Início / Resenhas / Literatura Nacional / Resenha | Amaimon, de Lucas Barbosa

Resenha | Amaimon, de Lucas Barbosa

2e2165_43abd1ac3ea44f9dadd4370c5ebc3471-209x300 Resenha | Amaimon, de Lucas BarbosaTítulo: Amaimon
Autor: Lucas Barbosa
Editora: PenDragon
Páginas: 400
Gênero: Distopia, Ficção Científica

Pré-Venda: Clique aqui

Sinopse (Fonte: Site da Editora) Ano 219 após a fundação de Aion. Incontáveis prédios de ferro atravessam as nuvens, a neblina tóxica atrapalha a percepção de seus habitantes, que por trás de suas máscaras, se protegem da poluição e da necessidade de esboçar sentimentos. O trabalho desgastante e hereditário, o sistema educacional alienador, a religião que apenas justifica a ação do Estado, juntamente com a TV que se resume a propagandas e violência, fazem com que o jovem Arthur não encontre mais subterfúgios para negar a realidade que o cerca. O desejo de encontrar respostas leva-o ao Calabouço, uma casa noturna, onde aquele que se intitula o Profeta, irá falar sobre a criação de um novo mundo e sobre seu Deus, Amaimon. Esse encontro mudará profundamente sua vida e iniciará uma nova fase na história de Aion. Uma distopia sem igual que o fará se perguntar se você é o fantoche ou o ventríloquo.

RESENHA

Um prédio, um senhor cansado da desgastante rotina, uma névoa intoxicante e assassina que toma todo o ar, um zelador jovem e desinteressado, um suicídio em plena luz do dia que não causa furor, nem susto, nem pena, nem repugnância… apenas uma sensação de incômodo. Assim começa Amaimon. E é apenas o começo de um thriller eletrizante, recheado de acontecimentos de vários níveis e que fazem o leitor viajar para mundos inimagináveis.

Aion tem 219 anos de fundação e é uma metrópole que possui muito do que vemos hoje em nossas metrópoles, mas altamente potencializados pelas decisões do passado que geraram resultados catastróficos na vida dos sobreviventes. Interesses políticos, religiosos, mídia manipuladora, necessidade de diversão e fuga a todo custo, educação alienadora. Esta é a realidade de Aion.

Arthur é um jovem incomodado, cheio de questionamentos. Por não conseguir ficar alheio ao que acontece à sua volta, acaba por se envolver em coisas que estão absurdamente acima da rotina já estressante que vive. Nada é o que parece ser, tudo pode ser bem mais complexo. Até mesmo um simples cartaz, com uma árvore e raízes.

Amaimon é mais que uma distopia com um jovem incomodado. Lucas Barbosa traz vários questionamentos à tona nas entrelinhas desta história complexa e cheia de perfis. É impossível ler sem se lembrar de coisas que tenha ouvido falar, ou de coisas que tenha visto na tv, ou de muitas coisas que você, leitor incomodado, já tenha imaginado ou fantasiado em momentos de divagação.

Porém estes questionamentos não são superficiais, jogados de qualquer forma no meio da trama. A própria trama se questiona. Todo o emaranhado é criado de forma a fazer o leitor se divertir com a fantasia de tudo, se arrepiar em determinado acontecimentos, se emocionar em alguns outros e até a ficar irado com várias atitudes… mas ao mesmo tempo gera uma inquietação surda, daquelas que a gente prefere fingir que não sentiu.

O autor conseguiu criar bem seus personagens. Como é uma história recheada deles, prefiro não citar um a um, mas posso dizer que geram sensações que vão desde reconhecimento até o ódio mortal. Os cenários são descritos de forma um tanto ligeira, mas que consegue oferecer ao leitor uma visão ampla de tudo. Sua escrita é fluída, gerando uma leitura rápida.

Para um estreante que surge com uma história complexa como esta, posso dizer que o autor me surpreendeu. Existem detalhes que poderiam ser melhorados, como algumas divagações acerca das questões morais, políticas ou do cuidado com o planeta que poderiam ser um pouco mais breves ou ainda alguns diálogos que poderiam ser menos engessados. Porém nada disso encobre o que se pode perceber claramente nesta história: o autor leva jeito e chegou para ficar.

Ainda não posso comentar sobre a Edição, porque li a prova do livro, que ainda está em pré-venda. Porém tenho outros exemplares da PenDragon e conheço o cuidado que a editora tem com suas publicações. Já dá para notar pela capa já divulgada!

Enfim, recomendo a obra. Se você gosta de distopia e se sente incomodado, nem que seja uma só vez na vida, com o rumo que a sociedade e o próprio mundo segue, você precisa ler esta história. Leia e me responda: até onde a fé e a crença é benéfica? Quando é que ela passa a ser perigosa… extremamente perigosa?

 

Sobre Nadja Moreno

Administradora, professora, blogueira, mãe, leitora voraz. Muitas facetas, uma só alma. Sonho com um país mais leitor, mais crítico, mais evoluído e altruísta.

Veja Também

Literatura Nacional | O Orfanato da Luz, de Caroline Cristine Pietrobon

A Giz Editorial tem entre seus lançamentos de 2017 a obra O Orfanato da Luz, …

Resenha | O fantástico universo do ser humano, de Carlos Holthausen

“Neste livro, ele analisa a vida de modo geral e especialmente a nossa vida aqui …

Resenha | Oito, de Décio Gomes

Entre o terreno e o etéreo existem muitos mistérios. Entre o céu e o inferno …

4 comentários

  1. Muito obrigado por sua resenha, fico muito feliz em saber que minha obra está sendo apreciada e entendida, espero aparecer mais vezes nesse maravilhoso blog.

  2. Uma belíssima resenha Nadja. Como sempre seus textos são maravilhosos. O livro é realmente fantástico, e todos devem lê-lo. Bjs.

Deixe uma resposta

Loading Disqus Comments ...
Loading Facebook Comments ...
Pular para a barra de ferramentas