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Resenha | E Se…, de Giovanna Vaccaro

13301307_1194681687243206_3222211864452221598_o-200x300 Resenha | E Se..., de Giovanna VaccaroTítulo: E Se…

Autora: Giovanna Vaccaro

Editora: Coerência

Páginas: 320

Gênero: Ficção Científica, Romance

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Logan Moore tem todos os direitos quando reclama de sua vida. Ele foi baleado em um beco escuro e mandado para um reformatório injustamente. Tudo o que ele quer é cumprir seu tempo naquela mini prisão e, então, sair e viver sua vida normalmente.
No entanto, Olivia chega para mudar todos os cursos de sua vida, fazendo Logan se apaixonar da pior maneira possível.
O que Logan não sabia era que o destino lhe dera uma chance de consertar seus erros e os erros das pessoas que ama. Em um segundo, ele se vê preso a uma pergunta insistente: Acreditar ou não acreditar quando seu pai diz que há uma maneira de viajar no tempo e evitar que uma grande tragédia aconteça mais para frente?
Logan, desacreditado, no entanto, decide enfrentar as barreiras do espaço-tempo e descobre que essa escolha talvez tenha sido a pior de sua vida. Problemas que traumatizam Olivia, mortes e até amizades desfeitas são algumas das causas pelas quais Logan está disposto a arriscar sua vida e… Seu tempo.

RESENHA

E Se… é um daqueles livros que te tiram do lugar comum e te incomodam. Até agora não consegui definir se ele é uma ficção científica com uma pegada de romance, ou se um romance com pegada de ficção científica… o que posso dizer é que gostei bastante do que li. É o primeiro livro de Giovanna Vaccaro que leio e afirmo: é uma mente inventiva e imaginativa. Sem dúvida quero ler também sua primeira obra: “Procura-se“.

Logan é um rapaz comum, que nem sempre consegue escapar de encrencas, mas que tem o tal do “coração bom”. O livro começa quando ele é baleado em um beco sem saída e acaba indo parar num reformatório. Lá ele se aproxima de Olivia, a garota que vai fazer toda a sua vida se transformar. E sabemos, transformações nem sempre são indolores.

Esta é a pegada “romance” da história. O belo, intenso, vívido e denso romance entre Logan e Olivia. Porém, como eu disse, é também um livro de ficção científica. O pai de Logan é uma mente criativa que consegue criar uma pílula que dá a oportunidade de viajar no tempo. Desde que seja um tempo em que o viajante tenha vivido de fato, ou que venha a viver no futuro. Logan se transforma no “viajante teste” assim que uma tragédia acontece e a partir daí nada mais será como era antes.

Eu pude vivenciar algumas sensações durante a leitura desta história e vou tentar apresentá-las a você.

A primeira sensação foi de uma certa estranheza, por ser narrado em primeira pessoa e esta pessoa ser o Logan. É que é assim, se você ficar namorando a capa, como eu fiz, vai enxergar uma mocinha linda como protagonista da história. E quando abre a primeira página e nota que é escrito em primeira pessoa pronto. Seu cérebro já define uma voz macia e doce enquanto vai conhecendo a protagonista. Foi o que eu fiz. Agora você leitor pode imaginar o nó que me deu no cérebro quando, ao ler umas boas dez linhas, percebo que o narrador é um rapaz! Meu Deus. Tive de voltar e ler novamente e ir tentando de toda forma encaixar uma voz e postura de homem naquilo que eu tinha acabado de ler! Sei que certamente meu cérebro que fez isso comigo, mas demorei para enxergar o Logan como Logan… durante várias páginas eu ainda teimava em assumi-lo como uma mocinha doce (risos). Estou contando em detalhes para você já ir preparado e não cair no mesmo erro que eu.

Passada esta estranheza inicial a próxima sensação foi de agilidade e fluidez. Sentei para ler umas poucas páginas somente para me contextualizar na leitura e logo já estava na página 70. Dá para largar não. A fonte é bem grande e a forma de Giovanna escrever propicia uma leitura muito agradável. Lê-se sem ver!

Daí veio a surpresa. Pensei que a tal da viagem no tempo inserida naquela história um tanto cálida ia soar meio que bizarro, meio fora de campo, sabe? Eu (de novo com predefinições demais) fui ler já com pensamento sobre ficção científica à lá Isaac Asimov! Aí não cabia ali, naquela história bonitinha. Pensei: isso não vai casar.

Mas casou!

Gente, ficção científica e romance fofo tem tudo a ver sim! Eu achei uma delícia tudo que li. Logan acaba se inserindo num vai e volta um tanto desesperado porque ele precisa consertar algumas coisas. Já até sabemos qual será o maior problema da viagem no tempo quando ela for possível (será, eu quero que seja), devido à quantidade de livros e filmes abordando a temática: é praticamente impossível arrumar tudo. Se acertar uma coisa, outra fatalmente ficará estragada. Isso não tem como ser diferente… E é aí que Logan quase que se perde. Quer acertar tanto, quer corrigir tanto, que chega um ponto em que quase o cenário se mostra sem saída.

Vivenciei ainda nestas páginas um tanto de “momento filosófico”. Nada doutrinário, nada pedante, mas em vários pontos os diálogos sugerem um “preste bem atenção no que você vai fazer da sua vida e nas escolhas que faz“… Ok, Giovanna, recado recebido com sucesso! 😉

Só um detalhe em tudo me chamou um pouco a atenção e por conta disso avaliei com nota 4 e não 5. Em dado momento a história se desenrola por várias páginas no foco do romance e eu cheguei a me perguntar: uai, sô (no bom e velho “mineirês”), mas e as viagens no tempo? Acabaram?!? Senti uma certa falta de cadência no entrelaçamento das duas perspectivas da obra neste momento.

Enfim, para não me alongar demais – se é que já não me alonguei: eu gostei demais da obra, a retomada da ficção científica após a passagem que citei acima ficou extremamente bem feita, as falhas de coerência que são quase que praxe em histórias que envolvem esta temática de viagem no tempo até que existem, mas não são gritantes nem tampouco chamam o leitor de ingênuo, o romance é lindo, e o final é, ao mesmo tempo inesperado e previsível. Gostei bastante da conclusão criada pela autora.

Em se tratando da publicação, a diagramação está bem feita, fonte grande e margens ótimas, das que oferecem leitura confortável. Os inícios de capítulos possuem título, data e uma citação que dá todo o tom do que vem a seguir. De fato a diagramação foi um trabalho carinhoso. Encontrei alguns poucos erros de revisão que em nada atrapalharam a leitura (só um momento que cheguei a rir da pequena falha… um capítulo começa com contagem regressiva de passagem de ano mas logo abaixo do título constava como mês de Outubro… oi!?! (risos)).

Agora um fato intrigante: Giovanna Vaccaro tem 15 / 16 anos. Eu te desafio, futuro leitor de E se… a me responder: Será que Giovanna é uma mulher de seus 40 anos que viajou do ano 2040 para o nosso presente para nos mostrar este livro escrito lá no futuro? Sei não viu, sei não. Leia e tire suas próprias conclusões! 😉

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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