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Resenha | Checho de Anita, de Adriana Vargas

11720875_845088092254826_1861785320_o-209x300 Resenha | Checho de Anita, de Adriana VargasTítulo: com Amor, Checho de Anita
Autora: Adriana Vargas
Editora: Ella
Páginas: 250
Gênero: Romance Sobenatural
Fonte: Cortesia da Autora

Skoob
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Sinopse (Fonte: Skoob) Cartas trocadas. Roubo de identidade…
Anita é bookaholics assumida, e essa paixão pelos livros a fez criar o projeto Literando o qual realiza pedalando pela ruas da cidade, para transmitir a mensagem de um livro ao seu escolhido. Mas, de repente tudo muda em sua pacata vida ao se apaixonar por alguém que não conhece… Ela quis ser a “Anita de Checho”, e responde às cartas que chegam até ela por um simples erro do endereçador. Ani desafia a família que tenta impedi-la, e foge para São Sebastião a fim de se encontrar com seu futuro amor, vivendo 48 horas como se fossem as últimas. Após seu retorno para casa, algo perturbador a aflige – como fumaça, Checho aparece e desaparece de sua vida, e sua missão agora é descobrir o que de tão estranho acontece, que os impede de ficarem juntos.
Neste romance sobrenatural, carregado de emoções delicadas e amor pelos livros, nascem os sonhos e o desejo de realizá-los.

RESENHA

Checho de Anita é um livro intenso, cheio de acontecimentos inesperados e que se complementam muito bem. Vamos de um romance clichê a fatos sobrenaturais que sugerem outros mundos entrelaçados ao que conhecemos.

A história toda gira em torno de Anita – uma jovem amante dos livros e que possui um projeto literário bem bacana, que consiste em levar pessoalmente a literatura a desconhecidos nas ruas, Checho – apelido de Sérgio que mora em São Sebastião, bem longe de Anita, e que por uma falha de endereçamento começa a se corresponder com ela e Andreas – um amigo de Anita que vai se tornando o melhor amigo que uma pessoa pode ter.

O amor avassalador de Checho e Anita faz com que os dois pensem em quebrar barreiras e passar por cima de todas as convenções para estarem juntos. Mas nem sempre o amor neste nível traz somente alegrias. Ele pode gerar situações complicadas e embaraçosas. Me fez pensar que, no emaranhado da vida, temos sempre de nos lembrar e pensar nos laços, nas relações, nos porquês que se escondem por detrás de tudo que vivemos.

Com o desenrolar da trama, aquele tom de romance comum vai deixando espaço para uma trama que aborda o sobrenatural, o que há além do que conhecemos, as atitudes e consequências das atitudes, as dores que nem sempre as pessoas conseguem lidar bem, e que a amplificam justamente por não saber como abrandá-la. Trata do amor aos livros e leve este amor a uma outra dimensão, a um outro patamar que não somente a relação autor – palavras – leitor. Achei muito interesante esta visão do ato de ler e difundir a literatura.

Bom, este é o primeiro livro que leio de Adriana Vargas e posso dizer que foi uma grata surpresa. Ela tem o dom de colcar diversos elementos e fazer com que eles se casem bem, sem gerar quela sensação incômoda de coisa inserida sem propósito ou que fica ali, voando no meio da história sem conexão com todo o resto. Ela amarra muito bem os fatos e tudo faz sentido.

Portanto, com esta capacidade, há muito que se perceber em sua história. É um livro para ser lido com atenção aos detalhes porque uma simples palavra ou um pensamento qualquer pode ser a chave para todo o emaranhado que está se formando.

Os personagens são bem apresentados, com características bem próprias. Anita tem gestos e atitudes mesmo de uma garota de 18 anos, Checho, embora extremamente enigmático e pouco sabermos dele, cativa e gera confiança, mesmo em meio a tantas reviravoltas. Dentre os demais, destaco a mãe de Anita. Ela aparece pouco, mas tem um peso enorme! Eu senti sua dor, visualizei o peso em seu coração quando fui entendendo o motivo de sua postura, me solidarizei com ela.

A história é narrada em primeira pessoa por Anita e em duas oportunidades por dois outros personagens. Eu gosto bastante deste formato e o mesmo exige bastante do autor, para que nada se perca nem pareça estranho, já que temos somente a visão de uma pessoa. Adriana conseguiu apresentar todas as nuances da história através dos olhos de Anita.

Há muito amor neste livro. E não so o amor físico, cotidiano ou de casal. Mas um amor mais profundo e visceral, daqleues que ultrapassam os limites de tempo e espaço. Impossível não sentir o coração acalentado pela presença do amor nestas páginas.

Em suma gostei demais da obra e gostaria de ler as demais criações de Adriana Vargas. Em se tratando da publicação, dou nota 10 para a capa. Singela, simples… uma graça. Porém a diagramação e revisão deixaram a desejar. A fonte é bem pequena e aproveita bastante as margens das páginas, o que não contribui com a obra. Penso que o conteúdo merecia um trabalho menos “econômico”. A revisão também tem falhas de tempo verbal, o que me incomoda bastante. Espero que estes problemas sejam resolvidos numa segunda edição.

Recomendo a obra e sugiro que leia de forma desprendida. Embora sobrenatural não tem vertente religiosa ou espírita, o que pode parecer num dado momento. Mas ao continuar a leitura você vai notar que vai bem além disso. Há muito que se absorver nesta obra. Leia e aproveite!

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

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