obra única sobre a guerra entre Deus e Lúcifer, e as consequências deste embate.

Quando Lúcifer se rebela contra Deus – ele não aceita a criação do Homem -, um terço dos anjos se rebela também, e junto de Lúcifer vão à derrocada. Esta é a história de um destes anjos, Hollen, que se arrepende profundamente de ter se aliado ao inimigo de Deus. Pedindo clemência, tem seu apelo atendido enquanto se encontrava em queda eterna, num abismo sem fim. Tal qual fazemos com aqueles que amamos e nos magoam, uma segunda chance lhe foi dada. Mas não como um presente, sem consequências. Não, sua missão “pós perdão” não é fácil de ser cumprida. Porém Hollen está determinado a ter novamente a graça de Deus a seu favor.

A história criada pelo autor transita entre a origem e o mundo tal qual o conhecemos, retratado em diversas épocas. Ele caminha no tempo num vai-e-vem muito bem feito, trazendo ao leitor vários vislumbres e pontos de vista de uma mesma história. Interessante esta perspectiva, que só poderia mesmo ser feita por um ser imortal – o livro é narrado em primeira pessoa por Hollen. Estas mudanças no tempo soam meio que como ação e reação. Algo acontece, ou algo é citado num tempo, e depois temos o esclarecimento ou ainda o desdobrar daquilo numa outra época, num outro prisma. Achei este movimento muito interessante.

Outro aspecto relevante da obra é a nova roupagem das histórias bíblicas, com a inserção de seres como Nefilins, ou quando traz uma trombeta para a história, fazendo alusão às trombetas dos Anjos do Apocalipse mas com uma perspectiva diferente, ou ainda quando trata da “luz” de uma forma mais física. Eu particularmente gosto muito quando o autor consegue casar fatos históricos ou de conhecimento popular com ficção, fazendo uma união tão plausível que em dado momento o leitor acaba esquecendo a linha divisória e assume tudo como uma só coisa, uma só história ou uma só fantasia. Posso dizer que Fernando fez este casamento muito bem feito.

Os embates e confrontos relatados na obra são ágeis e causam no leitor uma certa ansiedade. A cada momento temos a impressão de que a missão de Hollen vai fracassar, que ele não conseguirá ir adiante. Há também, além dos confrontos, cenas duras de se imaginar, que retratam claramente até onde Lúcifer se propõe a chegar para alcançar seu objetivo. Me incomodou muito uma cena, onde mulheres são usadas para gerar constantemente filhos que serão soldados ensinados, desde sempre, a odiar a Deus. Forte e, guardadas as devidas proporções, realista.

O autor tem uma facilidade muito grande em transmitir o ambiente para o leitor. Durante a história, existem algumas mudanças de cenário tal como uma viagem a uma realidade paralela. Tais transições ocorrem a partir de “rasgos” no “tecido da realidade”. Reli algumas cenas onde o “tecido” era citado… em uma delas parei de ler e olhei no ambiente à minha volta e pensei, “que formidável seria se pudéssemos cortar esta realidade, tal qual se corta uma cortina, e em seguida nos depararmos com uma outra dimensão”. Seria muito bacana se fosse possível (será que não é?).

O único aspecto da obra que posso dizer que não me agradou totalmente é que é redigido em primeira pessoa, contando o passado. Como se Hollen estivesse me contando suas memórias. Por conta deste estilo de redação, há poucos diálogos e poucas observações dos fatos por parte de outros personagens, que poderiam ser contados pelo próprio narrador. No início senti uma certa morosidade na escrita por conta disso. Mas como disse, muitas surpresas aguardam o leitor e a história em si retirou de mim a sensação de falta de fluidez. Rapidamente estava lendo com avidez.

Li em Ebook portanto não tenho elementos para avaliar a edição. A revisão está bem feita, embora um pequenos erros de grafia ou concordância tenham passado. Creio que numa nova edição os mesmos sejam eliminados.

Este livro é o primeiro de uma duologia. A sequência já tem nome: Hollen – Estrela da Manhã. Confesso que este nome me deixou com uma pulga atrás da orelha… não posso dizer o motivo (spoiler), mas espero poder conhecer o desfecho de toda a história em breve! (Apesar de deixar ganchos para a continuação, o livro termina muito bem, pode ler sem medo da frustração de “terminar sem ter acabado”).

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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