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Resenha | Espere a Primavera, Bandini, de John Fante

livro_3HUf0o-193x300 Resenha | Espere a Primavera, Bandini, de John FanteTítulo: Espere a Primavera, Bandini
Autor: John Fante
Editora: José Olympio
Páginas: 208
Gênero: Romance Estrangeiro
Fonte: Cortesia da Editora

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Sinopse: Romance de estreia do autor, nesta obra ele retrata a vida de um adolescente em uma pequena cidade do Meio-Oeste americano, e mergulha na revolta dos que vivem à margem do sonho americano.
Filho de imigrantes italianos, o alterego do escritor, Arturo Bandini, é o rapaz que enfrenta a miséria e o preconceito em meio ao gélido inverno do Colorado. Experimenta os preconceitos de uma sociedade que partia para a modernidade e para o consumismo, e que tentava deixar de lado todas as minorias que gravitavam ao seu redor.
O conflito de identidade de Bandini vai reaparecer em todos os romances posteriores de John Fante, tornando-se uma das características marcantes de sua literatura.

RESENHA

Neste fantástico livro, publicado originalmente em 1938, Jonh Fante nos apresenta uma história que apesar de simples possui uma escrita genial. É o livro que inicia a trajetória de um de seus mais relevantes personagens, Arturo Bandini, que posteriormente teve sua história contada em mais três obras. Basicamente a história que nos é contada trata do período em que Arturo tem doze anos de idade, mora com seus pais e dois irmãos em uma casa que o pai ainda não conseguiu terminar de pagar, a dívida da família no armazém aumenta a cada dia e Svevo, o pai de Arturo não consegue um serviço que lhe renda mais que alguns trocados, especialmente pela chegado do inverno que atrapalha suas atividades como pedreiro.

Apesar da situação financeira a família permanece unida, cada qual cumprindo suas devidas obrigações dentro de casa. O pai, Svevo Bandini, é um imigrante italiano que parece viver um quanto aborrecido, tudo para ele é motivo e discussão ou xingamentos. Já a mãe, Maria, é retratada, segundo a visão de Arturo, como uma pessoa boa, quase angelical, que suporta seu marido devido à grande paixão que sente por ele, que apesar da complicada maneira pelo qual tem que levar sua vida, não diminuiu nem um pouco.

A trama da história começa a se desenvolver a partir do momento em que Svevo recebe a notícia que sua sogra ira visitar a casa dele. Como ele não a suporta, e o sentimento é reciproco, simplesmente sai de casa. Maria, acostumada com isto, não estranha a princípio o comportamento do marido até sua mãe ir embora, que costumeiramente seria o momento que seu marido voltaria, porém, não é isto que acontece. Rumores começam a surgir. Rumores de que Svevo estaria vivendo com uma rica viúva da cidade enquanto sua família passa por dificuldades. São estes momentos de dificuldade que o autor descreve de forma simples que tornam o livro excepcional.

Arturo passa por terríveis momentos durante toda história, e é incrível como o autor passa a ideia de que parte deste sofrimento vem da transição que ocorre na idade dele, onde ainda não é um homem, mas também não é mais criança. Pensamentos complexos passam pela mente do garoto, que em certos momentos ainda tem atitude de criança.

A fase do livro em que Maria e seus três filhos estão abandonados é muito forte, pois trata de questões que são difíceis para todos. Maria fica enlouquecida, mas é inevitável não culpa-la pelo tratamento que dispensa aos seus filhos, que em certos momentos não tem nem o que comer.

O título do livro traz uma ideia que permeia toda história, de que depois do fim do inverno as coisas vão melhorar. No final da leitura, após acompanhar as várias tragédias ocorridas durante o inverno, este sentimento de mudança para melhor é bem perceptível.

Uma leitura que deve ser fortemente recomendada. Este livro tem tudo que um leitor gosta: personagens complexos; uma trama simples, mas muito bem construída; consegue criar sentimentos do leitor em relação a quase todos personagens e momentos que vão comover a todos. A edição do livro é aquela a que todos estão acostumados, é simples mas bonita.

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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