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Resenha | Equilibrium: Reflexo, de Décio Gomes

12718018_1037862216307324_8078185838375257692_n-201x300 Resenha | Equilibrium: Reflexo, de Décio GomesTítulo: Equilibrium: Reflexo

Série: Equilibrium – Livro 1

Autor: Décio Gomes

Editora: Coerência

Páginas: 210

Gênero: Fantasia, Suspense, Aventura

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Luca é um consultor espiritual que possui um dom que vai além de conversar com espíritos. Ele nasceu com um olho azul e um castanho. O olho castanho vê o mundo dos vivos. O olho azul vê o mundo dos mortos. Retirado de sua vida pacata por um misterioso senhor interessado em uma consulta espiritual particular, Luca descobre ser o único capaz de quebrar as regras do universo além-vida. Graças a isso recebe uma missão: atravessar ao Reflexo, o mundo paralelo dos mortos, para encontrar o Equilibrium, o ser responsável pela manutenção do fluxo de espíritos vagantes que descontroladamente se acumulavam no mundo dos vivos. No Reflexo, uma visão distorcida e espelhada de seu próprio mundo, Luca encontrará uma grande aventura, assim como ferozes inimigos e também uma nova amiga, que o ajudará em sua busca alucinante através das ruas habitadas por centenas de espíritos vagantes.

RESENHA

Já li obras de Décio Gomes e sabia que podia esperar muito desta história, e realmente não me decepcionei. Equilibrium possui enredo e desenrolar bem feitos e curiosos. Apresenta uma versão inteligente para o desconhecido “mundo dos mortos”, ou “lado de lá”, como queiram. Repleto de personagens cativantes e situações de tirar o fôlego, Equilibrium é um livro daqueles em que as páginas passam sozinhas, tamanha agilidade dos fatos e acontecimentos. Possui uma característica marcante que prende o leitor da primeira à última página. Li-o em poucas horas.

Luca é um médium. Não como os falsos fanfarrões que possamos ter notícia, tanto na vida real quanto na fictícia. Não usa de cartas nem tampouco de bola de cristal ou sessões com velas e afins. Seu contato com os mortos se dá por um de seus olhos, que possuem cores diferentes – um é castanho e outro azul muito claro.

Num dia comum – o quanto comum pode ser o dia de alguém que vê, sente e conversa com mortos – Luca se vê perseguido por estranhos que o leva a conhecer um velho doente ainda mais enigmático. O velho lhe apresenta o sentido de seu dom, e o leva a uma viagem incrível ao Reflexo – mundo igual ao que conhecemos, mas que, assim como no reflexo, inverso deste aqui, que é para onde as almas vão após a morte do corpo.

Chegando no Reflexo Luca passa por percalços nunca antes imaginado, faz amigos, faz inimigos, conhece uma outra ‘realidade’ e entende que sua existência pode ser muito mais complexa que poderia um dia sonhar. Aventura, sustos, percalços e riscos não faltam às páginas que contam ao leitor sobre a visita de Luca ao Reflexo.

Décio Gomes mantém nesta obra sua característica reconhecida nos livros de sua autoria que tive a oportunidade de ler (In Nomine Patris I e II): agilidade nos acontecimentos, personagens marcantes e uma trama elaborada que instiga o imaginário do leitor. Achei muito interessante o ‘mundo dos mortos’ apresentado – reflexo deste, com almas boas e más presentes, mesmo que não convivam. A presença de algumas pessoas que foram para lá em corpo físico, e um ser asqueroso que tem o poder de ‘devolver’ estas pessoas de lá para cá. Tudo muito fictício e fantasioso, mas que pode ser absorvido como real sem maiores percalços. Existem falhas de conexão com a realidade? Sim, existem, mas são poucos e a fantasia se torna bem palpável e verossímil. Não possui excessos que beiram a loucura e a falta de cabimento, sabe como? Fantasia precisa sempre ter um pezinho na realidade senão foge demais de nossa compreensão e aceitação. Décio faz isso muito bem em suas obras.

Os personagens são incríveis. Me apaixonei por Luca, claro. Mas tiro o chapéu para sua amiga Ji-Yun – lá do Reflexo – que é meio que como uma das “Panteras”… a de olhinhos puxados. Forte, corajosa, determinada, linda. E reverencio fortemente Nancy. Gente! Como pode tanta doçura ser passada através das páginas de um livro ao nos apresentar um personagem? Que mágica os autores realizam, para que isso transborde desta forma? Ela não é detalhada, Décio não perde tempo explicando-a em detalhes. Ela simplesmente está ali. Com seu jeitinho de criança que derrete corações. Ahh, amei apaixonadamente Lucy e gostaria que, de alguma forma, ela pudesse novamente dar as caras nos próximos livros.

A sequência é bem cadenciada, com pontos fortes em toda a história e as deixas nos finais dos capítulos impedem fortemente que haja pausas na leitura. Por favor, futuro leitor de Equilibrium: cuidado com os finais dos capítulos. Leia logo a sequência para não morrer infartado antes da hora! Nem tudo é o que parece!

O final é FANTÁSTICO! Deixa o fio solto para a sequência mas não um fio solto daqueles que dá raiva do leitor por não ter ainda a continuação em mãos, sabe? Não. Neste o fio solto é mais um sentimento… um sentimento de continuidade que abranda as emoções fortes do que foi lido até ali.

Este é o primeiro livro da Editora Coerência que leio e preciso dizer: quanto capricho! Os finais e começos de capítulos são decorados com ilustrações alusivas aos acontecimentos (palmas ao ilustrador Ricardo Chagas). A capa representa muito bem a história (interessante, tem umas “coisas” na capa que só enxerguei depois que comecei a leitura. Distração minha? Pode ser… mas só sei que gostei!) e não encontrei erros de revisão. Se existem, passaram totalmente despercebidos! Ah, sem ressalvas. Tudo muito bem cuidado, como a obra merecia!

Recomendo a leitura, recomendo a Editora, recomendo o autor. Não percam!

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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