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Entrevista | Tati Bernardi na Flipoços 2017

tati Entrevista | Tati Bernardi na Flipoços 2017

Textos em primeira pessoa. Exposição da vida pessoal, da família e dos ex-namorados. Exagero. Quem conhece a escrita de Tati Bernardi, logo percebe que a publicitária e roteirista não tem medo de apresentar sua visão sobre o que quer que seja, especialmente sobre o amor. Tema do bate papo em que participou no último sábado (6), durante o Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços). O Literário esteve com a autora antes da palestra. O resultado desse bate-papo, você acompanha por aqui:

O Literário: Você escreve muitos textos sobre amor, todas as experiências citadas nos seus textos são reais, aconteceram mesmo com você ou existe ficção ali?

Tati Bernardi: Tem uma base de coisas que eu vivi ou que eu vi pessoas próximas vivendo. A parte que eu chamo de ficção é a parte do exagero, para dar humor, para dar o tom. Eu tenho um estilo de escrever bem exagerado, essa parte que eu costumo dizer que é ficção. Mas é uma autoficção. Digamos que mais da metade seja, ou verdade ou muito próximo da verdade, sabe?

O Literário: Como funciona seu processo de escrita? O texto simplesmente flui na sua cabeça ou você costuma ter dificuldade para escrever?

Tati Bernardi: Eu tenho uma coluna fixa na Folha de São Paulo. Então, toda quinta-feira eu tenho que entregar um texto, porque sai na sexta. Aí varia muito, tem semana que na segunda-feira eu já escrevi o texto, tem semana que falta 20 minutos para entregar na quinta e eu ainda não escrevi. Eu costumo gostar de, cada vez menos, que eu acho que cada vez mais velha isso vai ficando muito cansativo, mas durante muito tempo, principalmente mais jovem, eu gostava dessa ansiedade do ter que entregar agora. Escrever com emoção. Hoje em dia, eu me programo para escrever um pouco antes, para não ficar tão nervosa. Até porque tem que revisar. Tem que ler 20 vezes até ficar bom, mas o tema sempre vem. Sempre tem algo a dizer. Eu gosto muito de escrever em primeira pessoa, falar de mim. Eu tomo muito cuidado para não fazer isso sempre, mas eu também acho que não é nenhum problema fazer isso, porque quando eu falo de mim, quando eu me exponho, na verdade eu estou falando de várias pessoas. Não só da minha idade, não só mulheres, não só de São Paulo. Porque eu trato de temas muito universais, como ciúme, saco cheio, as vezes eu evito, mas eu escrevo sobre o que eu acho que está acontecendo com política, com economia, eu arrisco porque eu não fiz nenhuma faculdade disso.

O Literário: Algum dos seus textos teve uma repercussão que você não esperava?

Tati: Teve vários. Desde que eu comecei a escrever na Folha, geralmente os mais polêmicos são os que as feministas entendem que eu não estou do lado delas ou que eu faço uma crítica um pouco mais específica a algo político, daí é uma enxurrada de gente comentando. Comentários bem negativos até. Mas eu acostumei, no começo eu sofria mais. Hoje em dia, eu nem leio, ou quando eu leio já nem me dói mais porque é muito tranquilo, eles fazem isso com todos os colunistas.

O Literário: E sobre o seu novo livro? O que você pode falar?

Tati: Eu sou uma pessoa extremamente ansiosa, eu tive já muitas crises de ansiedade dentro de avião, passei muito tempo da minha vida com pavor de avião. Fiquei seis anos sem fazer nenhuma viagem internacional e passei por psiquiatras, tentei vários remédios. Hoje em dia isso está muito mais controlado, mas eu ainda sou muito ansiosa. É um livro de humor, em primeira pessoa, eu estou falando de mim. Obviamente tem exagero, é um pouco de ficção, mas toda historia ali, ainda que em menor grau, aconteceu. E é sobre isso, sobre a gente estar maluco, tomando tarja preta, principalmente quem mora em São Paulo, Rio de Janeiro, centros mais urbanos e todos os meus amigos estão tomando alguma coisa, vão tomar ou já tomaram e é um livro sobre isso, tá todo mundo muito pirado com a ansiedade.

O Literário: Você também escreve para a TV e para o cinema. Qual a maior diferença entre isso e escrever um livro ou sua coluna na Folha?

Tati: Quando eu escrevo para a TV e para cinema, eu ainda não consegui fazer nada autoral, porque eu dependo de produtor, distribuidor, do diretor. Claro que tem minha marca ali, muito mais do que tinha quando eu trabalhava em publicidade. Mas eu não consigo chamar de autoral, o livro e minha coluna na Folha só dependem de mim, então é o trabalho que me dá mais prazer, é o trabalho que é mais autoral, mais perto do que eu quero dizer. Mas também é o que me dá menos dinheiro.

O cinema e a TV me dão prazer também. Eu tenho orgulho do trabalho que eu faço. Eu não sou uma grande consumidora da comédia que faz milhões de bilheteria, mas eu acho que eu tentei fazer filmes mais espertos do que os que têm por aí e estou tentando, cada vez mais, mas eu acho que ainda não alcancei em cinema e TV o tom e a linha autoral que eu consegui em livro.

Sobre Gabriela Bandeira

Jornalista mineira, totalmente apaixonada por literatura nacional e internacional. Autora do livro-reportagem Singularidades - Um olhar sobre o Autismo.

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